FECHAMENTO · QUARTA · 03/06/2026

Tarifa e guerra derrubam a bolsa; a Copasa dispara.

O Ibovespa fechou em queda de cerca de 2,2%, na casa dos 170 mil pontos, devolvendo o ganho de ontem. Dois choques no mesmo dia: a proposta dos EUA de uma tarifa de 25% sobre o Brasil e a reescalada da guerra entre EUA e Irã, que disparou o dólar (+1,12%, a R$ 5,07, com o real sendo a pior moeda do mundo). Bancos e Vale lideraram as perdas; o saneamento foi a exceção, com a Copasa subindo 13,34% pela privatização.

Como abriu

A bolsa abriu a quarta sob pressão. O pano de fundo já era o tarifaço dos EUA sobre o Brasil, anunciado na véspera, e a madrugada trouxe nova escalada no Oriente Médio: mísseis iranianos contra o Kuwait e o Bahrein e um ataque dos EUA a um navio-tanque que se dirigia ao Irã. O petróleo subia pelo terceiro dia, o dólar ganhava força e o clima de aversão a risco se instalou cedo.

O que moveu o dia

O motor foi a combinação de tarifa e geopolítica. A proposta de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, somada a uma segunda frente sobre 60 países por trabalho forçado (com o Brasil também na lista), pesou nas exportadoras. A guerra no Irã reacendeu o prêmio de risco e empurrou o dólar, que subiu 1,12%, a R$ 5,07, com o real sendo a pior moeda do mundo no dia.

A queda foi ampla. Os bancos, ativos mais líquidos e de maior peso, lideraram a saída (B3SA3 -4,67%, BPAC11 -4,77%), e a Vale devolveu o salto da véspera (-3,78%), acompanhando o minério em baixa na China. Na contramão, o saneamento foi o destaque positivo: a Copasa (CSMG3) disparou 13,34%, a R$ 60, com o avanço da privatização em Minas. As petrolíferas caíram menos que o índice, ajudadas pelo petróleo em alta.

O dia em três camadas

Fato

Os EUA propuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e tarifas de 10% a 12,5% sobre 60 países por trabalho forçado. A guerra EUA-Irã reacendeu (mísseis no Kuwait e no Bahrein, ataque a navio-tanque iraniano). O petróleo subiu pelo terceiro dia e a Copasa avançou na privatização em Minas.

Impacto no Radar

A aversão a risco e o dólar a R$ 5,07 (+1,12%) derrubaram os bancos (B3SA3 -4,67%, BPAC11 -4,77%, ITUB4 -2,12%, BBAS3 -1,81%) e a Vale (-3,78%). A elétrica caiu menos (EGIE3 +0,44%), a telecom resistiu (TIMS3 +1,45%) e o saneamento subiu (CSMG3 +13,34%). A PETR4 caiu só 0,77%, ajudada pelo barril.

Leitura de mercado

O dia foi de risco-Brasil somado a risco global: o tarifaço bateu nas exportadoras e a guerra empurrou dólar e petróleo. O real como pior moeda do mundo mostra que o estrangeiro precificou o Brasil em específico. A Copasa correu por conta própria, no enredo da privatização. É interpretação, não garantia.

Como fechou: os números do dia

Ibovespa · fechamento≈ -2,2% · ~170 mil pts
BOVA11-2,42% · R$ 167,28
Dólar comercial+1,12% · R$ 5,07 (real, pior do mundo)
Bancos (peso do dia)B3SA3 -4,67% · BPAC11 -4,77% · ITUB4 -2,12%
ValeVALE3 -3,78% · R$ 81,79
Destaque do diaCSMG3 +13,34% · saneamento +3,90%
PetróleoBrent ~US$ 98 (3ª alta) · PETR4 -0,77%

Cotações de fechamento de 03/06/2026, a partir da tela do pregão e de dados de mercado. O nível do índice à vista está aproximado pela BOVA11 e pelo mini índice; valores podem variar conforme a fonte. Em 04/06 não houve pregão (Corpus Christi).

O que fica no radar

O mercado segue o vai e vem da guerra EUA-Irã, que dita o petróleo dia a dia, e os desdobramentos do tarifaço de 25% sobre o Brasil. No calendário, o payroll dos EUA sai em 05/06 (a B3 ficou fechada em 04/06, por Corpus Christi), o BBAS3 paga JCP em 11/06 e o Copom decide a Selic em 16 e 17 de junho.