Ibovespa fecha em queda, com Petrobras e Vale arrastadas pelo petróleo e minério na mínima; construtoras e varejo sobem na aposta de corte.
No fechamento desta quarta, o Ibovespa à vista cedeu 0,44% (a 170.506 pontos), devolvendo parte do avanço recente, mas longe da mínima do dia. O peso veio das blue chips de commodity: o petróleo desabou, com o Brent abaixo de US$ 76, na mínima de meses, depois que a reabertura do Estreito de Ormuz e o avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã desmontaram o prêmio de guerra, e derrubou Petrobras (PETR3 -2,68%, PETR4 -2,64%) e a PRIO (-3,57%); a Vale (-2,08%) e a siderurgia caíram com o minério na mínima de quatro meses. Na contramão, construtoras e varejo de baixa renda subiram na aposta de corte da Selic (CEAB3 +8,87%, CYRE3 +4,17%, ASAI3 +4,16%). O dólar fechou estável, perto de R$ 5,19.
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A quarta abriu em leve queda e foi ficando mais pesada ao longo do pregão, no embalo do petróleo lá fora. Com a reabertura do Estreito de Ormuz e o avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã, o Brent desabou para a mínima de meses, e isso bateu direto em Petrobras e PRIO; a Vale acompanhou com o minério na mínima de quatro meses. Na contramão, os papéis sensíveis a juro foram ganhando força ao longo do dia, na aposta de que o petróleo barato reforça o espaço para corte da Selic, e o índice fechou bem acima da mínima.
O que moveu o dia
No mercado amplo, a C&A (CEAB3 +8,87%) foi a maior alta do dia, seguida de CYRE3 (+4,17%), ASAI3 (+4,16%) e VIVA3 (+3,52%), com Embraer (+1,81%) e WEG (+1,97%) acompanhando. Do outro lado, o petróleo e a mineração apanharam: a CSN (CSNA3 -3,98%) foi a maior baixa, seguida de MBRF3 (-3,93%), PRIO3 (-3,57%), PETR3 (-2,68%) e PETR4 (-2,64%); a Vale (-2,08%) e a Sanepar (SAPR11 -4,15%) também puxaram a queda. No financeiro, a B3 (+1,70%), o BPAC11 (+1,63%) e os seguros (BBSE3 +1,07%) seguraram, enquanto os bancões cederam (BBDC4 -1,07%, BBAS3 -0,65%).
As três camadas do dia
O Ibovespa fechou em queda de 0,44% (a 170.506 pontos), longe da mínima do dia; o BOVA11 caiu 0,36% (R$ 167,61) e o dólar fechou estável, perto de R$ 5,19. Na ponta de cima: CEAB3 (+8,87%), CYRE3 (+4,17%), ASAI3 (+4,16%) e VIVA3 (+3,52%). Na ponta de baixo: CSNA3 (-3,98%), MBRF3 (-3,93%), PRIO3 (-3,57%) e PETR3 (-2,68%).
A sessão teve uma origem dominante: o fim do prêmio de guerra no petróleo. Com a reabertura de Ormuz e o avanço entre Estados Unidos e Irã, o Brent caiu para a mínima de meses e derrubou as duas maiores forças da bolsa, Petrobras e Vale (esta via minério). O índice não caiu mais porque o petróleo barato é desinflacionário, o que reforçou a aposta de corte da Selic e sustentou construtoras, varejo de baixa renda e parte dos bancos.
Foi um pregão de commodity contra juro, e a commodity pesou mais. A mesma força que machucou as petroleiras ajudou o doméstico ligado a juro, num movimento que poucos conectam. Enquanto petróleo e minério seguirem na faixa baixa, o índice fica refém de Petrobras e Vale, mas a aposta de corte ganha tração. Na quinta, o IPCA-15 e o PCE dos Estados Unidos calibram a conta. É interpretação, não garantia.
Maiores altas e baixas
| Maiores altas (geral) | CEAB3 +8,87% · CYRE3 +4,17% · ASAI3 +4,16% |
| Maiores baixas (geral) | CSNA3 -3,98% · MBRF3 -3,93% · PRIO3 -3,57% |
| Entre os 20 mais líquidos | WEGE3 +1,97% · B3SA3 +1,70% · BPAC11 +1,63% |
Os números do fechamento
| Ibovespa | -0,44% · ~170.506 pts |
| BOVA11 | -0,36% · R$ 167,61 |
| Dólar | de lado · perto de R$ 5,19 |
| Petróleo (Brent) | abaixo de US$ 76 · mínima de meses |
| Minério de ferro | ~US$ 100/t · mínima de 4 meses |
| Petrobras | PETR4 -2,64% · R$ 38,29 |
| Vale | VALE3 -2,08% · R$ 77,73 |
| Destaque positivo | CEAB3 +8,87% · construção e varejo |
| Mundo | Petróleo desaba · Ormuz reabre · minério fraco |
O que fica no radar
Na quinta, o IPCA-15 e o PCE dos Estados Unidos completam o quadro de inflação e calibram a aposta de corte da Selic; o mercado ainda vê chance de redução na próxima reunião do Copom, segundo as opções da B3. O vetor a vigiar é o petróleo: se a trégua entre Estados Unidos e Irã se confirmar e o Estreito de Ormuz seguir fluindo, o Brent tende a ficar na faixa baixa, o que mantém a pressão sobre Petrobras e PRIO e, ao mesmo tempo, ajuda a inflação. O dólar, o petróleo e o minério seguem no centro das atenções.
