O Ibovespa cai 1,73%, aos 172.513 pontos, e o recorde de Nova York deixa a bolsa daqui sozinha
A semana fechou com um descolamento raro. O Ibovespa recuou 1,73%, aos 172.513,42 pontos, acumulando perda perto de 3% em cinco pregões, o BOVA11 caiu 1,55%, a R$ 169,37, e o dólar à vista cedeu 0,50%, a R$ 5,0977, enquanto o S&P 500 fechava em máxima histórica nos Estados Unidos. O papel que fez o dia foi a Petrobras (PETR4), com R$ 4,06 bilhões negociados, o maior volume do pregão, e queda de 2,99%, a R$ 40,87, um dia depois do lucro de R$ 52,4 bilhões: a ação abriu em alta e virou quando o diretor financeiro afirmou em entrevista que dificilmente haverá dividendo extraordinário. A Renner (LREN3) foi a maior baixa, com 8,09%, a R$ 12,39, depois de ter caído mais de 13% no meio do dia, e o Fleury (FLRY3) foi a maior alta, com 9,73%, a R$ 18,95. Nesta edição estreia o Radar de Risco, com o nível de risco e a faixa esperada da semana de nove papéis, extraídos do preço das opções da B3.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O pregão teve venda ampla e um único vetor por trás de tudo: o relatório de emprego dos Estados Unidos, que apontou o fechamento de 23 mil vagas em julho contra expectativa de criação de 83 mil. Lá fora, o dado tirou do preço a hipótese de alta de juro e levou o S&P 500 a 7.757,64 pontos, recorde de fechamento, com o Nasdaq acumulando a melhor semana desde abril. Aqui, o mesmo número foi lido como economia global perdendo tração, e o gestor estrangeiro reduziu exposição a bolsa emergente: o Ibovespa fechou aos 172.513,42 pontos, em queda de 1,73%, com dez altas, três estáveis e setenta quedas entre os 83 papéis do painel. A Petrobras (PETR4) caiu 2,99% com o maior volume do dia, a Renner (LREN3) caiu 8,09% com o maior número de negócios do pregão e o BTG Pactual (BPAC11) recuou 4,07% depois de reportar R$ 4,96 bilhões de lucro. Na ponta oposta, o Fleury (FLRY3) subiu 9,73% e a Azzas 2154 (AZZA3) avançou 5,06%. O dólar à vista caiu 0,50%, a R$ 5,0977, sem sustentar o índice.
O que moveu o dia
- O índice caiu na contramão do recorde lá fora. O Ibovespa terminou aos 172.513,42 pontos, em queda de 1,73%, e a semana fechou com perda perto de 3%. Nos Estados Unidos, o S&P 500 subiu 0,62% e fechou em 7.757,64 pontos, recorde, o Nasdaq avançou 1,3% e o Dow Jones subiu 0,28%.
- A Petrobras concentrou o giro e caiu. A PETR4 fechou a R$ 40,87, queda de 2,99%, com R$ 4,06 bilhões negociados, o maior volume do pregão e cerca de três vezes o do segundo colocado. O papel abriu em alta com o lucro de R$ 52,4 bilhões e virou quando o diretor financeiro descartou dividendo extraordinário.
- A Renner foi a maior baixa, mas com o maior giro do dia. A LREN3 caiu 8,09%, a R$ 12,39, depois de ter recuado mais de 13% no meio do pregão. Foram 84.256 negócios e R$ 1,28 bilhão em volume, mais negócios do que a própria Petrobras, o que descreve troca de mão e não abandono.
- O Fleury liderou as altas depois do balanço. A FLRY3 subiu 9,73%, a R$ 18,95, com lucro de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, avanço de 45,7% em doze meses e acima do consenso, receita de R$ 2,32 bilhões, Ebitda de R$ 613 milhões e geração de caixa operacional de R$ 695,8 milhões.
- O BTG Pactual entregou R$ 4,96 bilhões e a ação caiu. A BPAC11 recuou 4,07%, a R$ 53,91, mesmo com o lucro do segundo trimestre lido como sólido num período fraco para o mercado de capitais; o banco entrou na temporada como preferência quase unânime do setor, então sobrou pouco para comprar depois do fato.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os de maior giro, o Fleury e a Embraer sustentam a ponta de cima, enquanto a Renner, a Energisa e o BTG Pactual concentram a queda, os três com balanço já na mesa.
BESST (fechamento)
No BESST não houve uma única alta: o Santander e a Light ficaram no zero e o resto do bloco fechou em queda, com energia elétrica e seguros na ponta de baixo.
Mercado geral (fechamento)
Da maior alta à maior queda do painel vão 17,82 pontos percentuais, e sete dos dez extremos são de empresas que divulgaram resultado nas últimas 48 horas.
Radar de Risco do dia
Toda semana alguém paga, no mercado de opções da B3, para se proteger de um tombo em uma ação. Quanto mais gente com medo, mais caro fica esse seguro. O Radar de Risco lê esse preço e traduz em duas coisas: se a proteção do papel está cara ou barata para o padrão dele, e em que faixa o próprio mercado coloca a maioria dos cenários até a próxima sexta. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 14/08: uma oscilação de até 2,4% para cada lado.
O Banco do Brasil é o único papel do quadro com o seguro caro, e ele tem endereço: o balanço do segundo trimestre sai em 12/08, dentro da janela. A série que vence em 14/08 marca volatilidade implícita de 43,64% contra 35,91% da mensal, ou seja, a semana do evento custa mais caro que o mês inteiro. Do outro lado, o Magazine Luiza saiu de risco extremo para normal em um único dia: a implícita da semanal desabou de 120,46% para 56,79% depois do balanço, mesmo com a ação caindo 3,72%. Quem comprava proteção pagava pela incerteza do evento, não pela direção, e o prêmio evaporou junto com o evento.
A régua compara cada papel com ele mesmo: baixo é seguro mais barato que a agitação normal dele, normal é o de sempre, alto é alguém pagando para se proteger de alguma coisa e extremo quase sempre tem data marcada no calendário. Direção ninguém sabe; risco tem preço. Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Recuou 1,73%, aos 172.513,42 pontos, com perda perto de 3% na semana
O ETF que segue o Ibovespa caiu 1,55%, a R$ 169,37
Cedeu 0,50%, a R$ 5,0977, com o índice caindo junto
Mantida a régua cortada em 05/08; o Comitê só volta a se reunir em 15 e 16/09
Maior alta, a R$ 18,95, com lucro de R$ 221,9 milhões no 2T e avanço de 45,7%
Maior baixa, a R$ 12,39, com 84.256 negócios, o maior número do pregão
O que fica no radar
- O dia 12/08 concentra a temporada. O Banco do Brasil (BBAS3) reporta o segundo trimestre junto de Sabesp, Suzano, MRV, Braskem, Ultrapar e Azzas 2154. O preço das opções já cobra por essa data: a série que vence em 14/08 marca volatilidade implícita de 43,64%, acima dos 35,91% da mensal.
- A data-com da Petrobras em 21/08. A PETR4 fica data-com da distribuição de R$ 17,4 bilhões, R$ 1,35 por ação, e passa a negociar ex em 24/08, com pagamento em 23/11 e 21/12. Pelo peso do papel, o ajuste no ex aparece no próprio índice, e isso é mecânica de provento.
- O Estreito de Ormuz mais perto de reabrir. Um oficial iraniano afirmou que há um arcabouço acertado com Omã para reabrir a rota, com decisão final em instâncias superiores, e o Brent recuou para perto de US$ 82 o barril. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo.
- O Radar de Risco passa a rodar todo fechamento. A partir de hoje o nível de risco e a faixa esperada da semana de nove papéis são publicados e arquivados a cada fechamento. É leitura informativa do que os preços das opções indicam, nunca direção nem recomendação.
