FECHAMENTO · TERÇA · 11/08/2026

O petróleo testou os dois lados e o Ibovespa caiu nos dois, aos 167.875 pontos, queda de 2,50% e menor fechamento desde janeiro

A terça-feira fechou com o índice aos 167.874,64 pontos, queda de 2,50% e perda de 4.305 pontos no dia, o menor fechamento desde 20 de janeiro, com 77 quedas e sete altas entre os 84 papéis do painel. De manhã o barril cedia com o sinal do Catar sobre Ormuz e a bolsa já caía; à tarde o Irã reafirmou o bloqueio, a Casa Branca cobrou compensação por danos de guerra, o Brent virou e fechou em alta de 1,4%, a US$ 88,91, quinta valorização seguida, e o índice ampliou a perda. Nos dois cenários da mesma variável o preço daqui andou para o mesmo lado. O que mudou de verdade veio por escrito: o JP Morgan levou a bolsa brasileira de acima da média para neutra e cortou o alvo do Ibovespa no fim de 2026 de 190.000 para 185.000 pontos. O dólar subiu 1,32%, a R$ 5,1751, e o giro foi de R$ 23,57 bilhões. A BPAC11 caiu 5,77% e reportou lucro ajustado de R$ 5,1 bilhões depois do fechamento.

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Como foi o pregão

O dia ofereceu um teste raro. Pela manhã, com o barril em queda depois de o Catar sinalizar avanço na negociação entre Omã e Irã, o índice já caía 1,69%. Na segunda metade do pregão o Irã reafirmou que Ormuz só reabre com suas exigências atendidas, a Casa Branca respondeu cobrando compensação por danos de guerra, o Brent virou e fechou em alta de 1,4%, a US$ 88,91, quinta alta seguida, e a bolsa daqui ampliou a perda para 2,50%. Quando o mesmo ativo cai nos dois cenários possíveis de uma variável, essa variável não é a causa do dia.

A causa apareceu por escrito e com número. O JP Morgan levou a recomendação para a bolsa brasileira de acima da média para neutra e cortou o alvo do Ibovespa no fim de 2026 de 190.000 para 185.000 pontos, com três argumentos: apenas mais um corte de 0,25 ponto na Selic em setembro e pausa depois disso, atividade e ciclo de crédito em piora, e o padrão histórico de ativos locais nos seis meses anteriores a uma eleição. Isso conversa direto com o que a ata da reunião de agosto havia dito às 8h, ao condicionar a resposta da política monetária à disseminação de choques de energia, e com o IPCA de julho em 0,07% contra consenso de 0,03%.

O ranking setorial confirmou o diagnóstico. Saneamento fechou com queda de 3,98% no agregado, bancos 3,10%, seguros e seguridade 2,99%, energia elétrica 1,76% e telecomunicações 0,86%: quanto mais longo o contrato, maior a queda. O dólar à vista subiu 1,32%, a R$ 5,1751, e Nova York fechou no segundo pregão seguido de perdas, com o S&P 500 em queda de 0,32%, aos 7.728,20 pontos, e o Nasdaq em queda de 0,60%, aos 26.445,44, na véspera da inflação americana de julho.

O que moveu o dia

As três camadas do dia

20 mais líquidos (fechamento)

Nenhum papel de giro grande fechou em alta: a ponta menos ruim é de quem fatura em dólar ou vende combustível na bomba, e a ponta de baixo junta banco de investimento, elétrica, saneamento e locação, que só têm em comum a sensibilidade à curva longa.

MAIORES ALTAS
VBBR3-0,63%
PETR4-1,35%
PETR3-1,44%
ABEV3-1,70%
VALE3-2,02%
MAIORES BAIXAS
BPAC11-5,77%
AXIA3-4,67%
CSMG3-4,41%
RENT3-4,38%
GGBR4-4,32%

BESST (fechamento)

De pé ficaram transmissora e telefonia, receita contratada e corrigida por índice de preço; no chão ficou saneamento, o contrato mais longo da bolsa, com o bloco fechando em queda de 3,98% no agregado.

MAIORES ALTAS
LIGT3+0,32%
TIMS3-0,37%
TAEE11-0,52%
EGIE3-0,55%
VIVT3-1,34%
MAIORES BAIXAS
SAPR11-5,43%
AXIA3-4,67%
CSMG3-4,41%
ABCB4-3,57%
WIZC3-3,21%

Mercado geral (fechamento)

A ponta de cima coube em sete papéis do painel inteiro, sem nenhum estável, e a amplitude entre a maior alta e a maior baixa chegou a 9,55 pontos percentuais.

MAIORES ALTAS
CMIN3+2,01%
NATU3+1,49%
MBRF3+1,38%
SANB11+0,92%
BRAV3+0,81%
MAIORES BAIXAS
USIM5-7,54%
BPAC11-5,77%
RADL3-5,68%
SAPR11-5,43%
HAPV3-4,95%

Radar de Risco do dia

Retrato datado de 11/08/2026, lido nas grades de opções do fim da tarde. O quadro vivo, atualizado a cada fechamento, fica na página inicial e na página de Ações.

Toda semana alguém paga, no mercado de opções da B3, para se proteger de um tombo em uma ação. Quanto mais gente com medo, mais caro fica esse seguro. O Radar de Risco lê esse preço e traduz em duas coisas: se a proteção do papel está cara ou barata para o padrão dele, e em que faixa o próprio mercado coloca a maioria dos cenários até a próxima sexta. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.

BOVA11o ETF que segue o Ibovesparisco baixo
R$ 161,81hoje R$ 165,05R$ 168,29

A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 14/08: uma oscilação de até 2,0% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.

O papel do dia · PRIO3

O quadro deu o contra-atestado da manchete. O barril fechou em alta pelo quinto pregão seguido, com o impasse em Ormuz travado, e mesmo assim a PRIO caiu 3,25% com o seguro mais barato de todo o quadro: implícita mensal de 33,95% contra volatilidade histórica de 41,32%, razão 0,82. Se o choque do dia fosse de petróleo, a proteção da petroleira pura seria a primeira a encarecer, e ela fez o contrário. O que ficou caro foi o Brasil, não a commodity, e por isso a queda pegou banco, elétrica e varejo juntos. Segunda camada, no Banco do Brasil: a série que vence sexta precifica movimento de mais ou menos 6,5% em três pregões, mais de três vezes o embutido para o Ibovespa no mesmo intervalo, e segue acima do seguro do mês inteiro, curva invertida na véspera do balanço de quarta. Desta vez o número do painel passou na conferência: o straddle no dinheiro sustenta cerca de 59% na semanal, o mesmo que o cabeçalho imprime, ao contrário do que aconteceu na segunda. O Bradesco entrega o detalhe que quase ninguém olha: a semanal a 33,62% contra a mensal a 24,26% mostra que o mercado concentrou o preço do medo nesta semana e não no mês, o que costuma ser assinatura de data marcada no calendário e não de tendência. O Magazine Luiza desceu de alto para normal sem que nada tenha acontecido com a empresa, apenas porque a volatilidade realizada subiu e alcançou a implícita.

PETR4risco normal
Petrobras · petróleo, câmbio e política de preçoshoje R$ 41,66
o mercado paga por até 2,9% na semanafaixa de R$ 40,46 a R$ 42,86
VALE3risco normal
Vale · minério de ferro e demanda da Chinahoje R$ 74,40
o mercado paga por até 2,6% na semanafaixa de R$ 72,46 a R$ 76,34
ITUB4risco normal
Itaú · crédito, inadimplência e jurohoje R$ 39,00
o mercado paga por até 2,5% na semanafaixa de R$ 38,04 a R$ 39,96
BBDC4risco normal
Bradesco · crédito e recuperação de rentabilidadehoje R$ 16,79
o mercado paga por até 3,7% na semanafaixa de R$ 16,17 a R$ 17,41
BBAS3risco extremo
Banco do Brasil · crédito do agronegócio e payouthoje R$ 19,28
o mercado paga por até 6,5% na semanafaixa de R$ 18,03 a R$ 20,53balanço 2T em 12/08
ABEV3risco normal
Ambev · volume de cerveja e custo de insumohoje R$ 15,01
o mercado paga por até 2,0% na semanafaixa de R$ 14,71 a R$ 15,31
MGLU3risco normal
Magazine Luiza · varejo alavancado, sensível a jurohoje R$ 4,26
o mercado paga por até 5,9% na semanafaixa de R$ 4,01 a R$ 4,51
PRIO3risco baixo
PRIO · produção própria e preço do barrilhoje R$ 59,25
o mercado paga por até 3,6% na semanafaixa de R$ 57,12 a R$ 61,38
A régua, do mais calmo ao mais tenso
risco baixoo seguro está mais barato que a agitação normal do papel; o mercado não vê nada marcado pela frente
risco normalo seguro custa o de sempre para aquele papel; semana sem evento na conta
risco altoo seguro subiu acima do padrão do papel; alguém está pagando para se proteger de alguma coisa
risco extremoseguro muito acima do padrão, quase sempre com data marcada no calendário, como um balanço
Como usar em 3 passos
1
Comece pelo nível

Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.

2
Depois olhe a faixa

É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.

3
Por fim, a tag de evento

Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.

Direção ninguém sabe; risco tem preço.

Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.

Os números do fechamento

Ibovespa167.875 pts

Cedeu 2,50%, aos 167.874,64 pontos, com 77 quedas em 84 papéis

BOVA11R$ 165,05

O ETF que segue o Ibovespa caiu 2,49%

DólarR$ 5,1751

Subiu 1,32%, com o contrato futuro em 5.183,50 pontos

BrentUS$ 88,91

Alta de 1,4% e quinta valorização seguida, com Ormuz travado

Giro do índiceR$ 23,57 bi

Em 1.469.898 negócios no índice à vista

Maior altaCMIN3 +2,01%

CSN Mineração, a R$ 5,57

Maior baixaUSIM5 -7,54%

Usiminas, a R$ 6,62

Amplitude do painel9,55 p.p.

Da maior alta à maior baixa, sem nenhum papel estável

O que fica no radar