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Radar Ibov

Newsletter · Fechamento · Terça · 11/08/2026

O petróleo testou os dois lados e o Ibovespa caiu nos dois, aos 167.875 pontos, queda de 2,50% e menor fechamento desde janeiro.

O que ninguém tá vendo

O pregão entregou um teste que raramente aparece limpo. De manhã, com o barril em queda depois do sinal do Catar sobre Ormuz, o índice caía 1,69%. À tarde o Irã reafirmou o bloqueio, a Casa Branca cobrou compensação por danos de guerra, o Brent virou e fechou em alta de 1,4%, a US$ 88,91, quinta valorização seguida, e a bolsa daqui ampliou a perda para 2,50%. Nos dois cenários da mesma variável o preço foi para o mesmo lado, o que elimina o petróleo como causa. A causa apareceu por escrito: o JP Morgan levou a bolsa brasileira de acima da média para neutra e cortou o alvo do Ibovespa no fim de 2026 de 190.000 para 185.000 pontos, projetando um único corte de 0,25 ponto na Selic em setembro seguido de pausa. A confirmação veio das opções: se o choque fosse de petróleo, o seguro da produtora pura encareceria primeiro, e a PRIO (PRIO3) fechou com a proteção mais barata do quadro, implícita mensal de 33,95% contra volatilidade histórica de 41,32%. O mercado não comprou a narrativa da manchete; comprou dólar.

Os números do fechamento

Ibovespa-2,50% · 167.875 pts
BOVA11-2,49% · R$ 165,05
Dólar+1,32% · R$ 5,1751
Brent+1,4% · US$ 88,91
Selic14,00% · próxima reunião 15 e 16/09
CSN Mineração (CMIN3)+2,01% · a R$ 5,57
Usiminas (USIM5)-7,54% · a R$ 6,62

Maiores altas (geral): CMIN3 +2,01%, NATU3 +1,49%, MBRF3 +1,38%, SANB11 +0,92%, BRAV3 +0,81%. Maiores baixas: USIM5 -7,54%, BPAC11 -5,77%, RADL3 -5,68%, SAPR11 -5,43%, HAPV3 -4,95%. Foram sete altas e 77 quedas entre os 84 papéis, sem nenhum estável, com amplitude de 9,55 pontos percentuais e giro de R$ 23,57 bilhões no índice à vista.

Olho no setor · Petróleo: a commodity que subiu e não salvou ninguém

O bloco de petróleo fechou inteiro em queda num dia em que o barril subiu pelo quinto pregão seguido, e essa anomalia é o resumo do dia. A Petrobras (PETR4) caiu 1,35%, a PRIO (PRIO3) recuou 3,25% e a PetroRecôncavo (RECV3) cedeu 3,17%; só a Brava (BRAV3) sustentou alta, de 0,81%. Quando a receita da empresa melhora e o preço cai, o que mudou não foi o numerador, foi o denominador: subiu o prêmio exigido para ficar comprado no país. Vale separar os dois relógios do barril, porque eles não andam juntos. O prêmio de manchete monta e desmonta em horas, com comunicado, e foi ele que oscilou entre a manhã e a tarde. O prêmio de navegação real, medido em embarcações que atravessam Ormuz, seis na segunda-feira contra média de cerca de onze nos dez dias anteriores e entre 125 e 140 antes da guerra, sai devagar e é o que sustenta a quinta alta seguida. Para o Radar, o canal que interessa não é a receita da petroleira, é a inflação: energia cara alimenta exatamente o cenário que a ata daqui descreveu pela manhã e que o relatório estrangeiro transformou em corte de recomendação à tarde.

Amanhã e à frente

Amanhã a inflação americana de julho sai às 9h30 e decide se o alívio de juro lá fora sobrevive a cinco pregões de alta do petróleo; no mesmo dia reportam o Banco do Brasil (BBAS3), Sabesp, Suzano, MRV, Braskem, Azzas, Hapvida (HAPV3), Rede D’Or, Ultrapar, Rumo, Eneva e Equatorial, no dia mais cheio da temporada, e a WEG (WEGE3) paga R$ 0,4128 por ação do plano trienal enquanto o ABC Brasil (ABCB4) paga o juro sobre capital. Fleury (FLRY3) e Energisa (ENGI11) passam a negociar sem direito às rodadas que fecharam a data-com hoje. Na quinta saem as vendas no varejo de junho e reportam Cemig, CPFL, Light e Cyrela, com a Alupar (ALUP11) encerrando a data-com. Na sexta vencem as séries semanais que sustentam a faixa do Radar de Risco e o BTG (BPAC11) paga o juro sobre capital, no primeiro teste do prêmio recorde do Banco do Brasil contra o resultado que sai amanhã.

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