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Newsletter · Fechamento · Segunda · 29/06/2026
Ibovespa fecha de lado e descola de Wall Street, que dispara com o Dow em recorde.
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O que ninguém tá vendo
À primeira vista, um Ibovespa de lado num dia em que Wall Street disparou parece sinal de que o Brasil ficou para trás. O detalhe que poucos colocam na conta é que o pregão por aqui teve, sim, muita força, só que concentrada em quem pesa pouco no índice. A Braskem subiu quase 6%, o varejo voou (Magazine Luiza +4,50%, Natura +4,01%) e os frigoríficos avançaram, num movimento clássico de rotação para os papéis que mais se beneficiam da queda de juro. O problema é a composição: como o índice é ponderado pelo tamanho das empresas, esses ganhos não aparecem no placar quando os pesos pesados estão parados ou caindo, e foi o que houve, com a Vale de lado, a Embraer recuando mais de 2% e a B3 perdendo 1,4%. O índice quase estável, portanto, esconde um mercado de duas faces, e não um dia fraco. No pano de fundo, vale o ajuste de leitura: o Banco Central cortou a Selic para 14,25% na reunião de junho e sinalizou que vai alternar pausa e retomada no ciclo, então o corte adicional ainda está no jogo, mas não é dado, e a inflação em doze meses, a 4,80%, segue acima do teto. É leitura, não garantia.
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Os números do fechamento
| Ibovespa | de lado · -0,05% · 173.205 pts |
| BOVA11 | -0,01% · R$ 170,21 |
| Dólar | estável · perto de R$ 5,18 |
| Petróleo (Brent) | leve alta · perto de US$ 72 |
| Petrobras (PETR4) | +0,21% · R$ 38,14 |
| Vale (VALE3) | de lado · -0,03% · R$ 78,13 |
Maiores altas (geral): BRKM5 +5,76%, MGLU3 +4,50%, NATU3 +4,01%. Maiores baixas: AZZA3 -3,21%, VIVA3 -2,29%, CMIN3 -2,12%. Lá fora, o Dow fechou em recorde, acima de 52 mil pela primeira vez, e a Nasdaq subiu 2,07%.
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Olho no setor · Bancos
Sendo segunda, o foco vai para os bancos, que fecharam o pregão divididos. Santander (+1,78%) e Bradesco (+1,40%) puxaram, com Itaú (+0,40%) e Itaúsa (+0,45%) em alta, mas o Banco do Brasil recuou (-0,39%) e a B3 caiu (-1,41%). O pano de fundo é o juro. Banco grande é, no fundo, uma posição sobre a trajetória da Selic: quando o ciclo de corte avança, melhora a percepção sobre crédito e inadimplência, e o crédito tende a girar mais. O desempenho desigual de hoje é seleção dentro do setor: Bradesco e Santander lideraram, enquanto o Banco do Brasil, mais exposto ao crédito do agronegócio, ficou para trás, num ponto sensível do ciclo agrícola. A B3 é caso à parte, porque vive do volume negociado em bolsa, e recuou num dia de giro morno no índice. O que se acompanha é o ritmo do ciclo de cortes da Selic, agora que o Banco Central sinalizou alternar pausa e retomada, e a temporada de balanços do segundo trimestre, no começo de agosto, quando saem também os próximos proventos do setor. Não é recomendação, é contexto.
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Amanhã e à frente
Amanhã fecha o primeiro semestre, e o dia traz a data-com da terceira parcela de juros do IRB e os pagamentos de Copel e da segunda parcela do próprio IRB. As negociações entre Estados Unidos e Irã seguem para a terça em Doha, num desfecho que move o petróleo e o humor de risco. Na quinta sai o relatório de emprego nos Estados Unidos, antecipado pelo feriado de 4 de Julho, com o mercado americano fechado na sexta. No quadro doméstico, a próxima reunião do Copom e a temporada de balanços do segundo trimestre, no começo de agosto, ganham peso, agora que o Banco Central sinalizou pausa e retomada no ciclo de cortes. Fluxo estrangeiro, dólar, petróleo e minério seguem no centro das atenções, com o minério em destaque pelo peso da Vale no índice.
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Radar Ibov é conteúdo informativo e jornalístico. Não é recomendação de compra ou venda de ativos. Fato é fato, opinião é opinião, a decisão é sua. Índice à vista, BOVA11, dólar e ações; Brent, minério e mercados externos via fontes de mercado; confirme proventos no RI da empresa e na B3.
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