Fechamento · 18/08/2026

Varejo e serviço lideram as perdas e o Ibovespa vira do positivo para a décima primeira queda seguida

A C&A cai 5,87%, a Lojas Renner recua 3,45%, a Smart Fit perde 3,21% e o Assaí cede 2,95%. Esse é o grupo que puxou a bolsa para baixo nesta terça, e ele não caiu de manhã: ao meio-dia o Ibovespa estava em alta de 0,09% com 52 das 85 ações que o Radar acompanha em queda, e no fechamento são 61 em queda e apenas 22 em alta. O índice terminou aos 166.334,86 pontos, baixa de 0,27%, na décima primeira sessão consecutiva de perdas.

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Como foi o pregão

O Ibovespa fechou aos 166.334,86 pontos, queda de 0,27%, com 1.268.175 negócios, R$ 15,3 bilhões girados e 759,9 milhões de papéis. É a décima primeira sessão consecutiva de baixa, a sequência mais longa desde agosto de 2023. Entre as 85 ações que o Radar acompanha, 61 caíram, 22 subiram e 2 ficaram estáveis. O BOVA11 fechou a R$ 163,55, queda de 0,15%, e o dólar à vista marcou R$ 5,2145 nas telas do pregão, alta de 0,20%.

A informação do dia está na diferença entre duas fotos do mesmo pregão. Na edição extraordinária do meio-dia o índice marcava 166.934,21 pontos, alta de 0,09%, com 52 papéis em queda e 33 em alta. No fechamento são 61 em queda e 22 em alta. Nove ações mudaram de lado depois do almoço, e uma virada ampla como essa aponta para uma variável comum entrando na conta, e não para releitura de uma empresa específica.

Duas notícias sobre a mesma linha de despesa chegaram nesse intervalo. O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na vara especializada do foro central de São Paulo, envolvendo R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos, seguradoras, fornecedores, aluguel e verbas trabalhistas, depois de registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, fechar 298 lojas e desligar cerca de 3 mil pessoas em agosto. E a presidência do Senado assinou o despacho que envia à Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com transição de 14 meses, texto já aprovado pela Câmara no fim de maio.

A conta que o mercado fez cabe em uma linha. A jornada máxima cai quatro horas por semana sobre 44. Quem opera loja, academia ou farmácia sete dias por semana não pode fechar mais cedo, então precisa cobrir essas quatro horas com gente nova ou com hora extra: para cada R$ 100 de folha, a mesma cobertura passa a custar perto de R$ 110. Num negócio cuja margem líquida cabe em um dígito, isso não é ajuste de linha.

O contraexemplo que impede a leitura preguiçosa está na mesma lista de ações. O Magazine Luiza subiu 1,18% no pregão em que a concorrente de loja de rua pediu recuperação judicial, porque para quem fica no jogo o concorrente que sai é notícia boa. Isso separa as duas notícias do dia: a recuperação judicial explica o varejo de eletroeletrônico e não explica academia, atacarejo, farmácia e educação, que não disputam o mesmo cliente. O que esses quatro dividem é a folha.

O que moveu o dia

As três camadas do dia

20 mais líquidos

No bloco de maior giro sobe quem fatura em dólar ou vende contrato de longo prazo para fora, e cai locadora, siderúrgica e distribuição, que dependem de crédito, de frete e de consumo interno.

MAIORES ALTAS
VBBR3+1,63%
WEGE3+1,00%
EMBJ3+0,85%
EQTL3+0,79%
PETR4+0,31%
MAIORES BAIXAS
RENT3-2,87%
GGBR4-2,34%
UGPA3-1,63%
RADL3-0,93%
BBAS3-0,84%

BESST

Dentro do bloco perene, quem sobe é seguradora e transmissão, com receita indexada e contrato garantido, e quem cai é saneamento e distribuição de energia, que carregam investimento pesado financiado com dívida de prazo longo.

MAIORES ALTAS
EQTL3+0,79%
PSSA3+0,59%
CPFE3+0,46%
BPAC11+0,44%
CXSE3+0,11%
MAIORES BAIXAS
SAPR11-2,05%
LIGT3-1,86%
CSMG3-1,70%
ABCB4-1,50%
WIZC3-1,33%

Mercado geral

As cinco maiores perdas do dia são varejo de vestuário, construtora e academia, ou seja, negócios que dependem de crédito ao consumidor e de gente na operação. As altas vêm de saúde, software e celulose, que não compartilham nenhuma dessas duas exposições.

MAIORES ALTAS
HAPV3+3,04%
AZZA3+2,47%
TOTS3+2,00%
VBBR3+1,63%
SUZB3+1,43%
MAIORES BAIXAS
CEAB3-5,87%
CURY3-3,93%
DIRR3-3,56%
LREN3-3,45%
SMFT3-3,21%

Radar de Risco do dia

Radar de Risco de 18/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30. A faixa sai da série mensal que vence em 21/08 e restam três pregões de prazo. O nível é a razão entre a volatilidade implícita dessa série e a volatilidade histórica de cada papel. Leitura informativa, sem recomendação.

Opção é o único preço da bolsa que não fala de direção: fala de amplitude e de prazo. Quem compra proteção está comprando um movimento de tamanho definido até uma data definida, e esse prêmio pode ser lido de volta como a volatilidade que o mercado aceita pagar pelo que ainda vai acontecer. O Radar de Risco faz essa leitura em vinte e um ativos e traz duas medidas. A primeira é a razão entre a implícita da série vigente e a volatilidade histórica do próprio papel, que responde se o seguro está caro ou barato para o padrão daquele ativo, e não para a média da bolsa. A segunda é a faixa de um desvio até o vencimento, que é o intervalo onde o próprio mercado precifica a maior parte dos desfechos. Duas ressalvas de método que valem para toda leitura desta seção: implícita alta não indica queda, indica movimento, e faixa não é barreira, é a amplitude que estava paga no momento da captura.

BOVA11o Ibovespa inteiro em uma cotarisco normal
R$ 160,65hoje R$ 163,55R$ 166,45

A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 21/08/2026: uma oscilação de até 1,8% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.

O papel do dia · LREN3

O quadro é o da captura das 16h30 de 18/08, com a série da faixa vencendo em 21/08 e três pregões pela frente. Comece pelo que a passagem do tempo faz com o desenho: amplitude cresce com a raiz do prazo e não com o prazo, então a faixa publicada em 14/08, medida com cinco pregões, era cerca de trinta por cento mais larga que esta pelo prazo apenas, sem nenhuma mudança de medo. Quem compara faixa datada sem descontar isso conclui que o mercado se acalmou quando o mercado só ficou com menos dias. O fato central desta captura é o preço do seguro do índice inteiro. O BOVA11 sai com implícita de 16,23% na série de 21/08 contra volatilidade histórica de 17,60%, razão de 0,92, e em 17/08 a mesma conta dava 0,94 com implícita de 16,86%. Ou seja: no pregão que fechou a décima primeira queda seguida do índice, a proteção do índice ficou mais barata, não mais cara. A leitura correta disso não é que o risco acabou. É que ninguém está pagando adiantado por ele, o que combina com saída ordenada de posição e não com pânico. Queda com seguro barateando é gente vendendo ação; queda com seguro encarecendo é gente comprando defesa. Só um dos dois está acontecendo, e o teste é objetivo: no dia em que a implícita da mensal do BOVA11 passar da histórica de 17,60% num pregão de baixa, a leitura vira. A consequência prática da razão abaixo de um com prazo curto é a mesma para todos os sete papéis que saem em risco baixo nesta captura, entre eles Itaú com 0,87, Banco do Brasil com 0,86 e WEG com 0,77: quem compra amplitude barata a três pregões do vencimento compra velocidade, não seguro. O valor da opção derrete com o tempo, então o movimento precisa vir rápido, e não eventualmente. Um degrau do quadro é dividendo e não medo, e a distinção continua valendo sempre. A Gerdau fica data-com em 19/08 e negocia sem o direito em 20/08, ou seja, o corte mecânico de preço cai dentro da janela que termina em 21/08, e por isso o papel aparece um degrau acima na régua mesmo com razão de 0,97. A Petrobras tem data ex em 24/08, depois do vencimento da série, e não sobe degrau nenhum. O que importa para a opção não é a data-com, é a data ex, porque é nela que o preço cai. Duas ressalvas de método ficam publicadas em vez de escondidas. A primeira está na mineradora do quadro, cujo cabeçalho de série marca implícita de 21,44% enquanto a trava no dinheiro devolve cerca de 24,0%: a razão entre as duas leituras é 1,12, abaixo do gatilho de 1,5 vez, então o cabeçalho fica, mas ele decide a classe, que sai como baixo pelo número impresso e ficaria como normal pelo derivado. A segunda é o encerramento da ressalva anterior: em 17/08 o papel de celulose do quadro foi publicado como alto com o cabeçalho em 35,24% contra 28,93% na trava, e nesta captura o cabeçalho marca 28,08% com a trava em cerca de 27,4%, ou seja, o número impresso convergiu para onde a conferência dizia que ele estava, e o papel volta para normal. Ressalva publicada é ressalva que pode ser cobrada depois. Por fim, o placar não se conta no meio do caminho. A faixa é lida no fechamento do vencimento, então encostar no teto ou no piso durante a semana não resolve nada, e o veredito dos vinte e um nomes só existe em 21/08.

PETR4risco normal
Petrobras · petróleo, câmbio e política de preçoshoje R$ 42,60
o mercado paga por até 2,8% na semanafaixa de R$ 41,42 a R$ 43,78
VALE3risco baixo
Vale · minério de ferro e demanda chinesahoje R$ 71,55
o mercado paga por até 2,3% na semanafaixa de R$ 69,88 a R$ 73,22
ITUB4risco baixo
Itaú Unibanco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 38,19
o mercado paga por até 2,4% na semanafaixa de R$ 37,29 a R$ 39,09
BBDC4risco normal
Bradesco · crédito, inadimplência e margemhoje R$ 16,12
o mercado paga por até 2,6% na semanafaixa de R$ 15,70 a R$ 16,54
BBAS3risco baixo
Banco do Brasil · crédito rural, provisão e políticahoje R$ 17,80
o mercado paga por até 2,8% na semanafaixa de R$ 17,30 a R$ 18,30
ABEV3risco normal
Ambev · consumo, custo de insumo e câmbiohoje R$ 14,73
o mercado paga por até 2,2% na semanafaixa de R$ 14,40 a R$ 15,06
MGLU3risco normal
Magazine Luiza · varejo alavancado, sensível a jurohoje R$ 4,28
o mercado paga por até 6,9% na semanafaixa de R$ 3,98 a R$ 4,58
PRIO3risco baixo
PRIO · produção de petróleo e Brenthoje R$ 61,50
o mercado paga por até 3,3% na semanafaixa de R$ 59,44 a R$ 63,56
B3SA3risco normal
B3 · volume negociado e apetite por riscohoje R$ 14,30
o mercado paga por até 3,6% na semanafaixa de R$ 13,79 a R$ 14,81
BPAC11risco normal
BTG Pactual · banco de investimento e mercado de capitaishoje R$ 50,22
o mercado paga por até 3,6% na semanafaixa de R$ 48,43 a R$ 52,01
WEGE3risco baixo
WEG · indústria global e câmbiohoje R$ 48,47
o mercado paga por até 2,6% na semanafaixa de R$ 47,22 a R$ 49,72
SUZB3risco normal
Suzano · celulose em dólar e custo de caixahoje R$ 41,16
o mercado paga por até 3,1% na semanafaixa de R$ 39,90 a R$ 42,42
RENT3risco normal
Localiza · juro, preço de carro usado e frotahoje R$ 32,47
o mercado paga por até 3,7% na semanafaixa de R$ 31,26 a R$ 33,68
LREN3risco normal
Lojas Renner · varejo de vestuário e rendahoje R$ 10,64
o mercado paga por até 4,3% na semanafaixa de R$ 10,18 a R$ 11,10
GGBR4risco alto
Gerdau · aço, importação chinesa e construçãohoje R$ 24,20
o mercado paga por até 3,2% na semanafaixa de R$ 23,42 a R$ 24,98fica ex em 20/08
CSNA3risco baixo
CSN · aço, minério e alavancagemhoje R$ 4,54
o mercado paga por até 5,7% na semanafaixa de R$ 4,28 a R$ 4,80
HAPV3sem leitura hoje
Hapvida · sinistralidade, judicialização e reajustehoje R$ 6,78Sem a grade de opções do dia, este papel fica sem faixa. A leitura volta no próximo fechamento com a captura feita antes do leilão.
CMIG4risco normal
Cemig · tarifa, regulação e distribuiçãohoje R$ 10,17
o mercado paga por até 2,4% na semanafaixa de R$ 9,93 a R$ 10,41
AXIA3risco normal
Axia Energia · geração, transmissão e regulaçãohoje R$ 49,90
o mercado paga por até 3,3% na semanafaixa de R$ 48,26 a R$ 51,54
USIM5risco baixo
Usiminas · aço plano, indústria e importaçãohoje R$ 6,24
o mercado paga por até 4,8% na semanafaixa de R$ 5,94 a R$ 6,54
A régua, do mais calmo ao mais tenso
risco baixoo seguro está mais barato que a agitação normal do papel; o mercado não vê nada marcado pela frente
risco normalo seguro custa o de sempre para aquele papel; semana sem evento na conta
risco altoo seguro subiu acima do padrão do papel; alguém está pagando para se proteger de alguma coisa
risco extremoseguro muito acima do padrão, quase sempre com data marcada no calendário, como um balanço
Como usar em 3 passos
1
Comece pelo nível

Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.

2
Depois olhe a faixa

É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.

3
Por fim, a tag de evento

Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.

Direção ninguém sabe; risco tem preço.

Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.

Os números do fechamento

Ibovespa166.334,86 pontos

Queda de 0,27%, com 1.268.175 negócios e R$ 15,3 bilhões girados. Décima primeira sessão consecutiva de baixa.

Placar interno61 caem, 22 sobem

Entre as 85 ações que o Radar acompanha, com 2 estáveis. Ao meio-dia eram 52 em queda e 33 em alta.

BOVA11R$ 163,55

Queda de 0,15%, com R$ 403,1 milhões girados no dia.

Dólar à vistaR$ 5,2145

Alta de 0,20% na leitura das telas do pregão, com o dólar futuro a 5.230,00 pontos.

Maior altaHAPV3 +3,04%

Hapvida fecha a R$ 6,78 sem comunicado da companhia nesta data.

Maior baixaCEAB3 -5,87%

C&A Modas fecha a R$ 7,38, também sem comunicado da companhia nesta data.

Nasdaq-1,33%

Fechou aos 26.289,71 pontos. S&P 500 em baixa de 0,69% e Dow Jones em queda de 0,22%.

Seguro do índicerazão 0,92

Implícita de 16,23% na série de 21/08 do BOVA11 contra volatilidade histórica de 17,60%. Em 17/08 a razão era 0,94.

O que fica no radar