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O Ibovespa subiu 0,76% e fechou em máxima, com bancos e domésticas no alívio dos juros após o IPCA-15 abaixo do esperado; as commodities caíram e a Braskem desabou na crise com os credores.
Radar Ibov

Newsletter · Fechamento · Sexta · 26/06/2026

Ibovespa fecha em alta com bancos e domésticas no alívio dos juros; Braskem desaba na crise com os credores.

O que ninguém tá vendo

O Ibovespa fechar em máxima, aos 173.295 pontos, e subir quase 3% na semana parece um recado de força ampla, mas o que sustentou o índice merece um asterisco. A alta foi um trade de juro doméstico: a prévia do IPCA de junho veio abaixo do esperado, o fluxo estrangeiro voltou, e o mercado comprou a tese de que o Copom ainda corta a Selic, empurrando justamente quem é sensível a juro, banco, varejo, incorporadora e elétrica. O detalhe que poucos colocam na conta é que o índice renovou máxima enquanto seus dois maiores pesos caíam: a Vale recuou com o complexo de mineração, mesmo com o minério em alta, e a Petrobras cedeu com o petróleo. Ou seja, o recorde foi construído sobre uma base estreita, de doméstico e financeiro, e não sobre as commodities que costumam puxar a bolsa. Some-se a isso que a comunicação do Copom saiu mais dura na reunião de junho, e parte do mercado passou a ver menos espaço para corte do que se imaginava. O mercado comprou a parte boa da notícia, e faz sentido no curtíssimo prazo, mas a conta da inflação, ainda acima do teto em doze meses, segue sem fechar. É leitura, não garantia.

Os números do fechamento

Ibovespa+0,76% · 173.295 pts
BOVA11+0,72% · R$ 170,22
Dólarem queda · perto de R$ 5,17
Petróleo (Brent)repique · perto de US$ 75
Petrobras (PETR4)-1,01% · R$ 38,06
Vale (VALE3)-0,65% · R$ 78,15

Maiores altas (geral): TOTS3 +5,63%, LREN3 +3,10%, CEAB3 +2,99%. Maiores baixas: BRKM5 -8,36%, SUZB3 -4,50%, USIM5 -2,71%.

Olho no setor · Elétricas

Num dia de alívio na curva de juros, as elétricas foram um dos blocos a reagir, com o setor subindo cerca de 0,88%: Cemig (+1,58%), Engie (+1,33%) e Copel (+1,26%) à frente, enquanto a transmissão da Taesa (-0,40%) ficou para trás. O motivo é mecânico. A elétrica é o ativo de bolsa que mais se parece com renda fixa: entrega um dividendo relativamente previsível, então vale mais quando o juro do título que concorre com ela cai. Por isso, quando o mercado passa a apostar em Selic mais baixa, geradoras e distribuidoras, que carregam dívida longa e fluxo sensível à curva, sobem junto. A transmissora é o outro lado da moeda: como tem receita já contratada e corrigida por índice, o seu fluxo muda pouco com a expectativa de corte, e ela tende a oscilar menos numa sessão de alívio como a de hoje. O ponto a entender é que boa parte dessa alta é reprecificação por juro, não mudança de fundamento operacional: ela se sustenta enquanto a curva cede. Se a inflação de serviços voltar a pressionar e o juro futuro reabrir, o mesmo setor que subiu por juro tende a devolver por juro. O que se acompanha é a próxima reunião do Copom e as datas-com dos proventos. Não é recomendação, é contexto.

Na semana e à frente

A semana fecha com o índice recuperando quase 3% e zerando boa parte das perdas de junho. Com inflação e emprego já divulgados, o foco passa à temporada de balanços do 2T26, que começa no início de agosto e tende a guiar os próximos proventos de bancos, elétricas e seguradoras. O acumulado da inflação em doze meses segue acima do teto, então o alívio da semana não muda o quadro de fundo; a próxima reunião do Copom, no começo de agosto, segue no centro, com o mercado apostando em mais um corte de 0,25 ponto. No corporativo, o caso Braskem fica no radar: o mercado acompanha a negociação da dívida com os credores após o pedido de tutela cautelar. Fluxo estrangeiro, dólar, petróleo e minério seguem no centro das atenções.

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Radar Ibov é conteúdo informativo e jornalístico. Não é recomendação de compra ou venda de ativos. Fato é fato, opinião é opinião, a decisão é sua. Valores das ações conferidos na tela do pregão; Brent, minério e mercados externos via fontes de mercado; confirme proventos no RI da empresa e na B3.

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