O dinheiro que entrou hoje comprou o que estava mais barato, e não o que a notícia do dia favorecia
O Ibovespa fechou aos 177.418,78 pontos, alta de 1,00%, a nona alta seguida, com R$ 23,15 bilhões negociados e placar de 61 altas contra 21 quedas entre as 85 ações acompanhadas. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do PIB em julho, o maior nível desde abril de 2021, e ainda assim o dólar à vista caiu 0,14%.
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O Ibovespa fechou aos 177.418,78 pontos, alta de 1,00%, a nona alta seguida, com R$ 23,15 bilhões negociados, 1.335.514 negócios e 999.822.900 papéis. Entre as 85 ações acompanhadas foram 61 altas, 21 quedas e 3 estáveis, e 42 renderam mais que o índice. O BOVA11 fechou a R$ 174,78, alta de 1,19%. O giro subiu 58% em relação aos R$ 14,63 bilhões de sexta e quebrou uma sequência de três pregões de volume caindo.
O mês de agosto terminou com queda de 0,33% no índice, e o ano acumula alta de 10,11%. Desde o fechamento de 18/08, que encerrou onze quedas seguidas, o índice acumula alta de 6,66% em nove pregões. Nas duas sessões anteriores o índice tinha subido com a maioria dos papéis em queda; hoje subiu com 61 dos 85 em alta.
O dólar à vista fechou a R$ 5,185200, queda de 0,14%, e o euro a R$ 6,024504, alta de 0,12%. O contrato futuro de dólar fechou a 5.218,50 pontos, queda de 0,08%, e o futuro de índice a 180.045 pontos, alta de 1,35%.
O que moveu o dia
- A dívida bruta chegou a 82,5% do PIB em julho. São R$ 10,9 trilhões, contra 81,9% em junho e projeção de 82%, o maior nível desde abril de 2021, com alta de 3,9 pontos percentuais no ano. Na composição do mês, os juros nominais apropriados somaram 0,8 ponto e as emissões líquidas 0,2 ponto, enquanto o crescimento do PIB subtraiu 0,5 ponto.
- O superávit primário do setor público consolidado veio em R$ 1,361 bilhão. O mercado projetava R$ 5,6 bilhões. Em 27/08 o Tesouro havia publicado superávit de R$ 10,8 bilhões no mesmo mês, mas para o Governo Central; a diferença de cerca de R$ 9,4 bilhões entre as duas medidas é o resultado de estados, municípios e estatais.
- O Brent fechou a US$ 90,49 por barril, alta de 2,7%. Forças americanas atacaram no domingo duas plataformas de lançamento na ilha iraniana de Larak, dentro do Estreito de Ormuz, e a Guarda Revolucionária respondeu contra bases americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Os oito papéis do bloco de petróleo e combustíveis fecharam em alta, com média de 3,06%.
- O estrangeiro voltou a comprar bolsa brasileira. Segundo o Bank of America, entraram R$ 3,2 bilhões na semana passada, revertendo parte dos cerca de R$ 22 bilhões retirados em agosto; no ano o saldo segue positivo em R$ 16 bilhões. A bolsa brasileira negocia com desconto de 23% sobre a própria média histórica de preço sobre lucro projetado.
- O Focus baixou o PIB e a inflação de 2026 e manteve a Selic. A projeção do PIB do ano caiu de 1,95% para 1,92% e a do IPCA de 5,02% para 5,01%, com a Selic do fim do ano mantida em 13,75% e o dólar em R$ 5,20. A Selic segue em 14,00% e o Copom se reúne em 15 e 16 de setembro.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
As cinco maiores altas entre as vinte mais negociadas são todas de petróleo e combustível. As quedas são avião, celulose, bebida e minério, e nenhuma delas ganha com barril caro.
BESST
Telecomunicações subiu 1,25% e foi o melhor bloco; bancos somaram 0,87%, energia elétrica 0,80%, seguros 0,77% e saneamento 0,67%.
Mercado geral
Quatro das cinco maiores altas são construção, incorporação e laboratório, que são os papéis que mais tinham caído no mês. A JHSF3 subiu no primeiro pregão sem o direito ao dividendo mensal.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 31/08/2026, com as vinte e uma grades capturadas entre 16h26 e 16h33. A série que forma a faixa é a que vence em 04/09, agora com quatro pregões de prazo, e por isso as faixas ficaram mais estreitas que as de sexta. Vinte papéis em nível normal e um em baixo. Informativo, sem chamada de preço.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 04/09/2026: uma oscilação de até 2,4% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O papel do dia é a PETR4, e o motivo não é a alta de 3,38%. A faixa publicada na sexta ia de R$ 41,84 a R$ 45,26, e a borda de cima estava 3,93% acima do fechamento daquele dia. Nesta segunda o barril subiu 2,7% depois do ataque americano à ilha iraniana de Larak e da resposta do Irã, e a ação fechou a R$ 45,02, ou seja, a 0,53% da borda de cima, com quatro pregões ainda por vencer. A parte interessante está no preço da proteção, e não no preço da ação: o seguro até 04/09 saiu de 27,94% para 30,19%, uma alta de pouco mais de dois pontos, enquanto o da série do mês está em 33,16%. Ou seja, o mercado subiu o preço da ação e quase não subiu o preço de se proteger dela no curtíssimo prazo. Isso descreve um movimento lido como mudança de patamar do barril, e não como começo de um período de sobe e desce. A faixa nova vai de R$ 43,31 a R$ 46,73. Nada disso diz para que lado o preço vai; diz quanto o mercado está cobrando para vê-lo andar.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
alta de 1,00%, a nona alta seguida, com R$ 23,15 bilhões negociados
altas contra quedas entre as 85 ações acompanhadas, com 3 estáveis
em julho, ou R$ 10,9 trilhões, o maior nível desde abril de 2021
no setor público consolidado, contra R$ 5,6 bilhões esperados
queda de 0,14%, mesmo com o dado fiscal pior que o projetado
alta de 2,7% sobre os US$ 88,10 de sexta, depois do ataque no Estreito de Ormuz
de média, com os oito papéis do bloco em alta
de média nas cinco construtoras, o que mais subiu no dia
no Ibovespa, com o ano acumulando alta de 10,11%
O que fica no radar
- O PIB do segundo trimestre sai amanhã, 01/09, às 9h. As projeções variam entre 0,2% e 0,4% na comparação com o trimestre anterior, contra 1,1% no anterior, e o Focus baixou hoje a estimativa do ano para 1,92%.
- Amanhã ficam data-com BBDC4 e BBAS3, e ITUB4 e ITSA4 abrem com corte. O Bradesco fica data-com da rodada de R$ 0,018975 por ação preferencial e o Banco do Brasil fixa a base de duas rodadas com pagamento em 11/09. O corte da rodada de hoje é de cerca de 0,05% em ITUB4 e 0,18% em ITSA4.
- As faixas do quadro de risco vencem em 04/09, com quatro pregões de prazo. BOVA11 de R$ 170,60 a R$ 178,96. PETR4 de R$ 43,31 a R$ 46,73. VALE3 de R$ 75,33 a R$ 80,37. ITUB4 de R$ 38,12 a R$ 40,92. PRIO3 de R$ 59,99 a R$ 65,37.
- A Vale paga R$ 2,030722 por ação em 02/09, com data-com encerrada. Em 03/09 pagam a Ultrapar, com R$ 1,00, e a BB Seguridade, com R$ 1,98328466981. Em 08/09 paga a Cury e em 09/09 a JHSF e a Marcopolo.
- O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro, um dia antes do banco central americano. A Selic está em 14,00% e o mercado futuro atribui 60,4% de chance a uma alta de juro nos Estados Unidos em setembro. O câmbio é onde essa diferença aparece primeiro.
