Trump recuou do Irã e a bolsa decolou.
O Ibovespa virou à tarde e fechou em forte alta de 1,71%, perto de 171.497 pontos, depois que Donald Trump anunciou que cancelou os ataques ao Irã previstos para a noite. A desescalada tirou o risco geopolítico do preço: o dólar despencou cerca de 1,5%, para a casa de R$ 5,13, e o petróleo recuou. O dinheiro correu de volta para os ativos domésticos sensíveis a juro, que mais tinham apanhado.
Como abriu
A quinta abriu indefinida, com a geopolítica ainda no centro. Pela manhã, Trump ameaçava atacar o Irã "com muita força", e o Ibovespa oscilava perto de zero. O dado doméstico veio forte (o setor de serviços cresceu bem acima do esperado em abril), e o BCE subiu o juro a 2,25%, a primeira alta em quase três anos, para conter a inflação da guerra. O mercado seguia em compasso de espera, à espera do rumo do conflito.
O que moveu o dia
A virada veio à tarde. Trump anunciou que cancelou os ataques ao Irã previstos para a noite, e o apetite a risco voltou no mundo todo. Com o prêmio de risco saindo do preço, o petróleo cedeu e o dólar despencou. No Brasil, o efeito foi uma corrida de volta para o que mais tinha sofrido com o medo de juro e guerra: locadoras, varejo, saúde e construtoras dispararam, enquanto petróleo e Petrobras, que ganham com barril caro, ficaram para trás.
As três camadas do dia
O Ibovespa fechou em alta de 1,71% (perto de 171.497 pontos). Voaram VAMO3 (+6,52%), RDOR3 (+4,74%), RENT3 (+4,29%) e LREN3 (+3,85%); caíram PRIO3 (−1,32%), NATU3 (−1,96%) e SUZB3 (−0,39%). A Petrobras fechou de lado (PETR4 +0,26%, PETR3 −0,02%).
A desescalada retira o prêmio de risco do petróleo e reduz o medo de inflação importada, o que favorece os ativos sensíveis a juro (locadoras, varejo, saúde, construção) e penaliza quem ganha com barril caro.
O tamanho do rali, com o dólar despencando junto, sugere realocação de risco e algum alívio de fluxo. Ainda assim a desescalada precisa se confirmar, e o âncora doméstico segue sendo o Copom de terça.
Maiores altas e baixas
| Maiores altas | VAMO3 +6,52% · RECV3 +5,91% · DIRR3 +5,78% |
| Maiores baixas | NATU3 −1,96% · SLCE3 −1,41% · PRIO3 −1,32% |
| Entre os 20 (voaram) | RDOR3 +4,74% · RENT3 +4,29% · LREN3 +3,85% |
Os números do fechamento
| Ibovespa | +1,71% · ~171.497 pts |
| Dólar | cerca de −1,56% · ~R$ 5,13 |
| Locadoras | VAMO3 +6,52% · RENT3 +4,29% |
| Saúde | RDOR3 +4,74% |
| Varejo | LREN3 +3,85% · MGLU3 +4,10% |
| Construção | DIRR3 +5,78% · CURY3 +5,21% |
| Petróleo (ficou para trás) | PRIO3 −1,32% · Petrobras de lado |
| Mundo | Trump cancelou ataques ao Irã · petróleo recuou · BCE +0,25 a 2,25% |
O que fica no radar
Na terça (17) o Copom decide o juro, com o Focus em Selic 2026 a 13,50%, e na quarta (18) é a vez do Fed; ambos são vistos parados. O ponto a vigiar é se a desescalada do Irã se sustenta nos próximos dias: se o petróleo seguir em baixa, alívia a inflação e ajuda a curva de juros; um novo ruído geopolítico reverte o jogo rápido.
