Ibovespa fecha de lado e descola de Wall Street, que dispara com o Dow em recorde.
No fechamento desta segunda, o Ibovespa à vista ficou praticamente de lado, aos 173.205 pontos (queda de 0,05%), num descolamento e tanto de Wall Street, que teve um dos dias mais fortes do mês. Em Nova York, o Dow Jones fechou acima de 52 mil pontos pela primeira vez na história (alta de 0,59%), a Nasdaq saltou 2,07% e o S&P 500 subiu 1,18%, embalados pela volta da tecnologia, pela manutenção da diretora do Federal Reserve no cargo, decidida pela Suprema Corte, e pela trégua entre Estados Unidos e Irã. Por aqui, faltou peso: a Braskem disparou 5,76% e o varejo brilhou (Magazine Luiza +4,50%, Natura +4,01%), com os frigoríficos juntos (Marfrig +3,51%, Minerva +3,06%), mas a Embraer recuou 2,10%, a B3 caiu 1,41% e a Vale fechou de lado, segurando o índice. O dólar terminou perto de R$ 5,18, com o real firme.
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A segunda andou de lado o dia inteiro, sem conseguir acompanhar a força do exterior. Em Nova York, a tecnologia voltou com tudo e levou o Dow a um fechamento recorde, mas por aqui o índice ficou represado. O motivo foi a composição: as ações que mais subiram, como Braskem, varejo e frigoríficos, têm peso pequeno no Ibovespa, enquanto as de maior peso, Vale, Embraer e B3, ou ficaram de lado ou caíram. Resultado: um índice quase estável num dia em que o humor lá fora era de festa.
O que moveu o dia
No mercado amplo, a Braskem disparou e liderou (BRKM5 +5,76%), seguida do Magazine Luiza (MGLU3 +4,50%), da Natura (NATU3 +4,01%), da Marfrig (MBRF3 +3,51%) e da Minerva (BEEF3 +3,06%). O varejo foi o grande beneficiário do ciclo de corte da Selic, com o atacarejo junto (ASAI3 +1,93%). Entre os bancos, Santander e Bradesco puxaram (SANB11 +1,78%, BBDC4 +1,40%), com Itaú e Itaúsa em alta, mas o Banco do Brasil caiu (BBAS3 -0,39%) e a B3 recuou (B3SA3 -1,41%). Do outro lado, a Embraer pesou (EMBJ3 -2,10%) e a TIM despencou (TIMS3 -1,94%); Azzas (-3,21%) e Vivara (-2,29%) lideraram as quedas, com a CSN Mineração (CMIN3 -2,12%) acompanhando o minério fraco.
As três camadas do dia
O Ibovespa fechou de lado, em queda de 0,05% (a 173.205 pontos pelo índice à vista); o BOVA11 caiu 0,01% (R$ 170,21) e o dólar fechou perto de R$ 5,18, num real firme. Na ponta de cima: BRKM5 (+5,76%), MGLU3 (+4,50%), NATU3 (+4,01%) e MBRF3 (+3,51%). Na ponta de baixo: AZZA3 (-3,21%), VIVA3 (-2,29%), CMIN3 (-2,12%) e EMBJ3 (-2,10%).
A sessão teve duas faces: forte rotação para os papéis sensíveis ao juro, varejo, química e frigoríficos, contra o peso morto das exportadoras de minério, da Embraer e da B3. Como o índice é ponderado pelo tamanho das empresas, o ganho expressivo de papéis menores não bastou para levá-lo ao positivo num dia em que Vale e B3 estavam para baixo. Lá fora, o Dow fechou em recorde, com o Fed preservado pela Suprema Corte e a trégua no Oriente Médio dando o tom.
Foi um dia de Brasil descolado do exterior, represado pelas commodities e pela B3, mesmo com o juro doméstico e o humor externo a favor. No pano de fundo, o Banco Central cortou a Selic para 14,25% na semana passada e sinalizou pausa e retomada no ciclo; o IPCA-15 mais brando ajuda, mas a inflação em doze meses, a 4,80%, segue acima do teto e pede cautela. É interpretação, não garantia.
Maiores altas e baixas
| Maiores altas (geral) | BRKM5 +5,76% · MGLU3 +4,50% · NATU3 +4,01% |
| Maiores baixas (geral) | AZZA3 -3,21% · VIVA3 -2,29% · CMIN3 -2,12% |
| Entre os 20 mais líquidos | BBDC4 +1,40% · ITSA4 +0,45% · ITUB4 +0,40% |
Os números do fechamento
| Ibovespa | -0,05% · ~173.205 pts (de lado) |
| BOVA11 | -0,01% · R$ 170,21 |
| Dólar | estável · perto de R$ 5,18 |
| Petróleo (Brent) | leve alta · perto de US$ 72 |
| Minério de ferro | faixa baixa · ~US$ 100, China fraca |
| Petrobras | PETR4 +0,21% · R$ 38,14 |
| Vale | VALE3 -0,03% · R$ 78,13 (de lado) |
| Destaque positivo | BRKM5 +5,76% · lidera o dia |
| Mundo | Wall Street em recorde · Dow acima de 52 mil |
O que fica no radar
O foco passa à temporada de balanços do 2T26, que começa no começo de agosto e tende a guiar os próximos proventos. O Banco Central cortou a Selic para 14,25% na reunião de junho e sinalizou que vai alternar pausa e retomada no ciclo de cortes, então o próximo passo da taxa ganha peso; a inflação em doze meses, a 4,80%, segue acima do teto, o que pede cautela. No exterior, o relatório de emprego nos Estados Unidos sai na quinta, antecipado pelo feriado de 4 de Julho, com o mercado americano fechado na sexta. Fluxo estrangeiro, dólar, petróleo e minério seguem no centro das atenções, com o minério em destaque pelo peso da Vale no índice.
