A bolsa subiu no dia do bombardeio, e o PIB bom veio de onde o juro não chega
O Ibovespa fechou aos 179.722,48 pontos, alta de 1,30%, a décima seguida, com 68 das 85 ações em alta. No mesmo pregão o Dow Jones caiu 0,79%, o S&P 500 recuou 0,71%, o Nasdaq perdeu 1,03% e o índice europeu cedeu 0,56%, depois de as forças americanas atacarem alvos da Guarda Revolucionária no Irã e de o Irã responder com drones. O mesmo evento que derrubou Nova York sustentou a bolsa daqui, porque lá o barril entra como inflação e aqui entra como receita.
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O índice fechou aos 179.722,48 pontos, alta de 1,30%, na décima alta seguida, com 68 altas e 17 quedas entre as 85 ações acompanhadas e nenhuma estável. Na máxima chegou aos 181.060,89 pontos, alta de 2,05%, e na mínima marcou queda de 0,07%. O giro foi de R$ 21,62 bilhões, contra R$ 23,15 bilhões na véspera. O BOVA11 fechou a R$ 177,10, alta de 1,33%.
O dólar à vista caiu 0,58%, a R$ 5,1530, no terceiro recuo seguido, e o euro cedeu 0,81%, a R$ 5,9728. O dólar futuro recuou 0,60%, aos 5.187,00 pontos, com R$ 201,49 bilhões girados.
A Petrobras preferencial foi a ação mais negociada da bolsa, com R$ 2,31 bilhões, e subiu 4,11%, a R$ 46,87. A ordinária avançou 4,14%, a R$ 52,37. O bloco de petróleo somou 3,13% de alta média entre os sete papéis acompanhados, e foi ele que sustentou o índice.
O que moveu o dia
- Os Estados Unidos atacaram o Irã às 13h e o Brent fechou a US$ 91,28. As forças americanas atingiram lançadores de foguetes na ilha iraniana de Larak, o Irã respondeu com drones contra alvos nos Emirados Árabes e na Jordânia, e a ameaça americana foi estendida à ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano. O barril subiu 0,87%, no maior patamar desde julho.
- O PIB do segundo trimestre subiu 0,5%, acima da mediana de 0,4% das casas. Ficou bem abaixo dos 0,8% projetados pelo Ministério da Fazenda e menos da metade dos 1,1% do primeiro trimestre. A agropecuária subiu 2,8%, os serviços 0,2% e a indústria 0,1%; o consumo das famílias caiu 0,4%.
- A CSN subiu 7,89% e foi a maior alta do pregão. Segundo apuração da Coluna do Broadcast, do jornal O Estado de S. Paulo, a companhia escolhe nesta semana a quem dará exclusividade na compra do braço de cimentos, com a chinesa Huaxin e o Grupo Votorantim, este junto da italiana Cimentir.
- O juro do título americano de dez anos foi a 4,79%, na quinta alta seguida. É a máxima em dezenove meses, e a chance atribuída a uma alta de juro nos Estados Unidos em setembro chegou a 68%, contra cerca de 36% antes do discurso de Jackson Hole.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
As duas maiores altas entre as mais negociadas são o mesmo papel, ordinária e preferencial, e a PETR4 sozinha girou R$ 2,31 bilhões.
BESST
Bancos lideraram o bloco defensivo, com alta de 1,29% no agregado da tela, enquanto saneamento ficou negativo em 0,07%.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 01/09/2026, com as vinte e uma grades de opções capturadas entre 16h20 e 16h30. A faixa sai da série que vence em 04/09, agora com três pregões de prazo.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 04/09/2026: uma oscilação de até 2,2% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O papel do dia é a PETR4, e o motivo não é a alta de 3,38%. A faixa publicada na sexta ia de R$ 41,84 a R$ 45,26, e a borda de cima estava 3,93% acima do fechamento daquele dia. Nesta segunda o barril subiu 2,7% depois do ataque americano à ilha iraniana de Larak e da resposta do Irã, e a ação fechou a R$ 45,02, ou seja, a 0,53% da borda de cima, com quatro pregões ainda por vencer. A parte interessante está no preço da proteção, e não no preço da ação: o seguro até 04/09 saiu de 27,94% para 30,19%, uma alta de pouco mais de dois pontos, enquanto o da série do mês está em 33,16%. Ou seja, o mercado subiu o preço da ação e quase não subiu o preço de se proteger dela no curtíssimo prazo. Isso descreve um movimento lido como mudança de patamar do barril, e não como começo de um período de sobe e desce. A faixa nova vai de R$ 43,31 a R$ 46,73. Nada disso diz para que lado o preço vai; diz quanto o mercado está cobrando para vê-lo andar.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Alta de 1,30%, a décima seguida, com 68 altas e 17 quedas entre as 85 ações acompanhadas.
Contra R$ 23,15 bilhões na véspera: a décima alta veio com menos dinheiro na mesa que a nona.
O índice chegou a subir 2,05% e devolveu quase metade do ganho até o fechamento.
Queda de 0,58%, no terceiro recuo seguido, com a leitura eleitoral apontada pela mesa.
Alta de 0,87%, no maior patamar desde julho, depois do ataque americano na ilha de Larak.
Quinta sessão seguida de alta, na máxima de dezenove meses; a chance de alta de juro em setembro subiu para 68%.
Acima da mediana de 0,4% das casas e abaixo dos 0,8% do Ministério da Fazenda.
Caiu no trimestre, enquanto a agropecuária subiu 2,8%: o crescimento veio de onde o juro não chega.
Com a escolha de quem terá exclusividade na compra do braço de cimentos no radar.
É também o papel de intervalo mais largo do quadro de risco, com 8,2% para cada lado.
O que fica no radar
- As faixas do quadro de risco vencem em 04/09. Com três pregões de prazo. O quadro foi recalculado hoje com as 21 grades: o índice entre R$ 173,12 e R$ 181,08 no BOVA11, a Petrobras entre R$ 44,96 e R$ 48,78 e o Itaú entre R$ 38,74 e R$ 41,02.
- Amanhã, 02/09, a Vale paga R$ 2,030722 por ação. Conforme o aviso aos acionistas, de data-com encerrada em 11/08. No mesmo pregão, Bradesco e Banco do Brasil abrem descontados das rodadas cuja data-com encerrou hoje.
- O rebalanceamento do Ibovespa entra em vigor em 08/09. Com a saída de PetroReconcavo e SLC Agrícola e a entrada da Tenda. Fundo que replica o índice ajusta a carteira na data, independentemente de preço.
- O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro. Com a Selic em 14,00% e o Focus mantendo 13,75% para o fim do ano. O banco central americano se reúne em 15 e 16, com 68% de chance atribuída a uma alta de juro.
