O Ibovespa fecha de lado, em queda de 0,03%, aos 173.325,65 pontos, na quarta baixa seguida, mas com 50 dos 83 papéis do Radar em queda; o Banco do Brasil e a MBRF seguraram o índice e a saúde desabou com a lei do CEIS.
A calmaria da média foi só aparente. O índice andou 0,03%, mas a maioria da carteira caiu, e o que segurou o número foram os pesos: o Banco do Brasil subiu 3,52% com a medida provisória do crédito do agro, a MBRF liderou com 4,06% e a Petrobras avançou 1,24% na preferencial. Do outro lado, a saúde desabou depois da sanção da lei do complexo industrial do setor, com a Hypera caindo 5,51%, e o bloco de juro longo voltou a ceder mesmo com o dólar mais fraco, a R$ 5,073. Nova York disparou com os chips e o Brasil descolou. A prévia de produção da Vale saiu depois do fechamento.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O número do fechamento engana. O Ibovespa caiu só 0,03%, aos 173.325,65 pontos, quarta baixa seguida, mas o placar interno ficou em 31 altas contra 50 quedas, com dois papéis estáveis, entre os 83 do Radar, e giro somado de R$ 13,2 bilhões. O que segurou a média foi o topo da carteira: o Banco do Brasil subiu 3,52%, lido como beneficiário da medida provisória de renegociação de dívidas do agronegócio, a MBRF liderou o índice com 4,06%, com a carne fora da lista da tarifa americana, e a Petrobras avançou 1,24% na preferencial e 1,43% na ordinária, com o Brent perto de US$ 89. Do lado oposto, a saúde desabou depois da sanção, na segunda, da lei que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde: a Hypera caiu 5,51% e a Rede D’Or 4,32%, um vetor regulatório e específico, não de juro. E o bloco sensível à curva longa voltou a ceder mesmo com o dólar recuando pela quarta vez, a R$ 5,073: a Sabesp caiu 1,31%, a Sanepar 1,18% e a Localiza 2,51%, enquanto a construção ficou dividida, com a Cyrela subindo 0,24%. Lá fora era dia de apetite a risco, com Nova York disparando pela recuperação dos semicondutores, e a bolsa brasileira não embarcou, de olho no Oriente Médio e na prévia da mineradora.
O que moveu o dia
- O índice ficou de lado, mas o placar não. A queda de 0,03% esconde 50 papéis em queda contra 31 em alta; foram os pesos, Banco do Brasil, Petrobras, Itaú e a MBRF, que seguraram a média, num giro de R$ 13,2 bilhões.
- O Banco do Brasil puxou os bancos. O papel subiu 3,52% depois de dois pregões de queda, lido como beneficiário da medida provisória do crédito do agro; o bloco de bancos foi o mais forte do BESST, com alta de 0,66%.
- A saúde desabou por conta própria. A Hypera caiu 5,51%, a Rede D’Or 4,32%, a Raia Drogasil 3,00% e a Hapvida 2,68%, reagindo à sanção da lei do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Foi vetor regulatório, não curva de juro.
- O juro longo caiu de novo, com o câmbio a favor. A Sabesp recuou 1,31%, a Sanepar 1,18% e a Localiza 2,51%, mesmo com o dólar caindo pela quarta vez seguida, a R$ 5,073. A construção ficou dividida, com a Cyrela subindo 0,24% e a MRV caindo 1,74%.
- Nova York disparou e o Brasil descolou. O S&P 500 subiu 0,90%, o Nasdaq 1,30% e o Dow 0,70%, puxados por Micron e Nvidia no segundo dia de recuperação dos chips; a bolsa brasileira preferiu a cautela.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os papéis de maior giro, o Banco do Brasil lidera, com Petrobras e bancos atrás; nas quedas, a Rede D’Or, a WEG e a Embraer.
BESST (fechamento)
No BESST, só bancos e telecom fecharam em alta, com 0,66% e 0,34%; energia caiu 0,81%, seguros 0,64% e saneamento 1,18%, o pior dos cinco blocos.
Mercado geral (fechamento)
A MBRF lidera toda a bolsa, com siderurgia e Banco do Brasil atrás. Nas quedas, saúde, educação e petroquímica, cada uma com o seu vetor próprio.
Os números do fechamento
Caiu 0,03%, aos 173.325,65 pontos, quarta baixa seguida, com 31 altas contra 50 quedas entre os 83 papéis do Radar e giro somado de R$ 13,2 bilhões
O ETF que segue o Ibovespa subiu 0,02%, a R$ 170,34
Caiu 0,31% à vista, na quarta baixa seguida; o contrato futuro cedeu 0,39%, aos 5.086,50 pontos
Fechou perto de US$ 89 por barril, na máxima de cinco semanas, entre a proposta de trégua de 10 dias e o décimo dia de hostilidades
O S&P 500 subiu 0,90%, aos 7.509 pontos, o Nasdaq 1,30%, aos 25.837, e o Dow Jones 0,70%, aos 52.224, puxados pela recuperação dos semicondutores
Depois do fechamento, a mineradora informou 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, alta de 20,9% sobre o primeiro e o melhor 2º trimestre desde 2018, com vendas de 79,7 milhões e guidance de 2026 mantido
Segue em 14,25%; o Banco Central decide em 4 e 5 de agosto, com o Focus projetando 14,00% para o fim de 2026
O que fica no radar
- A tese do juro longo virou padrão onde importava. No saneamento e na locação, a queda da véspera se repetiu com o dólar de novo fraco e sem indicador local, o que tira o rótulo de realização de um dia. A construção não seguiu junto, então a confirmação é parcial.
- A saúde caiu por conta própria. O tombo de HYPE3 e RDOR3 veio da lei do complexo industrial da saúde, não da curva de juro; juntar os dois blocos seria erro de leitura.
- A prévia da Vale saiu no fim. A VALE3 informou 84,3 milhões de toneladas de minério no segundo trimestre, alta de 20,9% sobre o primeiro e o melhor resultado desde 2018; a reação vai para a abertura de amanhã, mesmo dia da assembleia do conselho.
- A tarifa de 25% entra em vigor em 22/07. A medida passa a valer amanhã, com carne, café, petróleo e peças aeroespaciais fora da lista, e a TIMS3 paga R$ 0,168 por ação no mesmo dia.
- Copom em 4 e 5 de agosto. O Banco Central decide a Selic, hoje em 14,25%, com o Focus projetando 14,00% para o fim de 2026 e o UBS trabalhando com 12,75%.
