O índice ficou parado e a bolsa inteira trocou de lado, com quase doze pontos separando quem vende para fora de quem vende aqui dentro
O Ibovespa caiu 0,23% e fechou aos 167.491,07 pontos, na sétima queda seguida, com R$ 24,18 bilhões girados. A variação pequena é a média de duas pontas que puxaram com força para lados opostos: entre os 84 papéis, 29 subiram, quatro ficaram estáveis e 51 caíram, com 11,80 pontos percentuais entre a maior alta e a maior baixa. Em cima ficaram EMBJ3, com 4,00%, CMIN3, com 3,95%, GGBR4, com 2,98%, e SUZB3, com 2,65%, todas empresas que faturam em moeda estrangeira. Embaixo ficaram BRKM5, com queda de 7,80%, DIRR3, com 4,72%, e TOTS3, com 4,15%, todas dependentes do consumo e do crédito daqui. Lá fora a inflação americana subiu 0,1% em julho e desacelerou para 3,4% em doze meses, e mesmo assim o dólar subiu 0,42% aqui, a R$ 5,1968.
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O dia teve duas bolsas dentro do mesmo índice, e elas se anularam na conta final. As cinco maiores altas do painel foram Embraer, com 4,00%, CSN Mineração, com 3,95%, Gerdau, com 2,98%, a controladora Metalúrgica, com 2,81%, e Suzano, com 2,65%. Todas vendem para fora ou vendem produto cotado em moeda estrangeira. As cinco maiores baixas foram Braskem, com 7,80%, Direcional, com 4,72%, Totvs, com 4,15%, C&A, com 3,34%, e Azzas, com 2,70%. Todas dependem do consumo, do crédito e da obra aqui dentro. São 11,80 pontos percentuais entre as duas pontas no mesmo pregão, com R$ 24,18 bilhões girados: variação pequena com giro grande é troca de mão, não calmaria.
Lá fora o dia foi de alívio. A inflação ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,1% em julho e desacelerou para 3,4% em doze meses, segunda queda seguida, com o núcleo em 2,5%, o menor nível desde fevereiro. Esse é o tipo de notícia que costuma derrubar o dólar em país emergente, porque dinheiro global menos caro procura risco. Aqui aconteceu o contrário: a moeda subiu 0,42%, a R$ 5,1968, com o contrato futuro fechando em 5.214,00 pontos. Quando o vento de fora melhora e o barco não anda, o problema não está no vento.
Por setor, o saneamento foi o único bloco a fechar em alta, com alta de 0,37% no agregado, depois de ter sido o pior do painel na véspera. Seguros e seguridade cederam 0,05%, telecomunicações 0,29%, energia elétrica 0,66% e bancos 0,82%, este último na véspera do resultado que o mercado passou a semana discutindo.
O que moveu o dia
- A inflação americana veio boa e o dólar subiu aqui. Alta de 0,1% no mês, 3,4% em doze meses e núcleo em 2,5%, o menor desde fevereiro. Mesmo assim a moeda avançou 0,42%, o que o mercado atribuiu à agenda eleitoral e à discussão fiscal.
- O bloco de metais fez o oposto exato de ontem. CMIN3, GGBR4, GOAU4 e CSNA3 fecharam todas em alta, junto com VALE3. Na véspera elas tinham se partido ao meio, e o que as uniu hoje foi o câmbio, não o produto.
- A maior baixa foi a petroquímica, no dia do próprio balanço. BRKM5 caiu 7,80%: ela compra nafta e vende plástico, então barril caro é custo e dólar alto encarece o insumo importado sem garantir repasse.
- O seguro do índice ficou o mais barato do quadro. A proteção do BOVA11 fechou com implícita de 16,03% para a série do mês contra 19,19% de volatilidade histórica, enquanto a série que vence sexta embute 8,2% para BBAS3, que reporta hoje à noite.
- O varejo de roupa foi vendido em bloco. CEAB3 caiu 3,34%, AZZA3 recuou 2,70% e LREN3 cedeu 2,41%. É a compra que dá para adiar sem consequência, e por isso costuma ser a primeira a ser vendida quando surge dúvida sobre a renda.
- O saneamento virou de lado em um dia. Depois de liderar as quedas na terça com 3,98%, o bloco foi o único em alta hoje, com 0,37%. O dinheiro dessas empresas entra ao longo de décadas, então elas são as que mais reagem quando o mercado muda de ideia sobre juro.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os papéis de maior giro, quem sobe fatura em moeda estrangeira ou tem contrato indexado, e quem cai depende de crédito e de consumo no país.
BESST (fechamento)
O saneamento foi o único bloco do painel a fechar em alta, e a geradora com energia vendida a preço de mercado ficou na ponta oposta da transmissora com receita corrigida.
Mercado geral (fechamento)
As cinco maiores altas vendem para fora e as cinco maiores baixas vendem aqui dentro; é a divisão mais limpa que o painel entrega há semanas.
Radar de Risco do dia
Retrato datado de 12/08/2026, lido nas grades de opções do fim da tarde. O quadro vivo, atualizado a cada fechamento, fica na página inicial e na página de Ações.
Toda semana alguém paga, no mercado de opções da B3, para se proteger de um tombo em uma ação. Quanto mais gente com medo, mais caro fica esse seguro. O Radar de Risco lê esse preço e traduz em duas coisas: se a proteção do papel está cara ou barata para o padrão dele, e em que faixa o próprio mercado coloca a maioria dos cenários até a próxima sexta. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 14/08: uma oscilação de até 1,5% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O medo mudou de endereço em vinte e quatro horas. Ontem o quadro inteiro andava junto e o assunto era o país; hoje a proteção do índice ficou a mais barata de todo o quadro, com a implícita do mês em 16,03% contra volatilidade histórica de 19,19%, enquanto o papel do banco público precifica movimento de 8,2% em dois pregões, na noite do próprio balanço. Comprar seguro do índice virou barato e comprar seguro de uma empresa específica virou caro, que é o desenho de quem parou de temer o Brasil inteiro e passou a temer um resultado de cada vez. Conferência de método no papel do dia, obrigatória depois do caso de segunda: o painel imprimiu 91,21% na série da semana e o preço do par no dinheiro da própria grade sustenta cerca de 84%, diferença dentro da tolerância, então a faixa publicada usa o número do painel e não a conta alternativa. Nas pontas calmas, Itaú e o próprio índice em risco baixo mostram que o setor financeiro grande não está sendo tratado como o problema, e a PRIO segue com a proteção mais barata entre as ações, razão de 0,73, no quarto pregão em que o barril não cai.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Cedeu 0,23%, aos 167.491,07 pontos, na sétima queda seguida
O ETF que segue o Ibovespa caiu 0,23%
Subiu 0,42%, com o contrato futuro em 5.214,00 pontos
Alta de 0,1% em julho e núcleo em 2,5%, menor desde fevereiro
Em 1.683.776 negócios no índice à vista
Fechou a R$ 96,18, com R$ 821,2 milhões girados
Fechou a R$ 5,20, no dia do próprio balanço
29 altas, 4 estáveis e 51 quedas entre os 84 papéis
O que fica no radar
- O maior bloco de resultados da temporada saiu hoje à noite. Reportaram BBAS3, SBSP3, SUZB3, MRV, BRKM5, AZZA3, HAPV3, Rede D’Or, Ultrapar, Rumo, Eneva e Equatorial Energia. O banco público apresenta o resultado amanhã às 9h.
- As vendas no varejo de junho saem amanhã. É a primeira medida oficial da dúvida que o painel de hoje já mostrou, com o varejo de vestuário vendido em bloco. Reportam também Cemig, CPFL, Light e Cyrela.
- Tres proventos novos sairam com os balancos desta semana. TAEE11 aprovou R$ 206,8 milhões, R$ 0,60023833452 por unit, com data-com em 14/08 e pagamento em 26/11; UGPA3 aprovou R$ 1,085 bilhão, R$ 1,00 por ação, com data-com em 24/08 e pagamento em 03/09; e BBAS3 aprovou juro sobre capital de R$ 584,9 milhões, R$ 0,10245643978 por ação, com data-com em 01/09 e pagamento em 11/09. Confirme no RI.
- Duas data-com fecham nesta sexta. CURY3 aprovou R$ 190 milhões em dividendos com o balanço de terça, R$ 0,6167 por ação, com data-com na sexta, 14/08, ex em 17/08 e pagamento em 08/09; ALUP11 fica data-com amanhã, de R$ 0,21 por unit. Confirme no RI.
- Amanhã ALUP11 encerra a data-com. Quem quiser o dividendo de R$ 0,21 por unit precisa estar na base no fechamento de 13/08. Hoje WEGE3 pagou R$ 0,4128 por ação e ABCB4 pagou o juro sobre capital.
- A faixa da semana vence na sexta. As séries semanais que sustentam a faixa do Radar de Risco vencem em 14/08, e o vencimento costuma concentrar giro na última hora. No mesmo dia BPAC11 paga o juro sobre capital e reportam Cosan, Vibra e Copasa.
