A mesma empresa subiu em Nova York e caiu 13,11% em São Paulo, e a diferença é uma regra de índice
O Ibovespa fechou aos 174.576,80 pontos, alta de 1,55%, com R$ 20,42 bilhões girados e 73 das 85 ações acompanhadas em alta. A maior baixa do dia foi a petroquímica, a R$ 4,11, queda de 13,11%, com 27.687.300 papéis negociados. O recibo da mesma empresa em Nova York subia mais de 4% no pré-mercado desta terça. A B3 excluiu as ações de dezoito carteiras de índice a partir de hoje.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O Ibovespa fechou o pregão desta terça, 25/08, aos 174.576,80 pontos, alta de 1,55%, com R$ 20,42 bilhões negociados, 1.411.791 negócios e 944.905.400 papéis. Foram 73 altas, 12 quedas e nenhuma estável entre as 85 ações acompanhadas, e 52 renderam mais que o índice. Na segunda o placar tinha sido de 54 altas contra 29 quedas, com R$ 18,76 bilhões girados. O BOVA11 fechou a R$ 171,88, alta de 1,70%, e o dólar à vista a R$ 5,146900, queda de 0,18%.
A alta de hoje teve quase o dobro da largura da alta de ontem. Ontem o índice subiu 0,51% com quase um terço das ações caindo, o que significava que duas ou três empresas grandes carregaram o resultado. Hoje subiu quase o triplo com apenas 12 quedas entre 85, e com giro maior. Quando o número de papéis em alta cresce junto com o giro, o dinheiro está entrando na bolsa inteira.
A maior baixa do dia não tem relação com o humor do mercado. A petroquímica fechou a R$ 4,11, queda de 13,11%, com 27.687.300 papéis negociados, porque a B3 comunicou em 24/08 que as duas classes da companhia saem de dezoito carteiras teóricas a partir desta terça, entre elas o Ibovespa, o IBrX, o IBrX-50 e o índice de menor capitalização, por causa da classificação em recuperação extrajudicial. A exclusão se dá pelo preço de fechamento do pregão regular, e o peso é redistribuído proporcionalmente entre os demais papéis de cada carteira.
Fora, o petróleo caiu pelo quarto pregão seguido e fechou no menor nível desde meados de agosto: o Brent a US$ 85,88, queda de 5,15%, e o americano a US$ 81,11, queda de 4,59%. Na sexta o Brent valia perto de US$ 94. Foi essa queda que empurrou para cima os papéis que dependem de juro, e ela explica por que o varejo alavancado subiu 9,13%, a construtora de baixa renda 7,49% e a locadora de veículos 5,79% no mesmo pregão em que a estatal do petróleo caiu 1,80%.
O que moveu o dia
- A regra de índice, e não o plano com os credores. A B3 tirou as ações da petroquímica de dezoito carteiras a partir de hoje. Fundo que replica índice não escolhe papel: ele executa a lista na data marcada, com ordem grande e concentrada. Por isso o volume apareceu todo num dia.
- O petróleo em quarto pregão seguido de queda. Brent a US$ 85,88, queda de 5,15%, com casas de análise apontando o mesmo motivo desde segunda: o mercado tratou as sanções contra o Irã como marginais para o fluxo físico, porque elas miram quem compra e quem financia, e não o poço.
- A negociação do porto australiano de minério, que terminou sem acordo. Os sindicatos rejeitaram a proposta de 16% ao longo de quatro anos e apresentaram uma contraproposta. O porto embarca cerca de US$ 80 milhões em minério por dia, e a maior mineradora daqui subiu 2,04%.
- O juro americano cedendo na curva inteira. O título de dez anos fechou em 4,64%, o de trinta em 5,17% e o de dois anos em 4,17%. O fundo negociado em Nova York que replica a bolsa brasileira subiu 2,02%, seis vezes mais que o índice amplo americano.
- O corte de dividendo da distribuidora de combustíveis. Primeiro pregão sem o direito a R$ 1,00 por ação. A conferência mecânica dos 85 fechamentos desta casa apontou a companhia como o único desvio acima de 0,6% do dia, e o ajuste medido foi de R$ 1,00 exato.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
As quatro maiores quedas entre as vinte ações mais negociadas são petróleo e exportação. As maiores altas são locação, banco e saneamento, que dependem de juro.
BESST
Nenhum papel do bloco de bancos, energia, seguros, saneamento e telecomunicações caiu hoje. A coluna da direita traz as cinco menores altas, e não quedas.
Mercado geral
A maior baixa caiu quase seis vezes mais que a segunda, e o motivo é a saída das carteiras de índice da B3 nesta data, não o pregão. As altas são varejo, construção e combustível.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 25/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30. A faixa sai da série que vence em 28/08 e restam três pregões de prazo, então ela é mais estreita que a de ontem por tempo e não por menos movimento precificado. Leitura informativa, sem recomendação.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 28/08/2026: uma oscilação de até 2,1% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
Ontem esta casa publicou que proteger a Vale até sexta estava saindo mais caro que proteger a mesma ação até 18 de setembro, e apontou o discurso em Jackson Hole como explicação. O número de hoje corrige parte daquela leitura. O preço da proteção da semana curta caiu de 34,04% para 27,24%, e o do mês vigente está em 27,48%, ou seja, a semana ficou até um pouco mais barata que o mês. O valor a mais que estava embutido na semana saiu em um único pregão. O que aconteceu entre uma medição e outra foi justamente o evento que estava marcado para hoje: a mineradora australiana e o sindicato do porto que embarca cerca de US$ 80 milhões de minério por dia voltaram à mesa. Não saiu acordo, o sindicato devolveu uma contraproposta, mas também não saiu greve nova, e o preço da proteção pagou por essa passagem. A faixa desta semana vai de R$ 76,37 a R$ 81,03, ou seja, R$ 2,33 para cima ou para baixo do fechamento de hoje, que foi R$ 78,70. O que fazer com isso: se a ação terminar a sexta dentro dessa faixa, nada do que acontecer até lá foi novidade pela qual alguém pagou. Se terminar fora, apareceu informação que o preço de hoje não tinha. A faixa diz quanto o preço pode andar e nunca diz para que lado.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
alta de 1,55%, com R$ 20,42 bilhões girados, 1.411.791 negócios e 944.905.400 papéis.
altas contra quedas entre as 85 ações acompanhadas, e nenhuma estável. 52 renderam mais que o índice.
alta de 1,70%, com R$ 1,23 bilhão girado.
queda de 0,18%, com o euro a R$ 6,010290, em queda de 0,10%.
queda de 5,15%, quarto pregão seguido de baixa, com o americano a US$ 81,11.
queda de 13,11%, a maior baixa do dia, com 27.687.300 papéis negociados.
com o de trinta anos em 5,17% e o de dois anos em 4,17%.
O que fica no radar
- Amanhã, 26/08. Índice de inflação de meio de mês aqui às 9h, índice de preços americano e balanço da Nvidia depois do fechamento em Nova York, com receita projetada pela própria companhia em cerca de US$ 91 bilhões.
- Sexta, 28/08. Discurso do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole por volta das 11h, vencimento das opções que formam as faixas do Radar de Risco desta página e o prazo dado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos para sancionar uma grande instituição financeira.
- A partir de amanhã, a fabricante de ônibus negocia sem o direito. A data-com de R$ 0,13 por ação encerrou hoje e o pagamento sai a partir de 09/09. Some R$ 0,13 antes de comparar a tela de amanhã com a de hoje.
- A petroquímica tem duas datas, e não uma. São 90 dias para elevar a adesão dos credores acima dos 39,6% atuais, e uma cláusula que permite aos signatários com mais de 66% dos créditos encerrar o plano depois de 45 dias do protocolo.
- A negociação do porto australiano continua sem acordo e sem nova data. Enquanto isso não fecha, o risco de interrupção continua sustentando o preço do minério na China, onde a demanda segue fraca.
