A madrugada mudou o preço de duas coisas que chegam direto à bolsa brasileira. Ataques a navios no Estreito de Ormuz levaram o Brent a US$ 102,43 às 02h17, alta de 2,2% sobre o ajuste de ontem, e o WTI a US$ 89,96, alta de 1,9%. Na curva americana, a ponta longa subiu e a curta caiu: o vértice de 30 anos fechou o pregão de 07/10 a 5,67% e o de 2 anos, a 4,77%, pela tabela oficial do Tesouro. A Ásia operou em queda com os dois vetores, e a China continental voltou do feriado do Dia Nacional com o contrato mais negociado de minério de ferro em Dalian na mínima de 15 meses, o que atinge a Vale (VALE3) pelo lado da receita e as petroleiras pelo lado oposto. Aqui, a agenda de indicadores está vazia, sai o primeiro Datafolha do segundo turno e hoje é a data-com do juro da ISA Energia (ISAE4). O Ibovespa entra no dia em 204.302,33 pontos, depois de cair 0,74% na véspera.
Última edição arquivada: fechamento de 07/10/2026, para guardar e compartilhar. Todas as edições estão no Arquivo.
Quatro números organizam a largada: o barril depois de Ormuz, a ponta longa da curva americana, a volta da China e o que a bolsa brasileira já tem no preço.
O índice entra no dia depois de dois pregões de realização de lucros, e com uma casa de análise publicando compra para a bolsa brasileira.
O Itaú BBA publicou compra para a bolsa brasileira em 07/10 e disse que o Ibovespa poderia alcançar 246 mil pontos, com o preço em relação ao lucro das empresas do índice próximo às 11,5 vezes, citando Equatorial (EQTL3), Rede D'Or (RDOR3), Localiza (RENT3) e Sabesp (SBSP3) como as atrasadas da carteira. É projeção da casa que a publicou, e não deste Radar. O índice caiu 0,74% na véspera, no segundo pregão de realização.
O argumento da projeção é múltiplo, e não lucro novo: a conta de preço sobre lucro diz quantos anos de resultado o mercado está pagando por uma ação, e quando ela cai sem que o lucro caia, o que mudou foi o apetite, não a empresa. Do outro lado da mesma conta está a taxa usada para descontar esse lucro, que é a curva longa brasileira. Por isso uma tese de bolsa barata no Brasil depende de prêmio de risco fiscal menor, e é exatamente esse prêmio que oscila com pesquisa eleitoral e com pauta de custo no Congresso.
Leitura do Radar: o índice chega ao dia carregando duas apostas montadas desde o primeiro turno, a de juro doméstico menor e a de prêmio fiscal menor, e nenhuma delas tem documento ainda. O que decide a semana é o que as pesquisas do segundo turno mostrarem, e a primeira delas sai hoje. Do lado de fora, a conta muda com o juro longo americano, que subiu no último fechamento e trabalha contra ativo de emergente.
O real entra no dia com dois ventos contrários: juro longo americano mais alto e petróleo em alta.
O vértice de 30 anos da curva oficial do Tesouro americano fechou 07/10 a 5,67%, três pontos-base acima do pregão anterior, e o de 2 anos caiu a 4,77%. O dólar à vista estava em R$ 5,0219 na coleta do encerramento do pregão de ações da véspera, de volta acima de R$ 5. O Banco Central não anunciou leilão de câmbio para hoje.
Os dois lados da curva americana contam histórias diferentes para o câmbio. A ponta curta responde ao que o Federal Reserve deve fazer nas próximas reuniões, e ela cedeu. A ponta longa responde a quanto o investidor cobra para financiar o governo americano por três décadas, e ela subiu. É a longa que define o custo de oportunidade de carregar moeda de emergente, porque ela é o piso de remuneração sem risco cambial. Petróleo mais caro corta nos dois sentidos no Brasil: melhora a conta de exportação e piora a de inflação de combustível.
Leitura do Radar: o real vinha se valorizando porque quem empresta ao governo brasileiro passou a cobrar menos desde a urna, e agora enfrenta um vento de fora que não depende de nada daqui. Quando só a ponta longa americana sobe, o investidor está pedindo mais para esperar trinta anos, e não aposta em juro básico maior. O que fica em aberto hoje são os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos e o leilão de títulos de 30 anos do Tesouro americano, que mostra na prática quanto o comprador exige por esse prazo.
A curva brasileira entra no dia sem indicador para reagir: a agenda doméstica de hoje não tem divulgação macro.
Os juros futuros fecharam a véspera sem direção única: o contrato de janeiro de 2027 terminou a 13,441%, o de janeiro de 2031 a 12,600% e o de janeiro de 2035 a 12,775%, pelas taxas de fechamento do mercado futuro de juro. A B3 informou que, a partir de 03/11, as operações casadas de contratos de inflação deixam o programa de formador de mercado. A Selic está em 13,75% desde o corte de 0,25 ponto percentual no Copom de 16/09, e a próxima reunião é em novembro. O Boletim Focus mais recente segue o de referência 02/10, reconferido hoje no documento oficial do Banco Central.
A parte longa da curva é o preço que o mercado cobra para emprestar ao Tesouro brasileiro por uma década, e ela embute a dúvida sobre o que o próximo governo fará com as contas públicas. Essa taxa não é só termômetro: ela é o custo de capital que entra na conta de qualquer projeto de empresa brasileira e na taxa que desconta o lucro futuro das ações de juro doméstico. A parte curta, essa sim, responde ao Copom e à inflação corrente, e é a que decide a parcela do crediário e o custo de giro das varejistas.
Leitura do Radar: a queda da curva depois do primeiro turno foi uma aposta sobre um programa fiscal que nenhum dos dois candidatos apresentou, e sem documento novo ela depende de pesquisa eleitoral para continuar. Com a agenda doméstica vazia hoje, quem dá o tom para a curva é o que vem de fora, principalmente o juro longo americano. O próximo dado que testa a hipótese de juro menor é o IPCA de setembro, amanhã.
O bloco entra no dia depois de devolver parte do rali, e o vetor de hoje vem da curva de juro de fora, não de documento de companhia.
A BB Seguridade (BBSE3) protocolou na CVM, no fim do pregão de 07/10, a ata do conselho que aprovou a revisão anual da política de transações com partes relacionadas. Nenhum banco do bloco publicou documento novo desde então, e o vetor que mexe com o setor hoje vem de fora: a ponta longa da curva americana subiu no último fechamento. O bloco devolveu 1,38% na média no último pregão.
A política de partes relacionadas não mexe em resultado, e é o documento que define como a seguradora negocia com o próprio controlador, que é o seu principal canal de venda: em seguradora ligada a banco, é por ali que entra a maior parte do prêmio. O vetor de juro chega por outro caminho. Banco ganha nas duas pontas quando a curva doméstica cai, porque o crédito cresce e a inadimplência recua, e perde argumento quando o custo global do dinheiro longo sobe, porque o investidor estrangeiro compara o retorno do banco brasileiro com um título americano de trinta anos sem risco cambial.
Leitura do Radar: o setor subiu durante dias apostando que o juro cairia e que menos gente deixaria de pagar o empréstimo, e devolveu parte disso em dois pregões. O teste que importa não é a recomendação de ninguém, é o balanço do terceiro trimestre, que mostra quanto cada banco separou para cobrir quem não paga. Antes disso, a data-com do juro trimestral do Bradesco é 13/10, e é ela que define quem recebe.
Foi o bloco que mais subiu no último pregão, e hoje ele tem duas datas marcadas na própria carteira.
Hoje é a data-com da primeira das três parcelas do juro sobre capital próprio da ISA Energia (ISAE4), com pagamento em dezembro, e é o dia que define quem entra no resgate das preferenciais classe C da Axia (AXIA3), aprovado por fato relevante, com janela de conversão em ordinária de 14 a 16/10. As duas distribuidoras da Equatorial (EQTL3) no Pará e no Maranhão protocolaram na CVM os mapas de votação das assembleias. O bloco subiu 1,33% na média no último pregão.
Data-com é mecânica de carteira, e vale entender o que ela faz com o preço. Quem tem a ação no fim do pregão de hoje recebe o provento; quem compra amanhã não recebe, e por isso o papel costuma abrir valendo menos o valor distribuído. Não é perda nem ganho, é dinheiro que sai da empresa e vai para o acionista. No resgate da Axia, o efeito é diferente: o caixa sai da companhia para uma classe de ação, e quem optar por converter em ordinária aumenta o número de ordinárias em circulação, o que divide o mesmo lucro entre mais ações.
Leitura do Radar: este é o grupo que mais depende da curva longa de juro, porque vive de receita regulada corrigida por inflação e de concessão que vale décadas, e foi isso que o colocou na frente nos pregões do rali. Com a curva longa parada e o juro americano de 30 anos subindo, o vento que empurrou o bloco perde força. O que fica em aberto, além das duas datas de hoje, é a janela de conversão da Axia na semana que vem.
O barril subiu na madrugada com ataques a navios no Estreito de Ormuz, e o bloco entra no dia com o vento a favor que faltou nos dois pregões anteriores.
Ataques a navios no Estreito de Ormuz levaram o Brent a US$ 102,43 às 02h17, alta de 2,2% sobre o ajuste de ontem, e o WTI a US$ 89,96. O estoque de petróleo bruto dos Estados Unidos caiu 3,186 milhões de barris na semana, pelo Departamento de Energia, contra expectativa de alta, mas a gasolina subiu e anulou parte da pressão. Amanhã termina a redução de PIS e Cofins que tirou R$ 0,63 por litro da gasolina. O bloco subiu 0,87% na média no último pregão.
Ormuz é o ponto onde o preço do petróleo deixa de ser oferta e demanda e passa a ser logística: por ali sai parte expressiva do petróleo transportado por mar no mundo, e ameaça a navio não tira barril do subsolo, tira barril do caminho. Para a Petrobras (PETR4) e a PRIO (PRIO3), o barril mais caro chega pela exportação e pela margem de refino, mas o preço do combustível vendido no país é decidido pela própria companhia, e aí entra a conta política de repassar ou não em plena campanha. Para a aérea, a distribuidora e a indústria que queima diesel, o mesmo barril é custo.
Leitura do Radar: alta de petróleo por causa da rota do navio costuma ir e voltar mais rápido do que alta por falta de produção, porque ela desaparece no dia em que a passagem volta a operar. O que decide é quanto tempo o bloqueio dura, e isso ninguém sabe hoje. O que fica em aberto é o fim da desoneração da gasolina amanhã, que é o único item do bloco com data certa e efeito direto no preço da bomba.
A China voltou do feriado, e a primeira referência de minério em uma semana veio na mínima de 15 meses.
O contrato mais negociado de minério de ferro na bolsa de Dalian caiu 1,85%, a 691,5 yuan por tonelada, na primeira sessão depois do feriado do Dia Nacional chinês, e tocou a mínima de 15 meses, com a margem apertada das siderúrgicas chinesas citada como motivo. É a primeira formação de preço na praça desde 30/09. O bloco caiu 0,20% na média no último pregão.
A conta da Vale (VALE3) tem três entradas, e duas delas se mexeram ao mesmo tempo. O preço do minério define a receita por tonelada; o dólar define quanto dessa receita vira real no balanço; o custo de produção é o que sobra. Minério mais barato com dólar mais alto compensa em parte, mas não na mesma proporção, porque a queda de preço atinge todo o volume vendido. Margem apertada na siderúrgica chinesa é o sinal mais direto de que a demanda do cliente final está fraca, e é por esse canal que o minério costuma cair antes do aço.
Leitura do Radar: a semana sem Dalian deixou o bloco sem referência diária, e a volta trouxe o pior dos dois mundos para quem vende minério, preço mais baixo e explicação de demanda. Para as siderúrgicas brasileiras, insumo mais barato é alívio de custo, o que separa o efeito dentro do mesmo bloco. O que fica em aberto são os dados chineses de atividade da primeira semana pós-feriado, que dizem se a margem do aço é sazonal ou tendência.
O bloco entra no dia praticamente de lado, e com um provento marcado para a semana que vem.
A agenda de indicadores domésticos de hoje está vazia, e o dado que o setor espera tem hora marcada: o IPCA de setembro, que o IBGE divulga amanhã às 09h. O fim da desoneração da gasolina, também amanhã, entra na inflação de outubro pelo item de maior peso no transporte, e é ele que come a renda que sobra para a prestação. A Iguatemi (IGTI11) tem data-com de dividendo em 15/10. O bloco caiu 0,11% na média no último pregão.
O varejo é o bloco mais sensível a juro de toda a bolsa, e por dois canais ao mesmo tempo. Pelo lado da empresa, quem vende a prazo carrega recebível e dívida, e o custo disso sai da taxa curta. Pelo lado do cliente, a parcela do crediário é calculada sobre a mesma taxa, e ela decide se a compra acontece. Inflação de alimento e de combustível aperta o terceiro canal, o da renda disponível, e é aí que o petróleo desta madrugada encosta no setor, com atraso de semanas e não de horas.
Leitura do Radar: o setor vinha subindo com a aposta de juro menor, e o teste dessa aposta tem data, que é a inflação de setembro amanhã. Shopping e construtora reagem ao mesmo vetor por caminhos diferentes: o shopping tem aluguel corrigido por índice de preço e o incorporador tem funding de crédito imobiliário. O que fica em aberto, além do IPCA, é o efeito do fim da desoneração da gasolina na inflação de outubro.
A proteína entra no dia na frente e os prestadores de saúde atrás, com os dois lados do bloco reagindo a vetores opostos.
O petróleo subiu na madrugada depois dos ataques a navios no Estreito de Ormuz, o que encarece frete e embalagem para quem exporta proteína, e a ponta longa da curva americana fechou em alta, o que pressiona o valor de negócio de fluxo previsível, que é o caso de hospital, laboratório e plano de saúde. O bloco subiu 0,89% na média no último pregão. Nenhuma companhia do bloco publicou documento novo desde o fechamento anterior.
O bloco junta dois negócios que não têm quase nada em comum na formação de preço. Na proteína, a conta é margem de exportação: o preço do animal e do grão entra como custo, o dólar define a receita convertida e o frete internacional entra agora pelo canal do combustível. Em saúde, a conta é dívida e taxa de desconto: hospital e laboratório crescem comprando unidade, pagam isso com dívida indexada a juro e valem o fluxo de caixa futuro descontado por uma taxa que sobe quando a curva sobe. Por isso os dois lados do bloco podem andar em direções opostas no mesmo dia.
Leitura do Radar: a proteína entra no dia com o câmbio e o frete trabalhando em sentidos opostos, o que torna a margem do trimestre a única medida confiável. Em saúde, o que decide não é o volume de atendimento, é a despesa financeira, e ela só aparece no resultado. O que fica em aberto é o balanço do terceiro trimestre do setor, onde a linha de juro mostra se o alívio da curva doméstica chegou ao caixa.
O bloco entra no dia com dois vetores de fora em sentidos opostos: câmbio e frete.
O petróleo subiu na madrugada depois dos ataques a navios no Estreito de Ormuz, o que encarece frete e combustível de transportadora e de aérea, e a ponta longa da curva americana fechou em alta, o que pesa sobre quem financia ativo com dívida longa. O bloco subiu 0,59% na média no último pregão. Nenhuma companhia do bloco publicou documento novo desde o fechamento anterior.
O bloco tem três motores diferentes, e o combustível é o que separa um do outro. Na exportadora de bem de capital, barril mais caro chega como custo de logística e como pressão no insumo, enquanto o real mais fraco aumenta a receita convertida, e quem decide o resultado é qual dos dois corre mais rápido. Na locadora e na concessionária, o que manda é a dívida longa, porque o ativo é comprado hoje e pago em anos. Na tecnologia de software, o que manda é a taxa que desconta um lucro que está no futuro, e ela sobe junto com a curva de fora.
Leitura do Radar: quando câmbio e frete empurram em sentidos opostos, nenhuma cotação do dia diz quem venceu, e a resposta só aparece na margem do trimestre. Vale separar o bloco em dois: quem vende para fora tem a conta de câmbio, e quem opera estrada, locação e logística tem a conta de dívida. O que fica em aberto é o balanço da WEG em 21/10, o primeiro do bloco a mostrar margem com o câmbio novo.
As pontas do último pregão, o de 07/10, que é o preço com que cada papel entra no dia. Entre as 85 ações acompanhadas, 50 subiram, 34 caíram e uma ficou estável.
Entre as vinte ações de maior giro, oito subiram e doze caíram, o oposto do placar das 85. Na ponta de baixo ficaram a Embraer e quatro papéis do setor financeiro, e na de cima, a Equatorial, a Localiza e a Petrobras, que é a que mais se mexe com o barril desta madrugada.
No bloco de bancos, elétricas, saneamento, seguros e telecomunicações, 21 das 29 ações subiram no último pregão. As cinco maiores altas foram de energia e saneamento, e as cinco maiores quedas, de bancos, que são os papéis mais líquidos e por onde sai primeiro quem quer reduzir posição.
Nas 85 acompanhadas, 50 altas, 34 quedas e uma estável no último pregão, com mediana de alta de 0,61% e índice em queda. O lado que subiu foi o das empresas de juro doméstico, e o que caiu, o dos papéis de maior peso na carteira.
O que está no preço lá fora na largada de hoje, com a fonte de cada número. Os números de fora desta edição foram apurados às 05h55 de 08/10/2026.
A ponta longa da curva americana subiu e a curta caiu: pela tabela oficial do Tesouro, o vértice de 30 anos fechou o pregão de 07/10 a 5,67%, três pontos-base acima do pregão anterior, o de 10 anos a 5,28% e o de 2 anos a 4,77%, dois pontos-base abaixo. Hoje o Tesouro americano leiloa títulos de 30 anos, às 14h de Brasília, e saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 09h30. O leilão mede, na prática, quanto o investidor cobra para financiar o governo americano no prazo mais longo da curva.
A bolsa entra no dia em 204.302,33 pontos, depois de cair 0,74% na véspera, no segundo pregão de realização de lucros, com 50 altas, 34 quedas e uma estável entre as 85 ações acompanhadas. O dólar à vista estava em R$ 5,0219 na coleta do encerramento do pregão de ações, e os juros futuros fecharam sem direção única, com o contrato de janeiro de 2031 a 12,600%. Sai hoje o primeiro Datafolha do segundo turno, e a agenda de indicadores do dia está vazia. O IPCA de setembro sai amanhã.
A Ásia operou em queda com juro americano e petróleo: às 02h17 de Brasília, com as praças abertas, o Nikkei 225 estava em 69.438,77 pontos, baixa de 0,9%, e o Xangai Composto em 3.840,03, baixa de 0,1%. A China continental voltou do feriado do Dia Nacional, e a primeira formação de preço de minério de ferro em uma semana veio fraca: o contrato mais negociado na bolsa de Dalian caiu 1,85%, a 691,5 yuan por tonelada, e tocou a mínima de 15 meses, com margem apertada nas siderúrgicas chinesas.
Ataques a navios no Estreito de Ormuz levaram o barril para cima na madrugada: às 02h17 de Brasília, com o mercado aberto, o Brent estava em US$ 102,43, alta de 2,2% sobre o ajuste de ontem, de US$ 100,20, e o WTI em US$ 89,96, alta de 1,9%. Por Ormuz passa parte expressiva do petróleo transportado por mar no mundo, e ameaça à navegação age sobre a rota, não sobre a produção. O estoque de petróleo bruto dos Estados Unidos caiu 3,186 milhões de barris na semana, pelo Departamento de Energia. A pressão vem de uma sequência, e não de um episódio: o escritório britânico de operações comerciais marítimas contabiliza nove ataques a navios-tanque no estreito na primeira parte de outubro, e nesta quinta um navio-tanque foi atingido por vários projéteis a cerca de 94 quilômetros ao norte da costa do Catar, já dentro do Golfo. Num outro caso, a Índia informou 12 tripulantes feridos num navio de bandeira do Panamá ao cruzar o estreito.
O Banco Central Europeu publica hoje a ata da última reunião de política monetária, às 08h30 de Brasília, e é o documento que mostra quanto o colegiado discutiu o próximo passo do juro na zona do euro. A Alemanha divulga a balança comercial de agosto, e o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, fala durante a manhã. Para a bolsa brasileira, a Europa chega hoje pelo canal do petróleo e pelo apetite por risco, e não por fato próprio de companhia.
O tamanho do movimento que o mercado espera para cada ação até sexta, 09/10, medido no preço da proteção negociada na B3. Leitura do fechamento de 07/10/2026.
Na B3 existe um mercado onde se compra e se vende proteção contra a oscilação das ações: as opções. Quando o mercado espera que a ação balance mais, essa proteção sobe de preço.
Do preço dessa proteção sai a faixa da semana: o intervalo, em reais, onde a ação termina a semana na maioria dos cenários. Pela teoria, cerca de 2 em cada 3 semanas terminam dentro dela.
Compara o preço da proteção com o quanto a própria ação balançou nos últimos meses: abaixo do padrão, no padrão, acima ou muito acima. É isso que a cor de cada cartão mostra.
Nada aqui diz se a ação vai subir ou cair. O Radar mede o tamanho do movimento que o mercado está pagando para se proteger. Quer ver de onde sai cada número? Leia o guia, sem fórmula ↗Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Pelo preço da proteção, o mercado trabalha com o BOVA11 terminando a semana, na sexta, 09/10, entre R$ 197,07 e R$ 205,43: até 2,1% para cima ou para baixo. Terminar dentro quer dizer que a semana foi do tamanho que o mercado esperava; terminar fora quer dizer que aconteceu algo maior do que a proteção cobria.
Risco baixo: proteção abaixo do padrão da própria ação. A proteção do índice embute uma oscilação 24% menor do que a que o índice teve nos últimos meses. Não é aviso de queda: mede que o mercado está pagando por menos movimento do que vinha acontecendo.
Das 20 ações do quadro, 8 estão com a proteção no padrão (risco normal) e 12 abaixo do padrão (risco baixo). A faixa mais larga até sexta, 09/10, tem até 9,6% para cada lado e é a de MGLU3 (Magazine Luiza); a mais estreita tem até 1,8% e é a de RENT3 (Localiza).
Para quem já acompanha opções. Se você chegou agora, o quadro acima já basta.
Num pregão em que o índice caiu 0,74%, com 50 altas, 34 quedas e uma estável entre as 85 ações, o preço de oscilação da mensal de outubro caiu em doze dos vinte papéis com leitura nos dois dias e subiu em oito, com mediana de queda de 0,45 ponto. As maiores altas foram no Magazine Luiza (MGLU3), de 13,67 pontos, na Lojas Renner (LREN3), de 3,96, e na Axia (AXIA3), de 2,70; as maiores quedas, na Hapvida (HAPV3), de 8,07 pontos, na Localiza (RENT3), de 4,39, e no Bradesco (BBDC4), de 4,18. O quadro ficou com treze cartões em baixo e oito em normal, sem nenhum em alto ou extremo; mudaram de nível o Magazine Luiza, de baixo para normal, e a Suzano (SUZB3), de normal para baixo. O fundo que replica o índice (BOVA11) segue em baixo, com razão de 0,76, contra 0,83 na véspera, e faixa até 09/10 de R$ 197,07 a R$ 205,43, ou 2,1% para cada lado; a semanal marca 23,28% ao ano, contra 22,13% da mensal. A faixa mais larga tem 9,6% para cada lado e é a do Magazine Luiza. A mais estreita tem 1,8% e é a da Localiza, cuja semanal, de 19,89%, ficou em menos da metade da mensal. Isso mede quanto se espera que as ações oscilem até sexta, e não para que lado.
Toda faixa publicada aqui vale até uma sexta-feira. Quando essa sexta chega, dá para conferir: cada ação terminou a semana dentro ou fora da faixa? A conta usa a faixa como ela saiu no primeiro fechamento em que apareceu, com o prazo inteiro pela frente, que é a que você acompanhou.
| semana até | terminaram dentro | acerto | fora da faixa |
|---|---|---|---|
| 07/08 | 5 de 9 | 56% | ↓ 4 abaixo |
| 14/08 | 2 de 9 | 22% | ↓ 7 abaixo |
| 21/08 | 14 de 20 | 70% | ↑ 5 acima↓ 1 abaixo |
| 28/08 | 11 de 20 | 55% | ↑ 9 acima |
| 04/09 | 5 de 21 | 24% | ↑ 16 acima |
| 11/09 | 13 de 16 | 81% | ↑ 3 acima |
| 18/09 | 18 de 20 | 90% | ↓ 2 abaixo |
| 25/09 | 14 de 20 | 70% | ↑ 2 acima↓ 4 abaixo |
| 02/10 | 5 de 20 | 25% | ↑ 15 acima |
No total, 87 de 155 fechamentos dentro da faixa (56%). Pela teoria, uma faixa montada desse jeito seguraria perto de 68%, cerca de 2 em cada 3. Quando uma ação termina a semana fora da faixa, isso se chama furo, e o que mais informa é o lado: dos 68 furos, 65 foram para o mesmo lado da maioria daquela semana. Em 7 das 9 semanas com furo, todas as ações que furaram saíram pelo mesmo lado. Quando furam, furam perto: metade dos furos terminou a menos de 1,6% da ponta da faixa. Em resumo, a faixa não falha ao acaso; ela é superada quando o mercado inteiro anda junto, para cima ou para baixo, mais do que a proteção cobria no começo da semana.
Para comparação: se a conta usasse a faixa publicada no último pregão antes de cada vencimento, que cobre um dia só, o resultado seria 120 de 161 (75%). Essa não vale como placar, porque ninguém atravessa a semana com a faixa do último dia. O total é outro porque algumas ações ficaram sem faixa no começo da semana e só ganharam faixa depois.
Ressalva de amostra: são só 9 semanas, e as ações sobem e caem juntas dentro da mesma semana, então 155 fechamentos não valem como 155 medidas independentes. A diferença para os 68% da teoria ainda pode ser acaso. Esta medida descreve o que já aconteceu; nada aqui antecipa preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
O que move o Ibovespa nos próximos dias: agenda macro, proventos e fatos com data marcada.
Primeira pesquisa Datafolha do segundo turno. Primeira das três parcelas do juro sobre capital da ISA Energia (ISAE4), de R$ 0,19 bruto por ação, com data-com hoje. O Banco Central Europeu publica a ata da reunião de política monetária às 08h30, os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos saem às 09h30 e o Tesouro americano leiloa títulos de 30 anos às 14h. Agenda de indicadores domésticos vazia.
O IBGE divulga a inflação oficial de setembro, às 09h. Vencem as opções semanais que formam as faixas do Radar de Risco, e termina a redução de PIS e Cofins que tirou R$ 0,63 por litro da gasolina.
Não há pregão. Sai o primeiro Boletim Focus com coleta encerrada depois do primeiro turno, o primeiro a precificar o resultado de 04/10.
Último dia com direito ao juro sobre capital do terceiro trimestre, de R$ 0,376628790 por preferencial e R$ 0,342389810 por ordinária, pago até 30/04/2027.
Quem tem preferencial classe C da Axia escolhe entre receber o resgate em dinheiro, pago em 26/10, ou converter cada preferencial em uma ordinária.
Último dia com direito ao dividendo de R$ 0,168708 por unit da Iguatemi (IGTI11), com pagamento em 29/10.
Vencem as opções mensais de outubro, e acontece o leilão da oferta pública de aquisição de ações da Braskem.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputam o segundo turno. O Radar não projeta resultado eleitoral.
Data-com, o último dia para ter a ação e receber: ISAE4 (JCP, R$ 0,188959 por ação (bruto), R$ 0,155891 líquido após retenção na fonte). Data ex, o primeiro pregão sem o direito, com o preço ajustado pelo provento: RADL3 (data-com em 07/10). Pagamento a quem tinha a ação na data-com: TOTS3 (JCP, R$ 0,15 por ação (bruto)).
Valor por ação como no documento da companhia. A regra de imposto e a agenda inteira, com os pagamentos mais distantes, estão na página Dividendos, que sai do mesmo dado.
A Axia aprovou o resgate de 67.249.496 preferenciais classe C, R$ 4 bilhões, a R$ 59,48 por ação. Quem tiver a ação no fim do pregão de hoje entra na operação, a janela para converter em ordinária é de 14 a 16/10, e o pagamento do resgate é em 26/10.
Briefing na abertura e no fechamento de cada dia útil, em todos os canais. Sem promessa de lucro.
O que você quer ver no próximo Radar? Tem um papel pra sugerir? Manda aí.