Fechamento · 04/09/2026

Payroll cria 162 mil vagas contra 53 mil esperadas e Nova York cai

A folha de pagamento americana de agosto criou 162 mil vagas, quase três vezes o consenso de 53 mil, com desemprego em 4,1% e julho revisado de perda líquida de 23 mil postos para criação de 21 mil. Nova York caiu nos três índices, o juro de dois anos foi à máxima desde janeiro de 2025 e a aposta de alta na reunião deste mês saiu de meio a meio para cerca de 58%. Aqui o dólar comercial subiu 0,50%, a R$ 5,13, e o Ibovespa fechou aos 185.147,15 pontos, queda de 0,02%, com a semana em 5,40%, a segunda melhor de 2026.

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Como foi o pregão

A folha de pagamento americana de agosto criou 162 mil vagas, contra consenso de 53 mil da compilação da Dow Jones, quase três vezes o esperado, e a taxa de desemprego ficou em 4,1%, como projetado. O dado de julho, que vinha sendo publicado como perda líquida de 23 mil postos, foi revisado para criação de 21 mil, uma diferença de 44 mil postos no mesmo mês. Nova York caiu nos três índices: o amplo recuou 0,38%, aos 7.718,60 pontos, o de tecnologia cedeu 0,29%, aos 26.506,99, e o industrial perdeu 0,51%, aos 53.414,25. O rendimento do título de dez anos subiu acima de 4,78%, o de dois anos foi à máxima desde janeiro de 2025 e a probabilidade de alta de 0,25 ponto na reunião deste mês passou de meio a meio para cerca de 58%.

Aqui o dólar comercial subiu cerca de 0,50%, a R$ 5,13, com força imediatamente depois do dado, mas a bolsa não seguiu Nova York pelo segundo pregão seguido. O Ibovespa fechou aos 185.147,15 pontos, queda de 0,02%, e oscilou entre 183.251,93 e 186.544,81, ou 3.292,88 pontos entre as pontas. O giro foi de R$ 17,70 bilhões, 32,4% menor que os R$ 26,20 bilhões da véspera, e o placar do dia ficou em 41 altas, 43 quedas e uma estável entre as 85 ações acompanhadas. Na semana o índice subiu 5,40%, a segunda melhor de 2026, atrás apenas dos 8,53% da semana encerrada em 23/01, e setembro acumula 4,36% em quatro pregões. A explicação com número para a bolsa daqui ignorar o juro de lá é o fluxo: entrada líquida de R$ 2,2 bilhões de capital estrangeiro só nos dois primeiros pregões do mês, conforme os dados citados pela Reuters.

O fato de comércio exterior do dia passou quase batido. A União Europeia suspendeu as autorizações de entrada de produtos de origem animal do Brasil, com vigência desde 03/09, atingindo carne bovina, frango, pescado, ovos e mel, e alegando controle insuficiente do uso de antimicrobianos na produção animal. Pela apuração da Reuters, a medida alcança cerca de US$ 1,84 bilhão em exportações anuais; entre janeiro e julho de 2026 o Brasil exportou aproximadamente US$ 560 milhões em carne bovina e US$ 680 milhões em carne de frango para o bloco, que responde por cerca de 4,6% do volume exportado de carne bovina e compra cortes de maior valor agregado. Não há prazo de encerramento declarado, e o governo brasileiro contesta a decisão.

Nas commodities, o Brent para novembro fechou a US$ 96,28, alta de 0,8% no dia e de 9,3% na semana, a maior alta semanal desde meados de julho, e o petróleo americano subiu 0,2% no dia e 9,7% na semana, a US$ 91,48. Mesmo assim as três produtoras do quadro caíram: a Brava perdeu 4,18% e foi a maior queda do pregão, a Prio recuou 2,13% e a Petrobras cedeu 0,95%, esta a ação mais negociada do dia, com R$ 1,36 bilhão girados. Do outro lado, os futuros de minério de ferro em Dalian subiram 1,04% e a Vale avançou 0,22%, a R$ 78,62, com R$ 1,09 bilhão girados. Os dois maiores pesos da carteira andaram separados, e é por isso que o índice fechou parado com mais quedas do que altas.

Nota de método desta edição: os prints do pregão e o PDF das grades de opções chegaram em 05/09. Os números do pregão são de 04/09 e foram apurados às 18h30 de 04/09/2026; as grades de opções foram lidas às 10h11 de 05/09/2026, com a bolsa fechada, e por isso cinco dos vinte e um papéis do quadro de risco saem sem leitura hoje.

O que moveu o dia

As três camadas do dia

20 mais líquidos

As quedas do bloco líquido são petróleo e a companhia que teve data de corte hoje; as altas são distribuição de combustível, infraestrutura, holding de banco e indústria. Foi essa divisão que deixou o índice parado num dia de Nova York em queda.

MAIORES ALTAS
UGPA3+2,66%
MOTV3+1,94%
ITSA4+1,53%
EMBJ3+1,12%
SBSP3+1,07%
MAIORES BAIXAS
PRIO3-2,13%
PETR3-1,08%
PETR4-0,95%
AXIA3-0,84%
WEGE3-0,61%

BESST

O bloco defensivo teve a maior alta do pregão inteiro, com o IRB no segundo dia de reação à CSLL menor, e as quedas ficaram concentradas em saneamento e energia, sem fato novo identificado nas companhias até esta edição.

MAIORES ALTAS
IRBR3+4,64%
AURE3+3,18%
ITSA4+1,53%
BBSE3+1,13%
SBSP3+1,07%
MAIORES BAIXAS
LIGT3-1,92%
CSMG3-1,71%
SAPR11-1,58%
AXIA3-0,84%
EGIE3-0,72%

Mercado geral

Quatro das cinco maiores altas têm documento com data por trás: o projeto da CSLL das resseguradoras e a medida provisória das compras internacionais, os dois aprovados em 03/09 e ainda dependentes de sanção presidencial, e o embargo europeu, em vigor desde 03/09.

MAIORES ALTAS
IRBR3+4,64%
BEEF3+4,22%
MGLU3+4,14%
AZZA3+3,57%
VAMO3+3,55%
MAIORES BAIXAS
BRAV3-4,18%
NATU3-3,80%
MBRF3-3,70%
BRKM5-2,83%
RECV3-2,45%

Radar de Risco do dia

Retrato datado de 04/09/2026. As grades de opções desta edição foram lidas às 10h11 de 05/09/2026, com a bolsa fechada, porque o material chegou com atraso; cinco dos vinte e um papéis voltaram com a coluna de volatilidade zerada em todos os vencimentos e saem como sem leitura hoje, porque sem livro de compra e venda não existe preço para derivar a implícita. Faixa estimada não é faixa medida. Medição, não recomendação.

Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.

BOVA11o Ibovespa inteiro em uma cotarisco normal
R$ 177,42hoje R$ 181,94R$ 186,46

A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 11/09/2026: uma oscilação de até 2,5% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.

O papel do dia · BOVA11

O papel do dia é o fundo que replica o índice, e o motivo é o placar da série que venceu em 04/09. Medido pelo FECHAMENTO na data de vencimento, que é a regra escrita desde o primeiro dia, o resultado foi de VINTE E UM DENTRO DE VINTE E UM. E é justamente por ser um número assim que ele não pode ser publicado sozinho. A faixa que produziu esse 21 de 21 foi a de 03/09, que cobria UM único pregão e por isso era estreita e colada no preço. A mesma série medida pela régua CHEIA, a faixa publicada em 28/08, quando ela nasceu com o prazo inteiro pela frente, acertou 5 de 21. As duas taxas são verdadeiras e descrevem coisas diferentes: a primeira mede um dia, a segunda mede a semana que o leitor de fato atravessou. Publicar só a de 100% seria mentir com números certos. O detalhe que fecha a leitura é a direção do erro: dos 16 que furaram a faixa cheia, os 16 furaram para CIMA, nenhum para baixo. O índice andou 11,34% em onze pregões e o preço da proteção, na segunda-feira em que a série nasceu, não pagava metade disso. Isso tem nome e é medição, não opinião: o movimento realizado saiu muito acima do movimento precificado. Para quem compra proteção, foi seguro que cobriu pouco; para quem vende, foi prêmio recebido abaixo do que o mercado entregou. E há uma medida de precisão que também vale registrar: em 04/09, dia em que a folha de pagamento americana veio ao triplo do consenso, o fundo do índice marcou máxima de R$ 183,63 e mínima de R$ 180,29, sem sequer TOCAR as bordas de R$ 179,64 e R$ 184,86 publicadas na véspera.

PETR4risco normal
Petrobras · petróleo, câmbio e política de preçoshoje R$ 47,11
o mercado paga por até 3,7% na semanafaixa de R$ 45,36 a R$ 48,86
VALE3risco normal
Vale · minério de ferro e demanda chinesahoje R$ 78,62
o mercado paga por até 3,5% na semanafaixa de R$ 75,87 a R$ 81,37
ITUB4risco normal
Itaú Unibanco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 41,92
o mercado paga por até 3,3% na semanafaixa de R$ 40,52 a R$ 43,32
BBDC4risco alto
Bradesco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 17,90
o mercado paga por até 3,0% na semanafaixa de R$ 17,36 a R$ 18,44
BBAS3risco normal
Banco do Brasil · crédito rural, provisão e políticahoje R$ 22,52
o mercado paga por até 4,4% na semanafaixa de R$ 21,52 a R$ 23,52
ABEV3risco normal
Ambev · consumo, custo de insumo e câmbiohoje R$ 15,74
o mercado paga por até 2,5% na semanafaixa de R$ 15,35 a R$ 16,13
MGLU3risco normal
Magazine Luiza · varejo alavancado, sensível a jurohoje R$ 5,79
o mercado paga por até 8,0% na semanafaixa de R$ 5,33 a R$ 6,25
PRIO3risco normal
PRIO · produção de petróleo e Brenthoje R$ 60,19
o mercado paga por até 4,7% na semanafaixa de R$ 57,35 a R$ 63,03
B3SA3sem leitura hoje
B3 · volume negociado e apetite por riscohoje R$ 17,37Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
BPAC11risco normal
BTG Pactual · banco de investimento e mercado de capitaishoje R$ 59,24
o mercado paga por até 4,0% na semanafaixa de R$ 56,86 a R$ 61,62
WEGE3risco normal
WEG · indústria global e câmbiohoje R$ 51,74
o mercado paga por até 3,0% na semanafaixa de R$ 50,18 a R$ 53,30
SUZB3risco normal
Suzano · celulose em dólar e custo de caixahoje R$ 46,89
o mercado paga por até 2,8% na semanafaixa de R$ 45,59 a R$ 48,19
RENT3risco normal
Localiza · juro, preço de carro usado e frotahoje R$ 36,64
o mercado paga por até 3,4% na semanafaixa de R$ 35,38 a R$ 37,90
LREN3sem leitura hoje
Lojas Renner · varejo de vestuário e rendahoje R$ 11,35Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
GGBR4sem leitura hoje
Gerdau · aço, importação chinesa e construçãohoje R$ 25,34Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
CSNA3risco normal
CSN · aço, minério e alavancagemhoje R$ 6,36
o mercado paga por até 7,1% na semanafaixa de R$ 5,91 a R$ 6,81
HAPV3sem leitura hoje
Hapvida · sinistralidade, judicialização e reajustehoje R$ 7,26Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
CMIG4risco normal
Cemig · tarifa, regulação e distribuiçãohoje R$ 11,26
o mercado paga por até 2,8% na semanafaixa de R$ 10,95 a R$ 11,57
AXIA3risco normal
Axia Energia · geração, transmissão e regulaçãohoje R$ 55,28
o mercado paga por até 3,6% na semanafaixa de R$ 53,31 a R$ 57,25
USIM5sem leitura hoje
Usiminas · aço plano, indústria e importaçãohoje R$ 7,63Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
A régua, do mais calmo ao mais tenso
risco baixoo seguro está mais barato que a agitação normal do papel; o mercado não vê nada marcado pela frente
risco normalo seguro custa o de sempre para aquele papel; semana sem evento na conta
risco altoo seguro subiu acima do padrão do papel; alguém está pagando para se proteger de alguma coisa
risco extremoseguro muito acima do padrão, quase sempre com data marcada no calendário, como um balanço
Como usar em 3 passos
1
Comece pelo nível

Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.

2
Depois olhe a faixa

É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.

3
Por fim, a tag de evento

Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.

Direção ninguém sabe; risco tem preço.

Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.

Os números do fechamento

Ibovespa185.147,15

Queda de 0,02%, com máxima de 186.544,81 e mínima de 183.251,93. Na semana, alta de 5,40%, a segunda melhor de 2026.

Giro financeiroR$ 17,70 bi

Contra R$ 26,20 bilhões na véspera. Placar do dia em 41 altas, 43 quedas e uma estável entre as 85 ações.

Folha de pagamento (EUA)162 mil vagas

Contra consenso de 53 mil da compilação da Dow Jones. Desemprego em 4,1% e julho revisado de menos 23 mil para mais 21 mil.

Dólar comercialR$ 5,13

Alta de cerca de 0,50%, com força imediatamente depois do dado americano.

S&P 5007.718,60

Queda de 0,38%. O de tecnologia cedeu 0,29%, aos 26.506,99, e o industrial perdeu 0,51%, aos 53.414,25.

Brent (novembro)US$ 96,28

Alta de 0,8% no dia e de 9,3% na semana, a maior alta semanal desde meados de julho.

Fluxo estrangeiro em setembro+R$ 2,2 bi

Entrada líquida só nos dois primeiros pregões do mês, conforme os dados citados pela Reuters.

Embargo europeuUS$ 1,84 bi/ano

Exportações de produtos de origem animal do Brasil atingidas pela suspensão em vigor desde 03/09.

O que fica no radar