O emprego bateu recorde, o índice subiu 0,31% e ainda assim 43 das 85 ações fecharam em queda
O IBGE divulgou às 9h a taxa de desemprego do trimestre encerrado em julho: 5,3%, a menor da série histórica para o período, com 103,3 milhões de pessoas ocupadas, também recorde. O Ibovespa fechou aos 175.135,41 pontos, alta de 0,31%, a sétima alta seguida. Só que o placar por dentro foi de 39 altas contra 43 quedas e 3 estáveis entre as 85 ações acompanhadas.
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O Ibovespa fechou aos 175.135,41 pontos, alta de 0,31%, com R$ 15,42 bilhões negociados, 1.283.948 negócios e 694.216.800 papéis. Entre as 85 ações acompanhadas foram 39 altas, 43 quedas e 3 estáveis, e 30 renderam mais que o índice. Na véspera o placar tinha sido de 43 altas contra 38 quedas, com R$ 19,26 bilhões girados.
Índice subindo com a maioria caindo não é contradição. O Ibovespa pesa cada ação pelo tamanho dela, e não conta cabeça. A Petrobras sozinha girou R$ 1,82 bilhão, quase 12% de todo o dinheiro do pregão, e subiu 3,02%. A Vale girou R$ 909,2 milhões e subiu 0,84%. O aço foi o melhor bloco do dia, com a GOAU4 em 5,13% e a GGBR4 em 4,76%.
Do outro lado caiu quem depende de juro brasileiro. O Assaí caiu 2,03%, a maior baixa entre as vinte mais negociadas, as Lojas Renner 1,57%, a Smart Fit 1,56% e a Cyrela 1,20%. O bloco de consumo e juro fechou com 13 dos 20 papéis em baixa e média de 0,02% negativa, contra 0,95% positiva do bloco de commodity.
O que moveu o dia
- A taxa de desemprego veio em 5,3%, no piso do que o mercado esperava e a menor da série histórica para um trimestre encerrado em julho. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, recorde desde o início da série em 2012, e os desocupados caíram para 5,8 milhões, 503 mil a menos que no trimestre anterior.
- A Braskem subiu 19,89% depois de a Petrobras elevar o limite de crédito comercial entre as duas de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões, para compra de matéria-prima com pagamento em 30 dias e validade até o fim de 2026. É prazo de fornecedor, e não capitalização.
- Em Nova York o desenho foi o mesmo: dos onze setores americanos, apenas tecnologia subiu, com 3,16%, e os outros dez caíram. Ainda assim o índice amplo fechou em alta de 0,72% e o de tecnologia em 1,57%.
- O giro caiu 20% em um pregão, de R$ 19,26 bilhões para R$ 15,42 bilhões, e o contrato futuro de índice fechou em queda de 0,10% enquanto o índice à vista subiu 0,31%.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
As maiores altas são petróleo e aço, e as maiores quedas são varejo, energia e locação.
BESST
Telecomunicações caiu 2,06% e foi o pior bloco do dia. Seguros subiu 0,63% e saneamento 0,19%.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 27/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30, com as vinte e uma grades pelo terceiro dia seguido. Esta é a última leitura antes do vencimento: a faixa sai da série que vence em 28/08 e resta UM pregão de prazo, então ela é a mais estreita já publicada, por tempo e não por menos movimento precificado. É no fechamento de 28/08 que sai o primeiro placar do quadro inteiro. Leitura informativa, sem recomendação.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 28/08/2026: uma oscilação de até 1,2% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O papel do dia é a siderúrgica GGBR4, e o motivo está na distância entre dois seguros do mesmo papel. A proteção que vence amanhã custa 67,50%. A que vence em 18 de setembro custa 31,78%. São 35,7 pontos de distância, a maior do quadro fora da operadora de saúde, que carrega a ressalva de método conhecida. Em português comum: o seguro de um dia está custando mais que o dobro do seguro do mês. E isso aconteceu num papel que subiu 4,76% hoje, com a holding que o controla subindo 5,13%. O normal é o oposto: depois que o preço anda forte, o seguro de curtíssimo prazo costuma ceder, porque o movimento já passou. Quando ele encarece junto com a alta, o que está sendo cobrado não é o que já aconteceu, e sim o que pode acontecer amanhã. A faixa vai de R$ 22,95 a R$ 24,99, ou seja, R$ 1,02 para cima ou para baixo do fechamento de R$ 23,97. Contraponto dentro do próprio quadro, e ele corrige a leitura publicada ontem: a locadora de veículos tinha o seguro semanal 7 pontos acima do mensal em 26/08, e esta casa publicou que o mercado cobrava por uma data. Hoje, na véspera dessa data, o semanal dela caiu para 26,98% contra 35,10% do mensal, ou seja, 8 pontos abaixo. O prêmio de evento sumiu antes do evento, e a ação andou -0,96% no dia. O que fica registrado como método: prêmio de evento pode ser desmontado sem o evento acontecer, e isso é informação sobre posicionamento, e não sobre direção de preço. Amanhã o placar mede as duas leituras.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
alta de 0,31%, a sétima alta seguida, com 1.283.948 negócios
contra R$ 19,26 bilhões na véspera, uma queda de 20%
altas contra quedas, com 3 estáveis; 30 renderam mais que o índice
no trimestre encerrado em julho, contra 5,8% no encerrado em abril
recorde desde o início da série da pesquisa, em 2012
alta de 0,27%, com o euro a R$ 6,016623
terceiro pregão seguido de alta, contra US$ 86,68 na véspera
com 45% de chance atribuída a uma alta de juro até dezembro
O que fica no radar
- Amanhã, 28/08, cinco coisas caem no mesmo dia: o discurso do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole por volta das 11h, o Caged com cerca de 115 mil vagas formais esperadas, o IGP-M, o relatório de emprego americano e o vencimento das opções que formam as faixas do Radar de Risco. No fechamento de amanhã entra o primeiro placar do quadro inteiro.
- O prêmio de evento da Localiza sumiu na véspera do evento. Em 26/08 o seguro semanal dela custava sete pontos a mais que o mensal, e esta casa publicou que o mercado cobrava por uma data. Hoje ele caiu para oito pontos abaixo do mensal, e a ação andou 0,96% negativos no dia.
- A GGBR4 fez o oposto: subiu 4,76% e o seguro contra oscilação até amanhã ficou em 67,50%, contra 31,78% da série do mês. São 35,7 pontos de diferença, a maior do quadro fora da operadora de saúde.
- A conta dos 85 papéis fechou 85 de 85. O maior desvio do dia foi de 0,31%, muito abaixo do limite de 0,6% que isola dividendo, o que confirma por medição que nenhum papel ficou ex nesta quinta.
