Pediram escolta de guerra no Estreito de Ormuz, e o petróleo caiu 2,5%
O Ibovespa fechou aos 171.906,72 pontos, alta de 0,51%, com 54 das 85 ações acompanhadas em alta, 29 em queda e 2 estáveis, e R$ 18,76 bilhões negociados. A bolsa daqui subiu num dia em que a Coreia do Sul caiu 3,12% e a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos recuou 0,8%. O Brent fechou a US$ 92,06 por barril, queda de 2,5%, depois de os Estados Unidos detalharem as sanções contra o Irã e pedirem uma coalizão de navios de guerra para escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O Ibovespa subiu 0,51% nesta segunda, aos 171.906,72 pontos, com R$ 18,76 bilhões negociados em 1.410.244 negócios e 844.248.400 papéis. Entre as 85 ações que o Radar acompanha, 54 subiram, 29 caíram e 2 ficaram estáveis, e 39 renderam mais que o índice. Na sexta o placar tinha sido de 75 altas contra 7 quedas, com 46 papéis acima do índice e R$ 22,61 bilhões negociados. Ou seja: a mesma direção, com bem menos ações participando e quase quatro bilhões a menos de dinheiro. Quando o índice sobe e o número de ações que sobem diminui, a alta depende de poucas empresas grandes. Hoje quem puxou foi a Vale, que subiu 2,80%, com a Ambev em alta de 1,67% e a B3 em alta de 2,39%.
O fato principal do dia veio de fora e é fácil de resumir. À tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos detalhou o plano de sanções contra o Irã. São duas peças. A primeira atinge quem faz negócio com o país, incluindo bancos, empresas de navegação, aviação e quem opera com ouro e criptomoeda, sem abrir exceção para a China. A segunda é um pedido de coalizão internacional para escoltar navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz assim que for possível militarmente. A reação esperada seria petróleo em alta. Aconteceu o contrário: o Brent fechou a US$ 92,06, queda de 2,5%. Pela manhã ele caía 1,8%, a US$ 92,68, ou seja, terminou o dia caindo mais.
O motivo é direto. Cerca de um quinto do petróleo do mundo passa por esse canal estreito entre o Irã e Omã. Havia semanas o barril vinha com um valor a mais embutido no preço, cobrado por medo de o canal ser fechado. Escoltar os navios com escolta armada é o compromisso de mantê-lo aberto, então esse medo específico diminuiu. A segunda parte do anúncio empurra o preço para o mesmo lado: as sanções punem quem compra petróleo do Irã, e não quem produz. Se nenhum poço fecha, o mundo continua com a mesma quantidade de barris disponível, só com menos compradores autorizados a levar.
A conta chegou de novo na Ásia. A bolsa da Coreia do Sul caiu 3,12%, aos 6.696,96 pontos, a maior queda do mundo hoje, puxada pelas duas maiores fabricantes de memória do país. A de Hong Kong recuou 1,89%. A mesma pressão apareceu depois em Nova York, onde a bolsa de tecnologia caiu 0,8%, aos 25.980,19 pontos, enquanto o índice das empresas industriais subia 0,3%, aos 53.417,16. A Europa fechou praticamente de lado, com o índice das maiores empresas do continente aos 654,21 pontos, praticamente estável.
O que segurou a bolsa brasileira foi política. Saiu a segunda pesquisa de intenção de voto em três pregões, com 46% contra 45% no segundo turno, contra 47% contra 44% na rodada da semana anterior, dentro da margem de erro de dois pontos. Na sexta à noite, outra casa tinha publicado 47% contra 43%. Em três pregões, a diferença entre os dois nomes caiu de cinco pontos para um. Uma pesquisa sozinha, dentro da margem, não prova nada, porque a diferença cabe no próprio erro do levantamento. Duas seguidas, de institutos diferentes, apontando para o mesmo lado, já são difíceis de chamar de coincidência.
Vale registrar uma conta que qualquer pessoa refaz em casa e que hoje encontrou três dividendos sem consultar nenhuma notícia. Pegue o preço de fechamento de cada uma das 85 ações, divida pela variação do dia e compare com o fechamento de sexta. Em 82 delas o resultado bate, com diferença menor que 0,6%. As três que não bateram são exatamente as que ficaram hoje sem o direito ao dividendo: as duas classes da Petrobras, com R$ 1,2162 por ação em cada uma, e a Allos, com R$ 0,2918, valor que confere com os R$ 0,291917618 anunciados na sexta. Serve para o dia a dia: quando uma ação cai forte sem motivo aparente, essa conta responde em dez segundos se foi o mercado ou se foi só o dividendo saindo do preço.
O que moveu o dia
- Os Estados Unidos detalharam as sanções contra o Irã e o petróleo caiu 2,5%. O Brent fechou a US$ 92,06 e o petróleo americano a US$ 84,89. Pela manhã o Brent caía 1,8%, ou seja, ele terminou o dia caindo mais depois do anúncio. O pacote atinge quem faz negócio com o país, incluindo bancos, navegação, aviação, ouro e criptomoeda, e vem junto com um pedido de coalizão internacional para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz.
- A Yduqs confirmou que negocia fusão com uma concorrente e subiu 12,83%. A companhia informou que mantém conversas com uma concorrente do setor de educação em saúde para juntar os dois negócios. O comunicado diz que as conversas estão no começo, que não existe contrato assinado e que há novo encontro marcado para setembro. A ação fechou a R$ 8,88, a maior alta do dia. Somadas, as duas empresas faturaram cerca de R$ 9,2 bilhões em 2025.
- A Braskem perdeu a proteção judicial e vai pedir acordo aos credores. A ação fechou a R$ 4,73, queda de 6,71%, a maior do dia. A proteção obtida em 25/06, que impedia os credores de cobrar, venceu nesta segunda, e o conselho aprovou entrar com o pedido de recuperação extrajudicial. Para protocolar e ganhar mais 90 dias, a empresa precisa reunir credores que somem um terço da dívida; para o acordo valer para todos, metade mais um. Nenhum desses números foi divulgado.
- Quatro siderúrgicas, oito pontos de diferença, dois dias seguidos. A Usiminas subiu 8,70% e a CSN 7,72%, as duas que vendem quase todo o aço dentro do Brasil e são protegidas pela tarifa sobre o aço chinês importado. Do outro lado, a Gerdau ficou parada, com queda de 0,05%, e a empresa que a controla caiu 1,02%, as duas com fábrica grande nos Estados Unidos e no Canadá. Na sexta o desenho foi idêntico.
- As seguradoras subiram mais que os bancos, e a diferença tem explicação. O setor de seguros subiu 1,63%, o mais forte do dia, contra 0,62% dos bancos. A seguradora recebe o dinheiro do cliente hoje e só paga o sinistro depois, mantendo essa reserva aplicada; quando o juro cai, essa reserva vale mais na conta de hoje. O banco também ganha com juro menor, porque o cliente atrasa menos, mas perde de um lado, porque cobra menos no empréstimo que vende.
- Três ações devolveram a alta forte da sexta sem notícia nova. A MBRF caiu 5,53% depois de subir 6,95%, a Cosan caiu 3,85% depois de subir 8,01% e a Renner caiu 3,09% depois de subir 4,67%. Nenhuma das três teve comunicado novo entre os dois pregões. Movimento que aparece e some em dois dias, sem documento no meio, costuma ser de quem estava só posicionado.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
As três maiores quedas entre as vinte ações mais negociadas são de petróleo. Duas delas ficaram hoje sem o direito ao dividendo, o que já tira parte do preço por conta do calendário.
BESST
As quatro maiores altas do bloco de bancos, energia, seguros, saneamento e telecomunicações são seguradoras. O setor de seguros subiu 1,63%, o mais forte do dia, contra 0,62% dos bancos.
Mercado geral
Nas altas, uma confirmação de conversa de fusão e as duas siderúrgicas que vendem dentro do Brasil. Nas quedas, um pedido de acordo com credores e três ações que devolveram a alta forte da sexta sem notícia nova.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 24/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30. A faixa sai da série que vence em 28/08 e restam quatro pregões de prazo. O nível é a razão entre a volatilidade implícita dessa série e a volatilidade histórica de cada papel. Leitura informativa, sem recomendação.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 28/08/2026: uma oscilação de até 2,5% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
A pergunta que o quadro responde hoje é esta: quanto o mercado acha que a Vale pode andar até sexta? A resposta vem em reais. A faixa vai de R$ 73,81 a R$ 80,45, ou seja, R$ 3,32 para cima ou para baixo do fechamento de hoje. Agora o detalhe que vale a leitura, e ele é uma comparação entre dois preços. Proteger essa ação até sexta, que são cinco pregões, está saindo mais caro por dia do que proteger a mesma ação até 18 de setembro, que são dezenove pregões. Em semana comum acontece o contrário: quanto mais longe a data, mais caro custa a proteção, porque há mais tempo para o preço se mexer. Quando a conta inverte assim, é porque existe alguma coisa marcada no calendário dentro da semana curta. E existe: na sexta, 28/08, o presidente do banco central americano faz o primeiro discurso dele em Jackson Hole, e é o mesmo dia em que essa proteção vence. O que fazer com isso: o preço já pagou por esse discurso. Se a Vale terminar a semana entre R$ 73,81 e R$ 80,45, o evento não trouxe novidade nenhuma, mesmo que a sexta pareça agitada na tela. Se terminar fora dessa faixa, apareceu informação que ninguém tinha pago. A faixa diz quanto o preço pode andar. Nunca diz para que lado.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Alta de 0,51%, em 1.410.244 negócios, R$ 18.763.435.871 negociados e 844.248.400 papéis. Foram 54 altas, 29 quedas e 2 estáveis entre as 85 ações acompanhadas, com 39 rendendo mais que o índice.
Alta de 0,40%, com R$ 641,9 milhões negociados em 78.142 negócios. O contrato futuro do mini índice fechou aos 174.625 pontos, alta de 0,34%.
Alta de 0,37%, depois de cair 1,06% na sexta. O contrato futuro fechou aos 5.165,50 pontos, alta de 0,30%, e o euro a R$ 6,015880, alta de 0,21%.
Queda de 2,5%, a maior do mês, com o petróleo americano a US$ 84,89. Pela manhã o Brent caía 1,8%, a US$ 92,68: terminou o dia caindo mais depois do anúncio das sanções do que antes dele.
A bolsa de tecnologia fechou aos 25.980,19 pontos, o índice amplo cedeu 0,3%, aos 7.652,86, e o das empresas industriais subiu 0,3%, aos 53.417,16. A queda ficou concentrada em fabricantes de chip.
A bolsa de Seul fechou aos 6.696,96 pontos, a maior queda do mundo hoje. Hong Kong caiu 1,89%, aos 25.517,33, o Japão 0,7%, aos 65.528,09, e Xangai 0,6%, aos 3.882,01.
Praticamente estável. Londres subiu 0,35%, aos 10.854,32 pontos, puxada por mineradoras; Frankfurt caiu 0,11%, aos 26.106,60, e Paris 0,28%, aos 8.453,01.
Alta de cerca de 1,1% no contrato futuro, no maior nível do ano, no mesmo dia em que o petróleo caiu 2,5%.
Sem alteração desde o corte de 5 de agosto. O Copom volta a se reunir em 15 e 16 de setembro. O boletim semanal de expectativas cortou o crescimento projetado para 2026 de 1,98% para 1,95%, e manteve a inflação em 5,02% e o dólar em R$ 5,20.
O que fica no radar
- Amanhã, 25/08, a Marcopolo fica data-com de R$ 0,13 por ação. É o último dia para comprar a ação e ter direito ao dividendo. A partir de 26/08 ela passa a ser negociada sem esse direito e o pagamento sai a partir de 09/09. A Ultrapar, que encerrou hoje a data-com de R$ 1,00 por ação, já negocia sem o direito a partir de amanhã.
- A Nvidia divulga resultado em 26/08, depois do fechamento em Nova York. É o balanço com maior poder de mexer no humor dos mercados nesta semana, e ele chega depois de dois dias seguidos de queda das ações de chip. No mesmo dia saem por lá o índice de preços que o banco central americano acompanha e a segunda leitura do crescimento do segundo trimestre; aqui sai o índice de inflação de meio de mês, às 9h.
- O discurso de Jackson Hole é na sexta, 28/08, às 11h. É o primeiro do atual presidente do Federal Reserve no evento desde que assumiu. A mesma sexta é o dia em que vencem as opções que formam as faixas do Radar de Risco publicadas nesta página, o que significa que o preço dessas proteções já leva o discurso em conta.
- No caso da Braskem, o número que decide é quantos credores assinam. Um terço da dívida para protocolar o pedido e ganhar mais 90 dias, metade mais um para o acordo valer para todos. Esses números saem em documento na página de relações com investidores e no site do tribunal, e não na tela de cotação.
- Proteger a Vale até sexta está mais caro que proteger a Vale até setembro. Normalmente é o contrário, porque prazo maior dá mais tempo para o preço se mexer. Quando a conta inverte, é porque tem algo marcado dentro da semana curta, e tem: o discurso de sexta, 28/08, que é o mesmo dia em que essa proteção vence. A faixa da Vale vai de R$ 73,81 a R$ 80,45.
