Ibovespa sobe 1,20% e fecha a 187.366,84 pontos com pesquisas eleitorais, e a ponta longa da curva de juro cede 21 pontos-base contra 7 na ponta curta
O primeiro pregão depois do feriado foi de reprecificação eleitoral: duas pesquisas apertaram o segundo turno, as taxas de juro futuro caíram pelo quinto dia seguido e o corte foi três vezes maior no vencimento de 2035 do que no de 2028. Lá fora, o barril renovou máxima de várias semanas com ataque a quatro cidades sauditas, e Nova York fechou em queda.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O Ibovespa fechou em 187.366,84 pontos, alta de 1,20%, com máxima de 189.487,70 e mínima de 185.207,66. Entre as 85 ações acompanhadas, 69 subiram, 15 caíram e uma ficou estável, a Rumo, que fechou sem variação. O giro dos papéis do índice somou R$ 21,24 bilhões, contra R$ 17,70 bilhões em 04/09. O fundo que replica o índice fechou a R$ 184,79, alta de 1,57%.
O motor do pregão foi a cena eleitoral. A pesquisa Quaest divulgada em 07/09 trouxe Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 41% das intenções de voto no segundo turno, contra 42% e 41% no levantamento anterior, e a BTG/Nexus divulgada nesta terça trouxe 46% para Flávio e 45% para Lula, contra 45% e 46% antes. A margem de erro é de 2 pontos percentuais nas duas, então as duas descrevem empate técnico.
As taxas de juro futuro caíram pelo quinto pregão seguido, e a queda não foi parelha: o contrato para janeiro de 2028 cedeu 7 pontos-base, para 13,515%, e o de janeiro de 2035 cedeu 21 pontos-base, para 14,02%. O dólar à vista fechou a R$ 5,0892, queda de 0,79%. Os dados da bolsa mostram entrada líquida de capital externo de R$ 3,9 bilhões nos três primeiros pregões de setembro, depois de um agosto de saída líquida.
No exterior, milícias houthis apoiadas pelo Irã lançaram ataque em larga escala contra a infraestrutura energética da Arábia Saudita, atingindo instalações em Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran, com mais de 70 civis feridos e incêndios reconhecidos pelo ministério de energia do reino. O Brent para novembro fechou o horário do pregão brasileiro a US$ 97,92, alta de 0,95%, e marcava US$ 99,39 às 18h59, alta de 2,46%. Nova York fechou em queda, com o industrial perdendo 1,17%, aos 52.787,53 pontos.
O que moveu o dia
- A curva caiu desigual. O vencimento de janeiro de 2035 cedeu 21 pontos-base e o de janeiro de 2028 cedeu 7. O trecho curto é o que responde à reunião de política monetária, marcada para 15 e 16 de setembro, e nada nela mudou hoje. O trecho longo carrega prêmio de risco fiscal e de prazo.
- O estrangeiro voltou. Entrada líquida de R$ 3,9 bilhões nos três primeiros pregões de setembro, conforme dados da bolsa, depois de agosto ter fechado com saída líquida.
- O barril renovou máxima. Ataque houthi a quatro cidades sauditas, incluindo a refinaria de Jizan, de cerca de 400 mil barris por dia. A reserva estratégica americana está abaixo de 290 milhões de barris, o menor nível desde 1982.
- A nova carteira do índice entrou em vigor. Com a entrada da Tenda e a saída da PetroRecôncavo e da SLC Agrícola. As duas que saíram fecharam em alta, de 0,81% e 2,68%.
- O Supremo afastou dois diretores da Polícia Federal. O ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral e do diretor de inteligência da corporação, alegando ter sido alvo, junto do advogado-geral da União, de monitoramento ilícito por meio de relatórios de inteligência.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
A ponta de baixo do bloco líquido tem uma única queda, e as outras linhas são altas fracionárias, o que mostra o quanto o pregão foi de alta larga. Três das cinco maiores altas do bloco são petroleiras.
BESST
As duas maiores altas do bloco defensivo são companhias de controle estadual, uma elétrica e uma de saneamento, no pregão em que as pesquisas moveram a curva de juro. As quedas ficaram em seguros.
Mercado geral
Quatro das cinco maiores altas são de setores que descontam fluxo de caixa longo, e a curva longa caiu 21 pontos-base hoje. A maior queda veio de correção depois de cinco altas somando 20,7%.
Radar de Risco do dia
Quadro lido entre 16h28 e 16h36 de 08/09/2026, com o mercado aberto e livro vivo nas vinte grades capturadas. A Hapvida é a única sem leitura hoje, porque a grade dela não veio no arquivo da coleta.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 11/09/2026: uma oscilação de até 2,5% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O papel do dia é a elétrica mineira, e o motivo é o único número que se descolou do quadro inteiro. A volatilidade implícita da série mensal da CMIG4 saiu de 24,74% em 04/09 para 34,63% nesta captura, quase dez pontos percentuais em um único pregão. Nenhum dos outros dezenove papéis com leitura andou mais de quatro pontos no mesmo intervalo, e o segundo maior deslocamento foi para baixo, com a MGLU3 recuando 3,53 ponto. A razão do papel passou de 1,11 para 1,42 e o nível saiu de normal para alto. O detalhe que muda a leitura é quando isso aconteceu: num pregão em que a ação SUBIU 3,91%, a terceira maior alta entre as oitenta e cinco acompanhadas. Proteção que encarece com o papel subindo não está descrevendo medo de queda, está descrevendo expectativa de movimento, e o mercado passou a pagar mais para atravessar as próximas semanas nesse nome específico. A faixa da semana ficou entre R$ 11,13 e R$ 12,27, ou 4,9% para cada lado até 11/09, contra 2,8% na leitura de 04/09: quase o dobro de amplitude precificada para um prazo mais curto. Isso é medição do preço do seguro e não chamada de direção; a leitura de gráfico continua sendo de quem opera.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Máxima de 189.487,70 e mínima de 185.207,66, com giro de R$ 21,24 bilhões nos papéis do índice, contra R$ 17,70 bilhões em 04/09.
O fundo que replica o índice girou R$ 659,16 milhões e entrou em nível alto no quadro de risco, com razão de 1,21.
Quinta queda seguida das taxas; o vencimento de janeiro de 2028 cedeu 7 pontos-base, para 13,515%.
O contrato futuro marcou 5.114 pontos, queda de 0,81%.
Leitura das 18h59; no encerramento do horário do pregão brasileiro estava a US$ 97,92, alta de 0,95%.
Leitura das 18h56; em Dalian o contrato mais negociado subiu 1,36% no pregão diurno.
O amplo cedeu 0,58%, aos 7.673,65, e o de tecnologia recuou 0,32%, aos 26.421,41.
Entrada líquida nos três primeiros pregões de setembro, conforme dados da bolsa.
O que fica no radar
- A série de opções vence em 11/09. Restam três pregões de prazo. A faixa publicada para o fundo do índice vai de R$ 180,23 a R$ 189,35, ou 2,5% para cada lado. Vinte dos vinte e um papéis do quadro têm leitura nesta captura.
- O IPCA de agosto sai em 11/09. No mesmo dia do vencimento das opções. É o último dado de inflação cheia antes da reunião do comitê de política monetária, em 15 e 16 de setembro, com a Selic em 14,00%.
- A Motiva ficou EX hoje. Juro sobre capital de R$ 0,72331534623 por ação bruto, num total de R$ 1,45 bilhão, com data-com em 04/09 e pagamento em 17/09. Quem comprar a partir de hoje não recebe esta rodada.
- A semana concentra pagamentos. JHSF e Marcopolo em 09/09, Gerdau e Banco do Brasil em 11/09, a holding que controla a siderúrgica em 14/09 e a Motiva em 17/09. Todas com data-com encerrada.
- A janela de conversão da elétrica abre em 10/09. A manifestação pela conversão das preferenciais classe C em ordinárias vai de 10 a 14/09, com liquidação prevista para 16/09 e pagamento do resgate em 22/09, a R$ 55,56 por ação.
