O balanço veio acima do esperado e o papel caiu 4,16%: o que derrubou o Banco do Brasil foi uma frase da teleconferência, dita sobre o que ainda não aconteceu
O Ibovespa caiu 0,23% e fechou aos 167.100,95 pontos, na oitava sessão seguida no negativo, a maior sequência de baixas em três anos, com R$ 22,44 bilhões girados e 1.694.570 negócios. O índice andou 1,4% por dentro, entre a mínima de 166.196,92 e a máxima de 168.515,49, para terminar quase onde começou. O papel do dia foi o BBAS3, que divulgou na quarta à noite lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões, acima dos R$ 3,6 bilhões projetados, operou perto da estabilidade a manhã inteira e desabou 4,16% à tarde, quando a diretoria informou na teleconferência que as provisões devem ficar na ponta alta das estimativas e o lucro na ponta baixa. Fora dos bancos, a dispersão foi rara: HAPV3 caiu 33,09% e RDOR3 subiu 6,31%, as duas pontas da mesma conta de atendimento, e MRVE3 subiu 14,29% no mesmo dia em que reportou prejuízo de R$ 626,3 milhões. Entre os 85 papéis, 41 subiram, 42 caíram e dois ficaram estáveis.
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O índice quase não se moveu e isso não foi calma, foi empate. Entre os 85 papéis do painel, 41 subiram, 42 caíram e dois ficaram estáveis, com 47,4 pontos percentuais separando a maior alta da maior baixa. As cinco maiores altas foram MRV, com 14,29%, Cogna, com 7,88%, Rede D'Or, com 6,31%, CSN, com 5,56%, e Ultrapar, com 5,08%. As cinco maiores baixas foram Hapvida, com 33,09%, Minerva, com 7,60%, Sabesp, com 7,04%, Magazine Luiza, com 6,13%, e CSN Mineração, com 5,18%. Nove desses dez nomes divulgaram balanço nesta janela, o que diz de onde veio a dispersão: o dinheiro não saiu da bolsa, mudou de endereço dentro dela.
O evento do dia foi o Banco do Brasil, e a hora em que ele caiu importa mais do que o tamanho da queda. O lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões, divulgado na véspera, veio acima dos R$ 3,6 bilhões projetados, e o papel passou a manhã perto da estabilidade. A queda firme começou no início da tarde, durante a teleconferência, quando o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, afirmou que as provisões devem ficar na ponta alta das estimativas do banco e o lucro na ponta baixa. A inadimplência acima de 90 dias foi a 5,61% em junho, contra 5,05% em março e 3,96% um ano antes, e nas pessoas físicas chegou a 8,41%.
Lá fora a notícia foi boa e não chegou aqui. A inflação ao produtor dos Estados Unidos ficou estável em julho contra junho, abaixo da alta de 0,1% projetada, e subiu 4,7% em doze meses, contra 4,9% esperados, com o núcleo em 0,2% no mês e 4,2% no ano; somada ao índice ao consumidor de ontem, a leitura derrubou a aposta de alta de juro em setembro de mais de 50% na semana passada para perto de 40%. Gestores atribuíram a saída de estrangeiro da bolsa daqui ao interesse por inteligência artificial na Coreia do Sul, no Japão e nos Estados Unidos, que é exatamente o setor que a B3 quase não tem. Por bloco, saneamento foi o pior, com queda de 3,21% no agregado, seguido de telecomunicações, com 3,02%; energia elétrica ficou praticamente parada, com queda de 0,02%.
O que moveu o dia
- O balanço bom virou queda de 4,16% na hora da teleconferência. BBAS3 fechou a R$ 18,21 com lucro acima do esperado. O que mudou o preço foi a orientação de provisão na ponta alta e lucro na ponta baixa, ou seja, informação sobre os próximos trimestres, e não sobre o que já foi medido.
- As duas pontas da saúde andaram em sentidos opostos no mesmo dia. HAPV3 caiu 33,09% com lucro ajustado 95,8% menor e sinistralidade em 75,2%; RDOR3 subiu 6,31% com Ebitda 18,2% maior. O que sai da conta de quem paga o atendimento entra na receita de quem atende.
- A maior alta do painel reportou prejuízo de R$ 626,3 milhões. MRVE3 subiu 14,29% porque a perda veio de baixa contábil de US$ 110 milhões na subsidiária dos Estados Unidos, enquanto a operação brasileira lucrou R$ 155 milhões, alta de 28,2%. Baixa contábil não consome caixa e não se repete.
- A holding subiu com prejuízo e a controlada caiu com lucro maior. CSNA3 avançou 5,56% com prejuízo de R$ 773 milhões e Ebitda 3% acima do consenso; CMIN3 recuou 5,18% com lucro 89% maior e Ebitda 19,7% menor. O mercado precificou a linha que descreve o negócio.
- A Sabesp girou mais dinheiro do que qualquer outro papel da bolsa. SBSP3 caiu 7,04% com R$ 1,90 bilhão negociado e 132.185 negócios, o maior giro do painel, num trimestre de receita recorde de R$ 10,2 bilhões e lucro 31,4% menor.
- O consumo essencial subiu em junho e o consumo financiado caiu. As vendas no varejo avançaram 0,5% sobre maio e 2,9% em doze meses, mas o varejo ampliado, que inclui veículo e material de construção, recuou 1,0% no mês. É o mesmo desenho da inadimplência de 5,61% reportada pelo banco público, com juro básico em 14%.
- A Petrobras subiu sem que o barril tenha se mexido. PETR4 subiu 1,09%, a R$ 41,90, com R$ 1,55 bilhão negociado, o segundo maior giro do painel, num dia em que o barril passou sem movimento relevante. Alta da produtora sem alta do petróleo costuma ter causa interna.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os papéis de maior giro, subiu quem entregou número melhor do que a projeção, e caiu quem falou do futuro em vez do trimestre.
BESST (fechamento)
O saneamento foi o pior bloco do painel e a transmissora com receita corrigida ficou na ponta oposta da distribuidora que reportou queda forte de lucro.
Mercado geral (fechamento)
As cinco maiores altas e quatro das cinco maiores baixas divulgaram balanço nesta janela, e a distância entre as pontas passou de 47 pontos percentuais.
Radar de Risco do dia
Retrato datado de 13/08/2026, lido nas grades de opções do fim da tarde. O quadro vivo, atualizado a cada fechamento, fica na página inicial e na página de Ações.
Toda semana alguém paga, no mercado de opções da B3, para se proteger de um tombo em uma ação. Quanto mais gente com medo, mais caro fica esse seguro. O Radar de Risco lê esse preço e traduz em duas coisas: se a proteção do papel está cara ou barata para o padrão dele, e em que faixa o próprio mercado coloca a maioria dos cenários até a próxima sexta. Não é previsão de direção. É o preço do medo, medido onde ele é pago.
A faixa acima é o que o preço das opções coloca como cenário provável até sexta, 14/08: uma oscilação de até 1,1% para cada lado. Fora dela, apareceu informação que ninguém tinha pago.
O seguro mais caro da história curta deste quadro virou pó em vinte e quatro horas, e a conta está toda aqui. Ontem o Banco do Brasil aparecia em risco extremo, razão 1,76, com a série da semana marcando implícita de 91,21% e embutindo 8,2% de movimento até sexta, porque havia um balanço com hora marcada. Hoje, com o balanço publicado e a teleconferência feita, a mesma série marca 44,03%, a razão caiu para 0,98 e o movimento precificado até sexta é de 2,8%. O papel passou de extremo a normal sem que nada tenha ficado calmo: ele caiu 4,16% no dia. Duas leituras saem daí, e a segunda é a que quase ninguém faz. A primeira: a faixa de ontem, de R$ 17,45 a R$ 20,55, conteve o fechamento de R$ 18,21, então o preço do seguro acertou o tamanho da agitação sem dizer nada sobre a direção, que é exatamente o que ele se propõe a fazer. A segunda: quem comprou proteção pagando por 8,2% e recebeu 4,16% perdeu dinheiro num dia de queda forte, porque além de o movimento ter vindo menor que o preço cobrado, o próprio preço da proteção encolheu pela metade quando a dúvida virou fato. É por isso que acertar o lado não garante ganho. No resto do quadro, o desenho de hoje é de calmaria rara: oito dos nove papéis em risco normal e a PRIO no piso da régua, com razão 0,90, o que descreve um painel que já digeriu a temporada de balanços e ainda não achou o próximo evento com data marcada.
Ele compara o preço do seguro de hoje com a agitação que o próprio papel teve nos últimos meses. Não serve para comparar um papel com o outro, e sim cada papel com ele mesmo.
É o intervalo onde o preço das opções coloca a maioria dos cenários até sexta. Se o papel terminar a semana dentro dela, o movimento já estava pago; se terminar fora, apareceu informação nova.
Quando ela aparece, o seguro caro tem endereço: um balanço, uma data-com, uma decisão marcada. Seguro caro sem tag é nervosismo; com tag, é calendário.
Direção ninguém sabe; risco tem preço.
Leitura informativa do que os preços das opções indicam. Não é recomendação.
Os números do fechamento
Cedeu 0,23%, na oitava sessão seguida em baixa, a maior sequência em três anos
O ETF que segue o Ibovespa caiu 0,32%
Com 1.694.570 negócios, em pregão decidido por balanço, um por um
Mínima de 166.196,92 e máxima de 168.515,49 pontos
Papéis em alta contra papéis em queda, com dois estáveis entre os 85
Sem variação em julho contra junho, abaixo da alta de 0,1% projetada, e 4,7% em doze meses
Sobre maio, e alta de 2,9% em doze meses; o varejo ampliado caiu 1,0% no mês
O que fica no radar
- Amanhã vencem as séries semanais de opções. O vencimento costuma concentrar giro na última hora do pregão, porque quem montou posição para a semana precisa encerrar ou rolar. É também a data em que a faixa se liquida: o Radar de Risco de hoje coloca BBAS3 entre R$ 17,70 e R$ 18,72 até sexta, com oito dos nove papéis do quadro em risco normal e a PRIO no piso da régua.
- Duas data-com encerram amanhã, 14/08. CURY3 com R$ 0,6167878071 por ação e pagamento em 08/09, e TAEE11 com R$ 0,60023833452 por unit e pagamento em 26/11. No mesmo dia BPAC11 paga R$ 0,640768146 líquido por unit. Confirme no RI.
- A Alupar passa a negociar sem o dividendo amanhã. ALUP11 encerrou hoje a data-com de R$ 0,21 por unit, com pagamento até 06/10, e subiu 2,82% no último pregão com direito. O preço se ajusta na abertura de amanhã. Confirme no RI.
- Amanhã encerra a temporada de balanços do trimestre. Reportam CSAN3 e VBBR3, entre outras. Depois disso o pregão perde o motor que decidiu esta semana papel por papel e volta a depender de macro e de fluxo.
- Emprego e renda no Brasil, varejo nos Estados Unidos. Às 8h sai a Sondagem do Mercado de Trabalho de julho da Fundação Getúlio Vargas e às 10h a taxa de desocupação do trimestre encerrado em julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Às 9h30 saem as vendas no varejo de julho dos Estados Unidos e às 11h a prévia de Michigan.
- A Braskem segue sem número do trimestre publicado. BRKM5 subiu 2,69% em meio à negociação de recuperação extrajudicial de mais de US$ 10 bilhões, com proteção cautelar vigente até 24 de agosto. O resultado do trimestre não foi localizado em fonte primária até esta edição e por isso não sai com valor aqui.
