O Ibovespa cai 1,20%, aos 175.739 pontos, no dia em que Trump anunciou o bloqueio a navios iranianos e um pedágio de 20% sobre a carga que cruza Ormuz: o petróleo disparou e as petroleiras sustentaram o índice sozinhas, com 68 dos 80 papéis do Radar em queda.
O pregão desta segunda teve um motor só. Depois de o Irã declarar o Estreito de Ormuz fechado no domingo e de os Estados Unidos concluírem nova onda de ataques, Trump anunciou o restabelecimento do bloqueio a navios iranianos e a cobrança do equivalente a 20% de toda a carga transportada pela hidrovia. O Brent disparou para a faixa de US$ 79 a 82, conforme a fonte e o horário. O Ibovespa à vista caiu 1,20%, aos 175.739,08 pontos, com giro de R$ 14,11 bilhões, e o BOVA11 recuou 1,58%, a R$ 172,25. As petroleiras seguraram o índice (PETR3 mais 3,44%, PRIO3 mais 3,16%, PETR4 mais 2,55%), com a BRKM5 (mais 4,68%) liderando o mercado, enquanto a curva de juros derrubou os setores de duração longa: elétricas menos 2,47% no agregado, telecom menos 2,13%, saneamento menos 2,12% e bancos menos 1,99%. A AURE3 (menos 5,45%) e a MRVE3 (menos 5,39%) lideraram as quedas, e a WEGE3 caiu 4,56% a dois dias do prazo do tarifaço. Lá fora, Nova York fechou em queda (Dow menos 0,26%, S&P 500 menos 0,79%, Nasdaq menos 1,55%) e o Kospi acionou circuit breaker depois de cair cerca de 9%. O dólar à vista subiu 0,44%, a R$ 5,13.
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O dia teve um evento só, e ele veio de fora. Trump anunciou no meio da manhã o restabelecimento do bloqueio a navios iranianos e, no mesmo comunicado, declarou os Estados Unidos guardiões do Estreito de Ormuz, com direito a receber o equivalente a 20% de toda a carga transportada pela hidrovia. O petróleo disparou para a faixa de US$ 79 a 82, conforme a fonte e o horário, e a bolsa brasileira se partiu: o Ibovespa à vista caiu 1,20%, aos 175.739,08 pontos, com giro de R$ 14,11 bilhões, e o BOVA11 recuou 1,58%, a R$ 172,25. A amplitude foi o dado mais duro: 68 dos 80 papéis do Radar fecharam em queda. As petroleiras sustentaram o índice quase sozinhas (PETR3 mais 3,44%, PRIO3 mais 3,16%, PETR4 mais 2,55%), enquanto os setores que vivem da curva de juros devolveram o rali de sexta: elétricas menos 2,47% no agregado, telecom menos 2,13%, saneamento menos 2,12% e bancos menos 1,99%. O dólar à vista subiu 0,44%, a R$ 5,13.
O que moveu o dia
- O bloqueio virou pedágio. Trump anunciou o bloqueio a navios e clientes iranianos e a cobrança do equivalente a 20% de toda a carga que cruza Ormuz; o Comando Central afirma que a hidrovia segue aberta às demais bandeiras. Prêmio de risco é temporário, tarifa sobre carga é custo enquanto durar.
- O petróleo disparou e as petroleiras seguraram o índice. O Brent foi para a faixa de US$ 79 a 82 (as fontes divergem no horário, não na direção), e PETR3 (mais 3,44%), PRIO3 (mais 3,16%) e PETR4 (mais 2,55%) sustentaram o Ibovespa, com a BRKM5 (mais 4,68%) liderando o mercado pela petroquímica.
- A curva de juros cobrou a conta do resto. Com os juros futuros subindo por toda a curva, as elétricas caíram 2,47% no agregado e os bancos 1,99%; a AURE3 (menos 5,45%) e a MRVE3 (menos 5,39%) lideraram as quedas, e a WEGE3 caiu 4,56% a dois dias do prazo do tarifaço.
- Santander aprovou R$ 2 bilhões em JCP. O SANB11 aprovou cerca de R$ 0,53469 por unit, com data-com em 21/07, ex a partir de 22/07 e pagamento em 06/08; é o provento novo do dia entre os nomes do Radar.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os mais líquidos, a ponta compradora é só petróleo, com a Ambev de lado; do lado vendido, a WEG despenca e leva junto Axia, Raia Drogasil, Eneva e Sabesp.
BESST (fechamento)
No bloco BESST, tudo fechou em queda: o ABC Brasil desabou e a Engie veio atrás; BB Seguridade, Bradesco e Santander foram os que menos caíram.
Mercado geral (fechamento)
No mercado geral, a Braskem lidera com a petroquímica, seguida da CSN Mineração e das petroleiras; nas quedas, o time do juro e do custo.
Os números do fechamento
Caiu 1,20%, aos 175.739,08 pontos, com giro de R$ 14,11 bilhões e 68 dos 80 papéis do Radar em queda
O ETF que segue o Ibovespa recuou 1,58%, a R$ 172,25, acompanhando o índice
O dólar à vista subiu 0,44%, a R$ 5,13, validando o choque pela primeira vez desde o começo da escalada
Disparou com o bloqueio e o pedágio de 20% anunciados em Ormuz; as leituras variam entre cerca de US$ 79 (mais 3,7%) e US$ 82 (mais de 8%) conforme a fonte e o horário
O Dow caiu 0,26% (52.498), o S&P 500 recuou 0,79% (7.515) e o Nasdaq perdeu 1,55% (25.873), pressionado pelos chips
O contrato de Dalian caiu 0,47%, pressionado pelas perdas das siderúrgicas chinesas e pela expectativa de corte de produção
A mediana do IPCA de 2026 caiu de 5,30% para 5,16% e a da Selic de fim de ano seguiu em 14,00%; a coleta foi até sexta, antes do choque
Segue em 14,25%; o Copom decide em 4 e 5 de agosto, e o barril caro é o principal risco para a aposta de corte
O que fica no radar
- Inflação dos EUA em 14/07. A inflação ao consumidor americana sai amanhã, com núcleo esperado perto de 0,3%; choque de petróleo na véspera de dado de inflação mexe com a curva americana, com o dólar e com o fluxo para emergentes.
- Tarifaço em 15/07. O prazo da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros vence na quarta, com o governo brasileiro na última semana de negociação; WEGE3 e EMBJ3 são os nomes mais expostos.
- O contador de Ormuz. O que separa prêmio de risco de custo permanente é o pedágio valer ou não na prática, e quanto do fluxo de navios volta a passar; é o número a vigiar nesta semana.
- Dividendo em foco. O SANB11 tem data-com em 21/07 (pagamento em 06/08), a LREN3 e a VIVT3 pagam em 14/07 e a TIMS3 em 22/07.
- Vale e balanços. A VALE3 divulga produção em 21/07 e resultado em 30/07; a temporada do segundo trimestre começa no início de agosto, e o Copom decide em 4 e 5 de agosto.
