FECHAMENTO · 24/08/2026

Pediram escolta de guerra no Estreito de Ormuz, e o petróleo caiu 2,5%

O Ibovespa fechou aos 171.906,72 pontos, alta de 0,51%, com 54 das 85 ações acompanhadas em alta, 29 em queda e 2 estáveis, e R$ 18,76 bilhões negociados. A bolsa daqui subiu num dia em que a Coreia do Sul caiu 3,12% e a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos recuou 0,8%. O Brent fechou a US$ 92,06 por barril, queda de 2,5%, depois de os Estados Unidos detalharem as sanções contra o Irã e pedirem uma coalizão de navios de guerra para escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz.

📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.

Como foi o pregão

O Ibovespa subiu 0,51% nesta segunda, aos 171.906,72 pontos, com R$ 18,76 bilhões negociados em 1.410.244 negócios e 844.248.400 papéis. Entre as 85 ações que o Radar acompanha, 54 subiram, 29 caíram e 2 ficaram estáveis, e 39 renderam mais que o índice. Na sexta o placar tinha sido de 75 altas contra 7 quedas, com 46 papéis acima do índice e R$ 22,61 bilhões negociados. Ou seja: a mesma direção, com bem menos ações participando e quase quatro bilhões a menos de dinheiro. Quando o índice sobe e o número de ações que sobem diminui, a alta depende de poucas empresas grandes. Hoje quem puxou foi a Vale, que subiu 2,80%, com a Ambev em alta de 1,67% e a B3 em alta de 2,39%.

O fato principal do dia veio de fora e é fácil de resumir. À tarde, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos detalhou o plano de sanções contra o Irã. São duas peças. A primeira atinge quem faz negócio com o país, incluindo bancos, empresas de navegação, aviação e quem opera com ouro e criptomoeda, sem abrir exceção para a China. A segunda é um pedido de coalizão internacional para escoltar navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz assim que for possível militarmente. A reação esperada seria petróleo em alta. Aconteceu o contrário: o Brent fechou a US$ 92,06, queda de 2,5%. Pela manhã ele caía 1,8%, a US$ 92,68, ou seja, terminou o dia caindo mais.

O motivo é direto. Cerca de um quinto do petróleo do mundo passa por esse canal estreito entre o Irã e Omã. Havia semanas o barril vinha com um valor a mais embutido no preço, cobrado por medo de o canal ser fechado. Escoltar os navios com escolta armada é o compromisso de mantê-lo aberto, então esse medo específico diminuiu. A segunda parte do anúncio empurra o preço para o mesmo lado: as sanções punem quem compra petróleo do Irã, e não quem produz. Se nenhum poço fecha, o mundo continua com a mesma quantidade de barris disponível, só com menos compradores autorizados a levar.

A conta chegou de novo na Ásia. A bolsa da Coreia do Sul caiu 3,12%, aos 6.696,96 pontos, a maior queda do mundo hoje, puxada pelas duas maiores fabricantes de memória do país. A de Hong Kong recuou 1,89%. A mesma pressão apareceu depois em Nova York, onde a bolsa de tecnologia caiu 0,8%, aos 25.980,19 pontos, enquanto o índice das empresas industriais subia 0,3%, aos 53.417,16. A Europa fechou praticamente de lado, com o índice das maiores empresas do continente aos 654,21 pontos, praticamente estável.

O que segurou a bolsa brasileira foi política. Saiu a segunda pesquisa de intenção de voto em três pregões, com 46% contra 45% no segundo turno, contra 47% contra 44% na rodada da semana anterior, dentro da margem de erro de dois pontos. Na sexta à noite, outra casa tinha publicado 47% contra 43%. Em três pregões, a diferença entre os dois nomes caiu de cinco pontos para um. Uma pesquisa sozinha, dentro da margem, não prova nada, porque a diferença cabe no próprio erro do levantamento. Duas seguidas, de institutos diferentes, apontando para o mesmo lado, já são difíceis de chamar de coincidência.

Vale registrar uma conta que qualquer pessoa refaz em casa e que hoje encontrou três dividendos sem consultar nenhuma notícia. Pegue o preço de fechamento de cada uma das 85 ações, divida pela variação do dia e compare com o fechamento de sexta. Em 82 delas o resultado bate, com diferença menor que 0,6%. As três que não bateram são exatamente as que ficaram hoje sem o direito ao dividendo: as duas classes da Petrobras, com R$ 1,2162 por ação em cada uma, e a Allos, com R$ 0,2918, valor que confere com os R$ 0,291917618 anunciados na sexta. Serve para o dia a dia: quando uma ação cai forte sem motivo aparente, essa conta responde em dez segundos se foi o mercado ou se foi só o dividendo saindo do preço.

O que moveu o dia

As três camadas do dia

20 mais líquidos

As três maiores quedas entre as vinte ações mais negociadas são de petróleo. Duas delas ficaram hoje sem o direito ao dividendo, o que já tira parte do preço por conta do calendário.

MAIORES ALTAS
SUZB3+3,00%
VALE3+2,80%
BBSE3+2,45%
B3SA3+2,39%
ABEV3+1,67%
MAIORES BAIXAS
PETR3-2,46%
PETR4-2,26%
PRIO3-1,96%
WEGE3-0,41%
GGBR4-0,05%

BESST

As quatro maiores altas do bloco de bancos, energia, seguros, saneamento e telecomunicações são seguradoras. O setor de seguros subiu 1,63%, o mais forte do dia, contra 0,62% dos bancos.

MAIORES ALTAS
CXSE3+2,47%
BBSE3+2,45%
IRBR3+2,32%
PSSA3+2,19%
LIGT3+1,86%
MAIORES BAIXAS
WIZC3-1,29%
ALUP11-0,53%
SAPR11-0,09%
ABCB4-0,09%
CSMG3+0,11%

Mercado geral

Nas altas, uma confirmação de conversa de fusão e as duas siderúrgicas que vendem dentro do Brasil. Nas quedas, um pedido de acordo com credores e três ações que devolveram a alta forte da sexta sem notícia nova.

MAIORES ALTAS
YDUQ3+12,83%
USIM5+8,70%
CSNA3+7,72%
CYRE3+3,59%
SUZB3+3,00%
MAIORES BAIXAS
BRKM5-6,71%
MBRF3-5,53%
AZZA3-3,96%
CSAN3-3,85%
BRAV3-3,46%

Radar de Risco do dia

Radar de Risco de 24/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30. A faixa sai da série que vence em 28/08 e restam quatro pregões de prazo. O nível é a razão entre a volatilidade implícita dessa série e a volatilidade histórica de cada papel. Leitura informativa, sem recomendação.

Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.

BOVA11o Ibovespa inteiro em uma cotarisco normal
R$ 164,85hoje R$ 169,01R$ 173,17

A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 28/08/2026: uma oscilação de até 2,5% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.

O papel do dia · VALE3

A pergunta que o quadro responde hoje é esta: quanto o mercado acha que a Vale pode andar até sexta? A resposta vem em reais. A faixa vai de R$ 73,81 a R$ 80,45, ou seja, R$ 3,32 para cima ou para baixo do fechamento de hoje. Agora o detalhe que vale a leitura, e ele é uma comparação entre dois preços. Proteger essa ação até sexta, que são cinco pregões, está saindo mais caro por dia do que proteger a mesma ação até 18 de setembro, que são dezenove pregões. Em semana comum acontece o contrário: quanto mais longe a data, mais caro custa a proteção, porque há mais tempo para o preço se mexer. Quando a conta inverte assim, é porque existe alguma coisa marcada no calendário dentro da semana curta. E existe: na sexta, 28/08, o presidente do banco central americano faz o primeiro discurso dele em Jackson Hole, e é o mesmo dia em que essa proteção vence. O que fazer com isso: o preço já pagou por esse discurso. Se a Vale terminar a semana entre R$ 73,81 e R$ 80,45, o evento não trouxe novidade nenhuma, mesmo que a sexta pareça agitada na tela. Se terminar fora dessa faixa, apareceu informação que ninguém tinha pago. A faixa diz quanto o preço pode andar. Nunca diz para que lado.

PETR4risco normal
Petrobras · petróleo, câmbio e política de preçoshoje R$ 42,11
o mercado paga por até 3,4% na semanafaixa de R$ 40,68 a R$ 43,54
VALE3risco normal
Vale · minério de ferro e demanda chinesahoje R$ 77,13
o mercado paga por até 4,3% na semanafaixa de R$ 73,81 a R$ 80,45
ITUB4risco normal
Itaú Unibanco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 38,73
o mercado paga por até 3,2% na semanafaixa de R$ 37,48 a R$ 39,98
BBDC4risco normal
Bradesco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 16,27
o mercado paga por até 3,4% na semanafaixa de R$ 15,72 a R$ 16,82
BBAS3risco normal
Banco do Brasil · crédito rural, provisão e políticahoje R$ 18,60
o mercado paga por até 3,7% na semanafaixa de R$ 17,92 a R$ 19,28
ABEV3risco normal
Ambev · consumo, custo de insumo e câmbiohoje R$ 15,25
o mercado paga por até 2,6% na semanafaixa de R$ 14,85 a R$ 15,65
MGLU3sem leitura hoje
Magazine Luiza · varejo alavancado, sensível a jurohoje R$ 4,16Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
PRIO3sem leitura hoje
PRIO · produção de petróleo e Brenthoje R$ 61,62Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
B3SA3sem leitura hoje
B3 · volume negociado e apetite por riscohoje R$ 15,45Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
BPAC11sem leitura hoje
BTG Pactual · banco de investimento e mercado de capitaishoje R$ 52,60Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
WEGE3sem leitura hoje
WEG · indústria global e câmbiohoje R$ 49,07Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
SUZB3sem leitura hoje
Suzano · celulose em dólar e custo de caixahoje R$ 46,32Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
RENT3sem leitura hoje
Localiza · juro, preço de carro usado e frotahoje R$ 33,70Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
LREN3sem leitura hoje
Lojas Renner · varejo de vestuário e rendahoje R$ 10,65Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
GGBR4sem leitura hoje
Gerdau · aço, importação chinesa e construçãohoje R$ 22,14Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
CSNA3sem leitura hoje
CSN · aço, minério e alavancagemhoje R$ 5,16Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
HAPV3sem leitura hoje
Hapvida · sinistralidade, judicialização e reajustehoje R$ 6,36Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
CMIG4sem leitura hoje
Cemig · tarifa, regulação e distribuiçãohoje R$ 10,21Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
AXIA3sem leitura hoje
Axia Energia · geração, transmissão e regulaçãohoje R$ 52,53Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
USIM5sem leitura hoje
Usiminas · aço plano, indústria e importaçãohoje R$ 7,12Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
A régua, do mais calmo ao mais tenso
risco baixoo seguro está mais barato que a agitação normal do papel; o mercado não vê nada marcado pela frente
risco normalo seguro custa o de sempre para aquele papel; semana sem evento na conta
risco altoo seguro subiu acima do padrão do papel; alguém está pagando para se proteger de alguma coisa
risco extremoseguro muito acima do padrão, quase sempre com data marcada no calendário, como um balanço
Como usar em 3 passos
1
Comece pelo nível

Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.

2
Depois olhe a faixa

É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.

3
Por fim, a tag de evento

Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.

Direção ninguém sabe; risco tem preço.

Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.

Os números do fechamento

Ibovespa171.906,72

Alta de 0,51%, em 1.410.244 negócios, R$ 18.763.435.871 negociados e 844.248.400 papéis. Foram 54 altas, 29 quedas e 2 estáveis entre as 85 ações acompanhadas, com 39 rendendo mais que o índice.

BOVA11R$ 169,01

Alta de 0,40%, com R$ 641,9 milhões negociados em 78.142 negócios. O contrato futuro do mini índice fechou aos 174.625 pontos, alta de 0,34%.

Dólar à vistaR$ 5,157600

Alta de 0,37%, depois de cair 1,06% na sexta. O contrato futuro fechou aos 5.165,50 pontos, alta de 0,30%, e o euro a R$ 6,015880, alta de 0,21%.

Petróleo BrentUS$ 92,06

Queda de 2,5%, a maior do mês, com o petróleo americano a US$ 84,89. Pela manhã o Brent caía 1,8%, a US$ 92,68: terminou o dia caindo mais depois do anúncio das sanções do que antes dele.

Nova York-0,8% na tecnologia

A bolsa de tecnologia fechou aos 25.980,19 pontos, o índice amplo cedeu 0,3%, aos 7.652,86, e o das empresas industriais subiu 0,3%, aos 53.417,16. A queda ficou concentrada em fabricantes de chip.

Ásia-3,12% na Coreia do Sul

A bolsa de Seul fechou aos 6.696,96 pontos, a maior queda do mundo hoje. Hong Kong caiu 1,89%, aos 25.517,33, o Japão 0,7%, aos 65.528,09, e Xangai 0,6%, aos 3.882,01.

Europa654,21 no índice amplo

Praticamente estável. Londres subiu 0,35%, aos 10.854,32 pontos, puxada por mineradoras; Frankfurt caiu 0,11%, aos 26.106,60, e Paris 0,28%, aos 8.453,01.

Ouroperto de US$ 4.730

Alta de cerca de 1,1% no contrato futuro, no maior nível do ano, no mesmo dia em que o petróleo caiu 2,5%.

Selic14,00%

Sem alteração desde o corte de 5 de agosto. O Copom volta a se reunir em 15 e 16 de setembro. O boletim semanal de expectativas cortou o crescimento projetado para 2026 de 1,98% para 1,95%, e manteve a inflação em 5,02% e o dólar em R$ 5,20.

O que fica no radar