O Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 172.788 pontos, com o payroll fraco nos Estados Unidos girando o dinheiro para os setores de dividendo: telecom, elétricas e seguros lideraram o pregão.
O Ibovespa encerrou esta quinta-feira aos 172.787 pontos, em alta de 0,64%, com giro financeiro de cerca de R$ 13,9 bilhões, e o dólar fechou perto da estabilidade, na região de R$ 5,24. O motor do dia foi o relatório de emprego dos Estados Unidos, que veio bem mais fraco que o esperado, com apenas 57 mil vagas ante consenso perto de 115 mil, revisões para baixo em abril e maio e desemprego recuando a 4,2%. A leitura de um mercado de trabalho americano em desaceleração tirou pressão para o Fed subir o juro, derrubou os rendimentos dos Treasuries e disparou uma rotação: o dinheiro saiu dos semicondutores, que vinham puxando as bolsas e passaram a recuar forte lá fora, com a Micron caindo mais de 10%, e migrou para setores de caixa previsível e dividendo. No Brasil, o movimento foi o mesmo: telecom subiu 2,36%, seguros 1,28%, energia elétrica 1,09% e saneamento 0,87%, enquanto Petrobras e Vale ficaram perto do zero e a ponta fraca reuniu proteína e consumo, com a BRF em queda de 5,89%, a Natura de 4,20% e o Magazine Luiza de 3,61%. O Brent segue perto das mínimas do ano, na casa dos US$ 70, e o minério ronda US$ 100 com a China fraca.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O dia foi de rotação, e o gatilho foi o emprego. O payroll dos Estados Unidos de junho criou só 57 mil vagas, ante consenso perto de 115 mil, com revisões para baixo em abril e maio, cerca de 74 mil a menos, e desemprego recuando a 4,2%. A leitura de um mercado de trabalho em desaceleração tirou pressão para o Fed subir o juro e derrubou os rendimentos dos Treasuries. Isso acelerou um movimento que já vinha se desenhando: o dinheiro saiu dos semicondutores, que puxaram as bolsas no trimestre e passaram a recuar forte, com a Micron caindo mais de 10% e o índice de chips derretendo, e migrou para setores de caixa previsível, como saúde, consumo básico, utilities e bancos. Em Nova York, o Dow foi a novas máximas enquanto a Nasdaq ficou pressionada pela tecnologia. No Brasil, o mesmo roteiro: o Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 172.787 pontos, puxado por telecom, seguros e elétricas, os setores de dividendo mais sensíveis ao juro, enquanto Petrobras e Vale ficaram perto do zero. O dólar encerrou perto da estabilidade, na região de R$ 5,24. O Brent segue nas mínimas do ano, na casa dos US$ 70, e o minério ronda US$ 100 com a China fraca.
O que moveu o dia
- Payroll fraco girou tudo. Só 57 mil vagas nos EUA, ante ~115 mil esperados; o dado tirou pressão de juro e disparou uma rotação dos chips para o dividendo
- Telecom, seguros e elétricas. Os setores de dividendo lideraram a B3 (+2,36%, +1,28% e +1,09%), favorecidos pelo alívio na curva de juros
- Proteína e consumo fracos. BRF (-5,89%), Natura (-4,20%) e Magazine Luiza (-3,61%) puxaram as quedas do dia
- Chips derretem lá fora. A Micron caiu mais de 10% e o índice de semicondutores despencou; o Dow foi a máxima e a Nasdaq ficou pressionada
As três camadas do dia
Os 20 mais líquidos (fechamento)
Entre os mais líquidos, a alta veio de B3, Rede D'Or, Equatorial, BB Seguridade e Banco do Brasil; do lado fraco, a Lojas Renner recuou, a WEG ficou no zero e Itaú, Bradesco e PRIO ficaram perto da estabilidade, num dia de ganho espalhado.
BESST (fechamento)
No bloco BESST, o dia foi das transmissoras e do telecom: Taesa disparou, com Vivo, TIM, CPFL e ISA Energia em alta; a ponta fraca ficou com a Engie, seguida do ABC Brasil, num setor amplamente positivo, favorecido pelo alívio na curva de juros.
Mercado geral (fechamento)
No mercado geral, a alta foi puxada por CSN Mineração, Taesa, MRV e telecom; do lado das quedas, a proteína e o consumo dominaram, com a BRF despencando, seguida de Natura, Magazine Luiza, Brava e PetroReconcavo.
Os números do fechamento
Fechou em alta de 0,64%, aos 172.787 pontos, com giro de cerca de R$ 13,9 bilhões; o payroll fraco tirou pressão de juro e girou o mercado para dividendo
Encerrou perto da estabilidade (+0,07%); o real ficou firme com o emprego americano fraco aliviando a curva de juros de lá
Volume dentro da média recente, sem o exagero de dias de vencimento; a alta veio espalhada pelos setores de dividendo
Bem abaixo dos ~115 mil esperados, com revisões para baixo em abril e maio, cerca de 74 mil a menos, e desemprego a 4,2%. Menos pressão para o Fed subir juro
O dinheiro saiu dos semicondutores, que recuam forte lá fora (Micron caiu mais de 10%), e migrou para setores de caixa previsível e renda
O setor líder do dia na B3, com TIM (+2,26%) e Vivo (+2,46%) entre as maiores altas do índice
Os setores de dividendo que completaram o pódio, favorecidos pelo alívio na curva de juros após o emprego fraco
Segue perto das mínimas do ano; excesso de oferta com o Estreito de Ormuz reaberto e Irã e Rússia exportando forte
Demanda chinesa fraca e estoques altos nos portos seguem pesando sobre a Vale
O BC cortou em junho e pediu cautela; dados fracos de emprego aqui e lá fora favorecem seguir cortando
O que fica no radar
- A rotação é o tema. Enquanto o juro americano ceder, o dinheiro tende a seguir saindo dos chips e da tecnologia cara e indo para setores de caixa previsível e dividendo, o que favorece a Bolsa brasileira, concentrada justamente nesses setores.
- Elétricas e telecom no foco. Taesa, CPFL, ISA Energia, TIM e Vivo lideraram o dia; são os nomes mais sensíveis ao alívio da curva de juros e os primeiros a reagir quando a leitura de corte da Selic ganha força.
- Proteína e consumo fracos. BRF, Natura e Magazine Luiza puxaram as quedas; vale acompanhar se é ajuste pontual de um dia ou fraqueza mais estrutural desses papéis.
- Petróleo nas mínimas. O Brent ronda US$ 70, perto das mínimas do ano, com excesso de oferta; barril baixo é neutro a levemente negativo para Petrobras e PRIO, com foco no payout.
- Proventos no radar. Amanhã, 03/07, ficam data-com a RD Saúde (RADL3), com JCP mais dividendo, e o JCP intermediário do Bradesco; a B3 paga JCP na terça (07/07) e a Rede D'Or na quarta (08/07).
