Petróleo dispara com o Irã e a bolsa cai no 1º pregão de junho.
O Ibovespa fechou em queda de cerca de 0,9%, na casa dos 172 mil pontos, no primeiro pregão de junho. O dia foi de tape dividido: o petróleo disparou perto de 7%, com o Irã suspendendo as negociações com os Estados Unidos, e sustentou a Petrobras, mas a Vale, pressionada pelo minério fraco na China, e os bancos puxaram o índice para baixo. O dólar ficou na casa dos R$ 5,04.
Como abriu
A bolsa abriu a semana ainda sob o peso de maio, o pior mês desde 2023, e da maior sequência de quedas semanais da história. Logo cedo, o Boletim Focus trouxe mais uma piora na inflação esperada para 2026, e o noticiário externo já apontava nova escalada no Oriente Médio. O índice começou o dia perto da estabilidade, dividido entre o petróleo em alta, que ajuda a Petrobras, e a fraqueza do minério e dos bancos.
O que moveu o dia
O motor do dia veio de fora. O Irã suspendeu as negociações com os Estados Unidos, o que esfriou a expectativa de uma solução rápida para o conflito e fez o prêmio de risco voltar ao petróleo. O Brent disparou perto de 7%, para a casa dos US$ 97, e o WTI subiu na mesma direção. Com isso, a Petrobras avançou na contramão do índice.
Do outro lado, a Vale caiu com novos sinais de fraqueza da economia chinesa, que derrubam o minério de ferro, e os bancos recuaram em bloco, ainda sob o tema da ação dos Estados Unidos contra PCC e Comando Vermelho. No câmbio, o dólar oscilou perto de R$ 5,04. E no Focus, a projeção do IPCA para 2026 subiu pela 12ª semana seguida, para 5,09%, cada vez mais longe do teto de 4,5%.
O dia em três camadas
O Irã suspendeu as negociações com os EUA. O petróleo Brent subiu cerca de 6,8%, para a casa dos US$ 97. No Focus, a projeção do IPCA 2026 subiu para 5,09%, a 12ª alta semanal seguida. O Banco do Brasil ficou data-com de proventos.
O petróleo em alta sustentou a Petrobras (PETR4 +0,50%, PETR3 +1,05%) e a PRIO (+1,51%). Em sentido oposto, a Vale recuou com o minério fraco na China, e os bancos caíram em bloco (ITUB4 -1,66%, B3SA3 -1,52%, BBAS3 -0,79%), além das elétricas e do saneamento (AXIA3 -2,67%, SBSP3 -2,40%). O conjunto levou o índice para baixo.
Analistas leem o movimento mais como rotação do que como pânico: o capital saiu de bancos, mineração e elétricas e foi para o petróleo, que ganha com a geopolítica. A inflação subindo no Focus reforça a tese de juro alto por mais tempo, o que entra na conta do Copom. É interpretação, não garantia.
Como fechou: os números do dia
| Ibovespa | ≈ -0,9% · ~172 mil pts |
| BOVA11 | -0,95% · R$ 168,93 |
| Dólar comercial | na casa de R$ 5,04 |
| Petróleo | Brent ~US$ 97 · +6,8% |
| Petrolíferas | PETR4 +0,50% · PETR3 +1,05% · PRIO3 +1,51% |
| Bancos | ITUB4 -1,66% · B3SA3 -1,52% · BBAS3 -0,79% |
| Vale e elétricas | VALE3 -1,35% · AXIA3 -2,67% · SBSP3 -2,40% |
| Focus · IPCA 2026 | 5,09% (12ª alta seguida) |
Cotações de fechamento de 01/06/2026, a partir de dados de mercado e da tela do pregão. O nível do índice à vista está aproximado pela BOVA11; valores podem variar conforme a fonte.
O que fica no radar
Para terça, o BBAS3 passa a negociar ex-proventos, com pagamento de JCP marcado para 11/06. No exterior, o mercado segue o desdobramento do conflito no Oriente Médio e o efeito sobre o petróleo, além da fraqueza do minério na China. No calendário, o payroll dos Estados Unidos sai em 05/06 e o Copom decide a Selic em 16 e 17 de junho, com a inflação em alta no Focus pesando contra um corte mais rápido.
