A prévia da inflação veio melhor que o esperado, e quem mais depende de juro foi quem mais caiu
O Ibovespa fechou aos 174.586,26 pontos, alta de 0,01%, com R$ 19,26 bilhões girados. O índice ficou parado e quase tudo dentro dele trocou de lado: 43 altas, 38 quedas e 4 estáveis entre as 85 ações acompanhadas, contra 73 e 12 na véspera. A prévia de inflação de agosto caiu 0,40%, mais que a estimativa de 0,31%, e mesmo assim o Assaí recuou 6,58% e a Cyrela 2,59%.
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O Ibovespa fechou o pregão desta quarta, 26/08, aos 174.586,26 pontos, alta de 0,01%, com R$ 19,26 bilhões negociados, 1.365.192 negócios e 863.413.100 papéis. Foram 43 altas, 38 quedas e 4 estáveis entre as 85 ações acompanhadas, e 43 renderam mais que o índice. Na véspera o placar tinha sido de 73 altas contra 12 quedas, com R$ 20,42 bilhões girados. O BOVA11 fechou a R$ 171,82, queda de 0,03%, e o dólar à vista a R$ 5,145300, queda de 0,05%.
Um índice parado pode esconder duas coisas muito diferentes: um dia sem movimento nenhum, ou um dia em que metade sobe e metade cai na mesma intensidade. Foi o segundo caso. O placar virou de 73 contra 12 para 43 contra 38 em um único pregão, o que significa que o que mudou não foi o humor geral, e sim o preço relativo entre setores.
O IBGE divulgou de manhã a prévia de inflação de agosto com queda de 0,40%, contra estimativa de mercado de 0,31%. No ano são 3,09% e em doze meses 4,24%, ante 4,52% nos doze meses anteriores. Os grupos de maior queda foram Habitação, com 1,41%, Transportes, com 1,00%, e Alimentação e bebidas, com 0,57%. O grupo que mais subiu foi Despesas pessoais, com 0,66%.
Mesmo com o número melhor que o esperado, os papéis que lideraram a alta de 1,55% da véspera foram os que mais caíram hoje: o Assaí recuou 6,58%, a Cyrela 2,59%, as Lojas Renner 2,53%, a Direcional 2,48% e a Cury 1,81%. A explicação está na composição e no que saiu lá fora. A queda de Habitação vem do repasse do bônus de Itaipu nas contas de luz, um crédito pontual que sai da base de comparação depois; e o índice de preços que o banco central americano acompanha veio acima do esperado, com o juro de dez anos subindo de 4,64% para 4,66%.
O que moveu o dia
- O desconto veio da conta de luz, e o Copom não decide juro por conta de luz. Habitação caiu 1,41% por causa do bônus de Itaipu creditado na fatura, que é abatimento de uma vez só. Despesas pessoais, onde ficam os serviços, subiu 0,66%. Serviço é quase todo salário, reajustado uma vez por ano e sem volta atrás.
- O índice de preços americano vindo acima do esperado. Subiu 0,2% no mês e 3,7% em doze meses, contra 3,6% projetados, com o núcleo em linha a 3,3%. O juro do título de dez anos subiu de 4,64% para 4,66% no mesmo dia.
- O petróleo interrompendo quatro pregões seguidos de queda. O Brent estava em US$ 86,68 no fim da tarde, depois de cair para perto de US$ 85 pela manhã, com o estoque comercial americano subindo apenas 100 mil barris contra os 4,2 milhões previstos pela prévia da indústria.
- A disputa tarifária entre Estados Unidos e Canadá. A tarifa americana sobre aço e carro canadense sobe para 50% em 1º de janeiro e o Canadá anunciou retaliação. O aço subiu em bloco, com a CSN em 3,74%, a Usiminas em 2,30% e a Gerdau em 1,92%.
- O segundo pregão de forte baixa da petroquímica. Caiu 14,36%, somando 25,6% em dois dias. A exclusão de dezoito carteiras de índice da B3 se deu pelo preço de fechamento de ontem, então ela não se aplica ao pregão de hoje.
As três camadas do dia
20 mais líquidos
Entre as vinte mais negociadas, as maiores quedas são varejo, construção e hospital, que são os papéis que mais dependem de juro e que mais subiram na véspera.
BESST
O bloco de seguros subiu 0,97% e o de bancos apenas 0,18%, invertendo o desenho da véspera. O saneamento foi o único bloco negativo, com queda de 0,13%.
Mercado geral
A petroquímica caiu pelo segundo pregão seguido e soma 25,6% de perda em dois dias. As maiores altas são aço e varejo, dois blocos que tinham ficado para trás ontem.
Radar de Risco do dia
Radar de Risco de 26/08/2026, lido nas grades de opções da B3 capturadas às 16h30, com as vinte e uma grades pelo segundo dia seguido. A faixa sai da série que vence em 28/08 e restam dois pregões de prazo, então quase todas encolheram desde ontem: a do índice caiu de 2,1% para 1,7%. Leitura informativa, sem recomendação.
Existe um mercado dentro da bolsa em que se compra e se vende proteção contra o preço de uma ação se mexer. Quem vende essa proteção cobra caro quando acha que a ação vai balançar muito, e cobra barato quando acha que ela vai ficar quieta. O Radar de Risco lê esse preço e o transforma em duas informações. A primeira é o nível: a proteção está cara ou barata comparada ao que aquela ação costuma balançar? A segunda é a faixa: entre que valores, em reais, o mercado está pagando para ver essa ação até a data de vencimento. Nenhuma das duas diz se o preço vai subir ou cair. Vale deixar isso claro logo, porque é o erro mais comum de quem chega agora: proteção cara não é aviso de queda, é aviso de movimento. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 28/08/2026: uma oscilação de até 1,7% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O papel do dia é a locadora de veículos, e o motivo é uma contradição dentro do próprio quadro dela. Pelo critério do mês, ela aparece como um dos dois papéis calmos do Radar: a proteção da série que vence em 18 de setembro custa 35,56% contra 40,69% de oscilação histórica do papel, uma razão de 0,87, que é leitura de risco baixo. Só que a proteção que vence nesta sexta custa 42,56%, ou seja, sete pontos a mais que a do mês e a maior diferença desse tipo em todo o quadro. Em português comum: o seguro do mês está barato e o seguro dos próximos três dias está caro. Quando isso acontece, o que está sendo cobrado é uma data específica dentro da semana, e nesta semana a data é sexta, 28/08, quando saem os dados de emprego formal aqui e o discurso em Jackson Hole. A faixa desta semana vai de R$ 34,06 a R$ 36,74, ou seja, R$ 1,34 para cima ou para baixo do fechamento de hoje, que foi R$ 35,40. O que fazer com isso: se a ação terminar a sexta dentro dessa faixa, o que for divulgado no dia não trouxe novidade. Se terminar fora, apareceu informação que o preço de hoje não tinha. A faixa diz quanto o preço pode andar e nunca diz para que lado.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
alta de 0,01%, com R$ 19,26 bilhões girados, 1.365.192 negócios e 863.413.100 papéis.
altas contra quedas entre as 85 ações acompanhadas, com 4 estáveis. Na véspera tinha sido 73 x 12.
contra estimativa de 0,31%; no ano 3,09% e em doze meses 4,24%.
queda de 0,03%, com R$ 479,3 milhões girados.
queda de 0,05%, com o euro a R$ 5,996385, em queda de 0,22%.
primeira alta depois de quatro pregões seguidos de queda.
subiu de 4,64% depois do índice de preços vir acima do esperado.
O que fica no radar
- Amanhã, 27/08. Taxa de desemprego aqui, começo do encontro de Jackson Hole e a reação ao balanço da Nvidia, que divulgou receita de US$ 96,2 bilhões contra US$ 92,3 bilhões projetados.
- Sexta, 28/08. Discurso do presidente do Federal Reserve por volta das 11h, Caged com a criação de vagas formais e vencimento das opções que formam as faixas do Radar de Risco desta página.
- O guidance da Nvidia tem um detalhe que quase ninguém lê. A projeção de US$ 108,0 bilhões para o trimestre seguinte não assume nenhuma receita de computação de data center vinda da China.
- O bônus de Itaipu sai da base de comparação nos próximos meses. Quando isso acontecer, a variação de Habitação se inverte e devolve parte do alívio publicado hoje.
- A petroquímica tem duas datas, e não uma. São 90 dias para elevar a adesão dos credores acima dos 39,6% atuais, e uma cláusula que permite aos signatários com mais de 66% dos créditos encerrar o plano depois de 45 dias do protocolo.
