Varejo e serviço lideram as perdas e o Ibovespa vira do positivo para a décima primeira queda seguida
A C&A cai 5,87%, a Lojas Renner recua 3,45%, a Smart Fit perde 3,21% e o Assaí cede 2,95%. Esse é o grupo que puxou a bolsa para baixo nesta terça, e ele não caiu de manhã: ao meio-dia o Ibovespa estava em alta de 0,09% com 52 das 85 ações que o Radar acompanha em queda, e no fechamento são 61 em queda e apenas 22 em alta. O índice terminou aos 166.334,86 pontos, baixa de 0,27%, na décima primeira sessão consecutiva de perdas.
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O Ibovespa fechou aos 166.334,86 pontos, queda de 0,27%, com 1.268.175 negócios, R$ 15,3 bilhões girados e 759,9 milhões de papéis. É a décima primeira sessão consecutiva de baixa, a sequência mais longa desde agosto de 2023. Entre as 85 ações que o Radar acompanha, 61 caíram, 22 subiram e 2 ficaram estáveis. O BOVA11 fechou a R$ 163,55, queda de 0,15%, e o dólar à vista marcou R$ 5,2145 nas telas do pregão, alta de 0,20%.
A informação do dia está na diferença entre duas fotos do mesmo pregão. Na edição extraordinária do meio-dia o índice marcava 166.934,21 pontos, alta de 0,09%, com 52 papéis em queda e 33 em alta. No fechamento são 61 em queda e 22 em alta. Nove ações mudaram de lado depois do almoço, e uma virada ampla como essa aponta para uma variável comum entrando na conta, e não para releitura de uma empresa específica.
Duas notícias sobre a mesma linha de despesa chegaram nesse intervalo. O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na vara especializada do foro central de São Paulo, envolvendo R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos, seguradoras, fornecedores, aluguel e verbas trabalhistas, depois de registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, fechar 298 lojas e desligar cerca de 3 mil pessoas em agosto. E a presidência do Senado assinou o despacho que envia à Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com transição de 14 meses, texto já aprovado pela Câmara no fim de maio.
A conta que o mercado fez cabe em uma linha. A jornada máxima cai quatro horas por semana sobre 44. Quem opera loja, academia ou farmácia sete dias por semana não pode fechar mais cedo, então precisa cobrir essas quatro horas com gente nova ou com hora extra: para cada R$ 100 de folha, a mesma cobertura passa a custar perto de R$ 110. Num negócio cuja margem líquida cabe em um dígito, isso não é ajuste de linha.
O contraexemplo que impede a leitura preguiçosa está na mesma lista de ações. O Magazine Luiza subiu 1,18% no pregão em que a concorrente de loja de rua pediu recuperação judicial, porque para quem fica no jogo o concorrente que sai é notícia boa. Isso separa as duas notícias do dia: a recuperação judicial explica o varejo de eletroeletrônico e não explica academia, atacarejo, farmácia e educação, que não disputam o mesmo cliente. O que esses quatro dividem é a folha.
O que moveu o dia
- Nove ações mudaram de lado entre o meio-dia e o fechamento. Ao meio-dia o placar era de 52 em queda e 33 em alta, com o índice em alta de 0,09%. No fim do dia, 61 em queda e 22 em alta, com o índice em baixa de 0,27%.
- O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em obrigações. O conselho aprovou o pedido em 16/08. A companhia cita o fechamento de 298 lojas e o desligamento de cerca de 3 mil pessoas em agosto entre as medidas já tomadas. É a segunda reestruturação do grupo em dois anos.
- A proposta que reduz a jornada de 44 para 40 horas foi despachada para a comissão do Senado. O texto foi aprovado na Câmara no fim de maio e prevê transição de 14 meses. Depois da comissão vai a plenário em dois turnos, e mudança de mérito faz o texto voltar para a Câmara.
- O Tesouro Nacional vendeu tudo o que ofertou no leilão de títulos indexados à inflação. Foram colocados os 1,2 milhão de papéis, R$ 5,20 bilhões, no maior leilão dessa classe desde abril, com concentração no vencimento de 2031, logo depois do vencimento recorde de segunda.
- Washington e Teerã descreveram o mesmo estreito de formas opostas. O presidente americano afirmou que não há conversas em andamento com o Irã e que Ormuz está aberto; o negociador iraniano disse que o estreito segue fechado até o cumprimento do acordo de junho. O Brent fechou acima de US$ 91.
- Lá fora a tecnologia pagou de novo a conta do juro longo. O índice de tecnologia recuou 1,33%, o S&P 500 caiu 0,69% e o Dow Jones cedeu 0,22%. O Stoxx 600 europeu fechou em baixa de 0,69% e o Nikkei desabou 2,54%. A ata do Fed sai em 19/08.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
No bloco de maior giro sobe quem fatura em dólar ou vende contrato de longo prazo para fora, e cai locadora, siderúrgica e distribuição, que dependem de crédito, de frete e de consumo interno.
BESST
Dentro do bloco perene, quem sobe é seguradora e transmissão, com receita indexada e contrato garantido, e quem cai é saneamento e distribuição de energia, que carregam investimento pesado financiado com dívida de prazo longo.
Mercado geral
As cinco maiores perdas do dia são varejo de vestuário, construtora e academia, ou seja, negócios que dependem de crédito ao consumidor e de gente na operação. As altas vêm de saúde, software e celulose, que não compartilham nenhuma dessas duas exposições.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 18/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30. A faixa sai da série mensal que vence em 21/08 e restam três pregões de prazo. O nível é a razão entre a volatilidade implícita dessa série e a volatilidade histórica de cada papel. Leitura informativa, sem recomendação.
Opção é o único preço da bolsa que não fala de direção: fala de amplitude e de prazo. Quem compra proteção está comprando um movimento de tamanho definido até uma data definida, e esse prêmio pode ser lido de volta como a volatilidade que o mercado aceita pagar pelo que ainda vai acontecer. O Radar de Risco faz essa leitura em vinte e um ativos e traz duas medidas. A primeira é a razão entre a implícita da série vigente e a volatilidade histórica do próprio papel, que responde se o seguro está caro ou barato para o padrão daquele ativo, e não para a média da bolsa. A segunda é a faixa de um desvio até o vencimento, que é o intervalo onde o próprio mercado precifica a maior parte dos desfechos. Duas ressalvas de método que valem para toda leitura desta seção: implícita alta não indica queda, indica movimento, e faixa não é barreira, é a amplitude que estava paga no momento da captura.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 21/08/2026: uma oscilação de até 1,8% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O quadro é o da captura das 16h30 de 18/08, com a série da faixa vencendo em 21/08 e três pregões pela frente. Comece pelo que a passagem do tempo faz com o desenho: amplitude cresce com a raiz do prazo e não com o prazo, então a faixa publicada em 14/08, medida com cinco pregões, era cerca de trinta por cento mais larga que esta pelo prazo apenas, sem nenhuma mudança de medo. Quem compara faixa datada sem descontar isso conclui que o mercado se acalmou quando o mercado só ficou com menos dias. O fato central desta captura é o preço do seguro do índice inteiro. O BOVA11 sai com implícita de 16,23% na série de 21/08 contra volatilidade histórica de 17,60%, razão de 0,92, e em 17/08 a mesma conta dava 0,94 com implícita de 16,86%. Ou seja: no pregão que fechou a décima primeira queda seguida do índice, a proteção do índice ficou mais barata, não mais cara. A leitura correta disso não é que o risco acabou. É que ninguém está pagando adiantado por ele, o que combina com saída ordenada de posição e não com pânico. Queda com seguro barateando é gente vendendo ação; queda com seguro encarecendo é gente comprando defesa. Só um dos dois está acontecendo, e o teste é objetivo: no dia em que a implícita da mensal do BOVA11 passar da histórica de 17,60% num pregão de baixa, a leitura vira. A consequência prática da razão abaixo de um com prazo curto é a mesma para todos os sete papéis que saem em risco baixo nesta captura, entre eles Itaú com 0,87, Banco do Brasil com 0,86 e WEG com 0,77: quem compra amplitude barata a três pregões do vencimento compra velocidade, não seguro. O valor da opção derrete com o tempo, então o movimento precisa vir rápido, e não eventualmente. Um degrau do quadro é dividendo e não medo, e a distinção continua valendo sempre. A Gerdau fica data-com em 19/08 e negocia sem o direito em 20/08, ou seja, o corte mecânico de preço cai dentro da janela que termina em 21/08, e por isso o papel aparece um degrau acima na régua mesmo com razão de 0,97. A Petrobras tem data ex em 24/08, depois do vencimento da série, e não sobe degrau nenhum. O que importa para a opção não é a data-com, é a data ex, porque é nela que o preço cai. Duas ressalvas de método ficam publicadas em vez de escondidas. A primeira está na mineradora do quadro, cujo cabeçalho de série marca implícita de 21,44% enquanto a trava no dinheiro devolve cerca de 24,0%: a razão entre as duas leituras é 1,12, abaixo do gatilho de 1,5 vez, então o cabeçalho fica, mas ele decide a classe, que sai como baixo pelo número impresso e ficaria como normal pelo derivado. A segunda é o encerramento da ressalva anterior: em 17/08 o papel de celulose do quadro foi publicado como alto com o cabeçalho em 35,24% contra 28,93% na trava, e nesta captura o cabeçalho marca 28,08% com a trava em cerca de 27,4%, ou seja, o número impresso convergiu para onde a conferência dizia que ele estava, e o papel volta para normal. Ressalva publicada é ressalva que pode ser cobrada depois. Por fim, o placar não se conta no meio do caminho. A faixa é lida no fechamento do vencimento, então encostar no teto ou no piso durante a semana não resolve nada, e o veredito dos vinte e um nomes só existe em 21/08.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Queda de 0,27%, com 1.268.175 negócios e R$ 15,3 bilhões girados. Décima primeira sessão consecutiva de baixa.
Entre as 85 ações que o Radar acompanha, com 2 estáveis. Ao meio-dia eram 52 em queda e 33 em alta.
Queda de 0,15%, com R$ 403,1 milhões girados no dia.
Alta de 0,20% na leitura das telas do pregão, com o dólar futuro a 5.230,00 pontos.
Hapvida fecha a R$ 6,78 sem comunicado da companhia nesta data.
C&A Modas fecha a R$ 7,38, também sem comunicado da companhia nesta data.
Fechou aos 26.289,71 pontos. S&P 500 em baixa de 0,69% e Dow Jones em queda de 0,22%.
Implícita de 16,23% na série de 21/08 do BOVA11 contra volatilidade histórica de 17,60%. Em 17/08 a razão era 0,94.
O que fica no radar
- A ata da reunião de julho do Federal Reserve sai em 19/08. É o documento que detalha a divergência interna do comitê e costuma mexer na parte longa da curva americana, que é a taxa que vem derrubando construtora, shopping e concessão na bolsa brasileira.
- Em 19/08 Gerdau e Metalúrgica Gerdau ficam data-com, e em 20/08 passam a negociar sem o direito. São R$ 0,23 e R$ 0,11 por ação, com pagamentos em 11/09 e 14/09. O corte de preço cai dentro da janela da série de opções que vence em 21/08.
- Em 21/08 vencem as opções que sustentam a faixa da semana do Radar de Risco. É a data em que o placar dos vinte e um papéis se conta, porque a faixa é lida no fechamento do vencimento e não no meio do caminho.
- A Petrobras fica data-com em 21/08 e negocia sem o direito a partir de 24/08. São R$ 1,34814262 por ação. A data ex cai depois do vencimento da série, então não entra na janela da faixa desta semana.
- A tutela cautelar da Braskem vence em 24/08. É o prazo que segura execuções de credores enquanto a subsidiária mexicana tramita recuperação judicial nos Estados Unidos.
- A proposta da jornada ainda precisa passar por comissão e por dois turnos de plenário no Senado. Cada etapa reprecifica a probabilidade, e mudança de mérito devolve o texto para a Câmara.
