O Ibovespa devolve a alta do meio-dia e fecha em queda de 0,20%, aos 173.371,35 pontos, na terceira baixa seguida, depois de o barril ir a US$ 91 e voltar e de Trump endurecer com o Irã; o dólar recuou a R$ 5,0896.
A bolsa não caiu no susto do petróleo, caiu depois que o susto passou. O Brent marcou US$ 91,43 pela manhã e devolveu tudo até US$ 86,14 quando o Irã sinalizou disposição de negociar; ao meio-dia o Ibovespa subia 0,20%. À tarde o presidente americano prometeu que o Irã pagará muitas vezes mais por cada soldado morto, Wall Street virou e 66 dos 83 papéis do Radar pioraram do meio-dia ao fechamento. O que segurou a queda foi a composição do índice: Petrobras e bancos, metade da carteira junto com a Vale, fecharam em alta.
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O pregão teve dois tempos e o segundo apagou o primeiro. Pela manhã o Brent superou os US$ 90 e marcou US$ 91,43, máxima em mais de um mês, com os ataques americanos ao Irã no nono dia consecutivo e relato de navio em chamas no Estreito de Ormuz. Ao meio-dia o porta-voz da chancelaria iraniana disse que as negociações com os Estados Unidos podem ser conduzidas com base nos interesses nacionais, o barril devolveu tudo até US$ 86,14 e o Ibovespa marcava alta de 0,20%, aos 174.063 pontos. À tarde o roteiro virou de novo: o presidente americano publicou que, sempre que o Irã matar um soldado dos Estados Unidos, pagará por essa morte muitas vezes mais, diretriz que segundo ele foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, e ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine. Wall Street fechou em queda e aqui 66 dos 83 papéis acompanhados pioraram a variação entre o meio-dia e o fim do pregão. O índice devolveu 692 pontos nesse trecho e encerrou aos 173.371,35, em queda de 0,20%, terceira baixa seguida, com 30 altas contra 52 quedas e giro somado de R$ 11,50 bilhões. O contraste do dia ficou no câmbio: mesmo com aversão a risco lá fora, o dólar caiu 0,42%, a R$ 5,0896, desfazendo o rompimento de R$ 5,10 da sexta, e o Focus cortou a projeção de inflação de 2026 para 5,15%, terceira semana seguida de queda. Nem assim o bloco sensível a juro reagiu: Cyrela caiu 2,31%, MRV 1,92%, Direcional 1,83% e Sanepar 1,48%.
O que moveu o dia
- O barril subiu e desceu US$ 5 na mesma sessão. O Brent marcou máxima de US$ 91,43 pela manhã, mínima de US$ 86,14 depois da sinalização iraniana e terminou perto de US$ 88,8; na semana passada havia subido 15,9%. A Petrobras PN fechou em alta de 0,61% e a ON de 0,68%, e juntas responderam por cerca de 12% da carteira teórica.
- A tarde virou em Washington, não em Ormuz. A publicação do presidente americano prometendo cobrar caro por cada soldado morto tirou o otimismo de circulação: o Dow Jones caiu 0,59%, o S&P 500 recuou 0,19% e o Nasdaq cedeu 0,05%, e o Ibovespa devolveu a alta que carregava ao meio-dia.
- O dólar caiu no dia do medo. A moeda à vista fechou a R$ 5,0896, em queda de 0,42%, desfazendo o rompimento de R$ 5,10 da sexta, e o contrato futuro cedeu 0,42%. O Focus da manhã cortou o IPCA de 2026 de 5,16% para 5,15%, terceira queda seguida, com a Selic projetada mantida em 14,00%.
- O que deveria subir com esse câmbio foi o que mais caiu. Construtora, varejo e saneamento lideraram as quedas, com Yduqs perdendo 5,11%, Assaí 4,24%, MBRF 3,39%, Cyrela 2,31% e Sanepar 1,48%. Nenhuma das três maiores quedas teve fato corroborado em fonte de primeira linha até a publicação.
- A Vale caiu por China, não por guerra. A mineradora recuou 1,38%, a R$ 71,93, com o minério em Dalian cedendo 0,39%, a 758 iuanes, e demanda sazonal fraca de aço; com cerca de 11% do índice, foi o maior peso negativo do pregão.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os papéis de maior giro, nove sobem e onze caem. A Embraer lidera no primeiro dia do Farnborough, com Ambev e bancos atrás; nas quedas, a Vibra, a Localiza, o Banco do Brasil e a Vale.
BESST (fechamento)
No BESST, só bancos e telecom fecharam em alta, com 0,14% e 0,21%; energia ficou praticamente no zero, com queda de 0,01%, seguros caíram 0,44% e saneamento 0,62%, o pior dos cinco blocos.
Mercado geral (fechamento)
Brava e Embraer lideram, com Hapvida, Santander e Light atrás. Nas quedas, educação, atacarejo, petroquímica, alimento e locação, sem um vetor comum entre elas.
Os números do fechamento
Caiu 0,20%, aos 173.371,35 pontos, terceira baixa seguida, com 30 altas contra 52 quedas entre os 83 papéis do Radar e giro somado de R$ 11,50 bilhões
O ETF que segue o Ibovespa recuou 0,19%, a R$ 170,30, acompanhando o índice
Caiu 0,42% e desfez o rompimento de R$ 5,10 da sexta, contrariando a aversão a risco lá fora; o contrato futuro cedeu 0,42%, aos 5.106,50 pontos
Marcou máxima de US$ 91,43 pela manhã e mínima de US$ 86,14 depois da sinalização iraniana, terminando perto de US$ 88,8, em alta de cerca de 0,8% no dia
Dow Jones caiu 0,59%, aos 51.839,32 pontos, S&P 500 recuou 0,19%, aos 7.443,31, e Nasdaq cedeu 0,05%, aos 25.508,07, com cautela sobre o Oriente Médio e semicondutores perdendo tração
Caiu 0,39%, com demanda sazonal fraca de aço na China e restrição de Pequim a certos produtos da Fortescue; é ele, e não o petróleo, que move a Vale
A projeção de inflação de 2026 caiu de 5,16% para 5,15%, terceira semana seguida; 2027 ficou em 4,20%, 2028 subiu de 3,70% para 3,78% e a Selic projetada para o fim de 2026 seguiu em 14,00%
Segue em 14,25%; o Banco Central decide em 4 e 5 de agosto
O que fica no radar
- A divergência entre câmbio e bolsa doméstica. O dólar caiu, o Focus cortou a inflação e mesmo assim construtora, varejo e saneamento lideraram as quedas. Se o padrão se repetir no próximo pregão, deixa de ser realização e passa a ser saída de risco doméstico.
- O barril depois do vaivém. O Brent andou mais de US$ 5 entre máxima e mínima na mesma sessão, sem que nada em Ormuz fosse resolvido; prêmio de risco que sai por manchete volta por manchete.
- Vale e Santander em 21/07. A VALE3 divulga a produção do segundo trimestre em 21/07, após o fechamento, com o resultado em 30/07 e a assembleia que escolhe o novo presidente do conselho em 22/07; o SANB11 tem data-com dos R$ 2 bilhões em JCP no mesmo dia, R$ 0,53469 por unit no bruto e R$ 0,44112 no líquido, com pagamento em 06/08.
- A tarifa passa a valer em 22/07 e pode ganhar reforço na sexta. A medida de 25% entra em vigor na quarta, com a lista de isenções ampliada, e a expectativa noticiada é de anúncio de uma sobretaxa adicional de 12,5% em 24/07; a TIMS3 paga R$ 0,168 por ação em 22/07.
- Copom em 4 e 5 de agosto. O Banco Central decide a Selic, hoje em 14,25%, com a projeção de inflação caindo pela terceira semana seguida e a Selic projetada do Focus estável em 14,00% para o fim de 2026.
