O Ibovespa sobe 0,46% e interrompe quatro quedas: o juro em queda puxou bancos e consumo, e o corte da CSN Mineração derrubou a mineração inteira
O Ibovespa fechou esta terça-feira em 183.827,59 pontos, alta de 0,46%, e interrompeu quatro quedas seguidas. Entre as 85 ações acompanhadas foram 57 altas, 27 quedas e uma estável, e a média simples subiu 0,55%, acima do índice. A mineração, com dez quedas em dez papéis, freou o número, enquanto o juro futuro caiu à tarde e puxou bancos, consumo e elétricas.
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O Ibovespa fechou em 183.827,59 pontos, alta de 0,46%, com giro de R$ 20,06 bilhões nas 85 ações acompanhadas. Foram 57 altas, 27 quedas e uma estável; a média simples subiu 0,55% e a mediana, 0,72%. Na coleta feita logo depois do leilão das ações, o dólar à vista estava em R$ 5,2038, queda de 0,37%. O fundo que replica o índice fechou a R$ 181,05, alta de 0,48%.
O desenho do dia foi o inverso do de segunda. O consumo teve a melhor média entre os sete blocos setoriais, alta de 2,02%, com 17 altas em 20, e o financeiro, com 25,7% do giro, subiu 1,32% ponderado pelo volume; cinco dos sete blocos subiram. A mineração caiu 3,27% na média, com dez quedas em dez, depois de a CSN Mineração cortar a projeção de produção de minério de 2026. A maior alta entre as 85 foi de 10,50%, na Azzas, sem fato da companhia, e a maior queda, de 9,85%, na CSN.
Lá fora, Nova York caiu levemente nas três bolsas, com o S&P 500 em queda de 0,17%, pressionado pelo juro dos títulos do Tesouro americano, que no de 30 anos chegou a 5,612% à tarde. A Europa fechou em queda, com o Stoxx 600 a 638,08 pontos. O Brent de novembro ajustou em queda de 2,56%, a um dia do vencimento, com a retomada dos embarques sauditas no Mar Vermelho.
O que moveu o dia
- Corte de projeção na CSN Mineração. A controlada da CSN cortou a projeção de produção de 2026 de 45 a 47 milhões de toneladas para 39 a 41 milhões e subiu a de custo; a CSN caiu 9,85% e a mineração teve dez quedas em dez.
- Juro futuro em queda à tarde. O contrato de janeiro de 2029 fechou a 13,755%, 14,7 pontos-base abaixo do ajuste de segunda, segundo o Estadão, com o recuo dos títulos americanos durante a tarde.
- Emprego formal acima do esperado. O Caged mostrou 165.827 postos formais criados em agosto, contra a projeção de 93.486 da pesquisa Projeções Broadcast, e mesmo assim o juro futuro caiu.
- Barril na véspera do vencimento. O Brent de novembro ajustou a US$ 102,59, queda de 2,56%, e o WTI a US$ 89,38, queda de 3,48%, segundo a Reuters. Segundo a Money Times, com base em dados da Kpler, 12,5 milhões de barris foram embarcados em Yanbu de sábado a segunda.
- Proteção mais cara na CSN. A implícita mensal subiu em 13 dos 19 papéis com leitura no Radar de Risco; a da CSN subiu 11,06 pontos, e Ambev e Axia subiram de alto para extremo.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
Entre as vinte ações de maior giro, dezoito subiram e duas caíram; a coluna de baixo é completada pelas três menores altas, e a mais negociada, a Vale, foi a maior queda do grupo.
BESST
No bloco de bancos, elétricas, saneamento, seguros e telecomunicações, 23 das 29 ações subiram, e nenhuma das cinco quedas chegou a meio ponto percentual.
Radar de Risco do dia
Grades lidas entre 16h46 e 16h54 de 29/09/2026, antes do leilão; a da Cemig não veio na captura. A implícita mensal subiu em 13 dos 19 papéis com leitura; são nove em extremo, contando o BOVA11. Faixas até o vencimento semanal de 02/10.
Na B3 existe um mercado onde se compra e se vende proteção contra a oscilação das ações: as opções. Quando o mercado espera que a ação balance mais, essa proteção sobe de preço.
Do preço dessa proteção sai a faixa da semana: o intervalo, em reais, onde a ação termina a semana na maioria dos cenários. Pela teoria, cerca de 2 em cada 3 semanas terminam dentro dela.
Compara o preço da proteção com o quanto a própria ação balançou nos últimos meses: abaixo do padrão, no padrão, acima ou muito acima. É isso que a cor de cada cartão mostra.
Nada aqui diz se a ação vai subir ou cair. O Radar mede o tamanho do movimento que o mercado está pagando para se proteger. Quer ver de onde sai cada número? Leia o guia, sem fórmula ↗Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Pelo preço da proteção, o mercado trabalha com o BOVA11 terminando a semana, na sexta, 02/10, entre R$ 176,94 e R$ 185,16: até 2,3% para cima ou para baixo. Terminar dentro quer dizer que a semana foi do tamanho que o mercado esperava; terminar fora quer dizer que aconteceu algo maior do que a proteção cobria.
Risco extremo: proteção muito acima do padrão da própria ação. A proteção do índice embute uma oscilação 110% maior do que a que o índice teve nos últimos meses. Não é aviso de queda: mede que o mercado está pagando por mais movimento do que vinha acontecendo.
Das 20 ações do quadro, 8 estão com a proteção muito acima do padrão (risco extremo), 5 acima do padrão (risco alto), 5 no padrão (risco normal) e 2 ficaram sem leitura. A faixa mais larga até sexta, 02/10, tem até 9,2% para cada lado e é a de MGLU3 (Magazine Luiza); a mais estreita tem até 2,3% e é a de SUZB3 (Suzano).
- A cor e o selo mostram o nível: quanto a proteção está acima ou abaixo do padrão da própria ação. Não serve para comparar uma ação com a outra.
- O preço é o do fechamento de 29/09.
- A barra mostra o tamanho do movimento esperado até sexta, 02/10: quanto mais cheia, maior, comparada com as outras ações do quadro.
- Embaixo vêm a faixa em reais e, em amarelo, a data da empresa que cai dentro da semana, quando existe: balanço, pagamento ou último dia para ter direito a um provento.
Ver as outras 12 ações do quadro
Para quem já acompanha opções. Se você chegou agora, o quadro acima já basta.
Num pregão em que o índice subiu 0,46% com 57 altas, 27 quedas e uma estável entre as 85 ações, o preço de oscilação da mensal de outubro subiu em treze dos dezenove papéis com leitura e caiu em seis, com mediana de alta de 1,09 ponto. Fora a Hapvida, que segue sem nível, e a Cemig, sem grade nesta data, a maior alta foi na CSN (CSNA3), de 11,06 pontos, no dia em que a controlada cortou a projeção de produção, seguida pela Gerdau (GGBR4), de 2,42. As maiores quedas foram na Suzano (SUZB3), de 3,11 pontos, e na Usiminas (USIM5), de 1,89. Dois papéis subiram de alto para extremo, a Ambev (ABEV3), com razão de 1,65, e a Axia (AXIA3), com 1,70. Contando o fundo que replica o índice, são nove em extremo, e cinco deles são do setor financeiro. A Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) seguem em alto, com razão de 1,51 e 1,26. A faixa mais larga é a da Magazine Luiza (MGLU3), com 9,2% para cada lado, e a mais estreita é a do fundo que replica o índice (BOVA11), com 2,3%, em extremo, com razão de 2,10, e faixa até 02/10 de R$ 176,94 a R$ 185,16. Leitura do Radar, sem chamada de direção: o preço de proteção da CSN subiu mais de onze pontos no mesmo dia da queda, e isso mede quanto o mercado espera que a ação oscile daqui para a frente, e não para que lado.
Glossário rápido dos termos técnicos
- Preço de oscilação, ou volatilidade implícita
- A oscilação que o preço das opções embute, em porcentagem ao ano. É dela que sai a faixa.
- Oscilação entregue, ou volatilidade histórica
- Quanto a ação de fato balançou nos últimos meses, na mesma escala de porcentagem ao ano.
- Razão
- O preço de oscilação da série mensal dividido pela oscilação entregue. Acima de 1, a proteção embute mais movimento do que o recente; é o número que decide o nível.
- Série semanal e série mensal
- Os vencimentos das opções. A faixa sai da série que vence no fim da semana; o nível sai da mensal, que vence na terceira sexta-feira do mês.
- Ponto
- A unidade da variação do preço de oscilação: de 30% para 28% é uma queda de 2 pontos.
- Degrau
- Quando a proteção da semana custa mais de 1,5 vez a do mês, o nível sobe uma casa, sinal de data marcada.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
alta de 0,46% no dia, interrompendo quatro quedas
queda de 0,37% na coleta logo depois do leilão das ações
contrato de novembro, queda de 2,56% no ajuste, a um dia do vencimento
fechamento, 14,7 pontos-base abaixo do ajuste de segunda
altas contra quedas nas 85 ações
O que fica no radar
- Quarta, 30/09: estatísticas fiscais do Banco Central, último pregão do contrato de novembro do Brent na ICE, última Ptax de setembro e data-com do juro mensal do Itaú, do juro sobre capital da Multiplan e do dividendo mensal da JHSF.
- Quinta, 01/10: a China fecha até 08/10 pela Semana Dourada, e é a data-com do juro mensal do Bradesco, na preferencial e na ordinária.
- Sexta, 02/10: relatório de emprego dos Estados Unidos, às 09h30, produção industrial do IBGE e vencimento da semanal que baliza as faixas do Radar de Risco.
- Domingo, 04/10: primeiro turno da eleição.
- Quinta, 08/10: primeira data-com das três parcelas do juro sobre capital da ISA Energia aprovado em 29/09.
