Ibov cai 0,73% e fecha a 7ª semana em queda.
O Ibovespa fechou aos 173.787 pontos, em queda de 0,73%, a quarta baixa seguida. Com isso, emendou a sétima semana negativa em sequência, a maior sequência de quedas semanais da história do índice, e cravou o pior mês de maio desde 2023, com recuo de 7,08%. No ano, ainda acumula alta de 7,86%.
Como abriu
O pregão de sexta começou sob o peso das semanas anteriores. O Ibovespa vinha de uma sequência rara de quedas e de um mês de maio difícil, com o investidor estrangeiro retirando capital da bolsa. A atenção da abertura estava dividida entre dois pontos: a divulgação do PIB do primeiro trimestre, esperada para a manhã, e o noticiário externo sobre o petróleo e sobre a decisão dos Estados Unidos a respeito das facções. Com esse cenário, o índice abriu o dia em compasso de espera, sem fôlego para uma reação mais firme.
O que moveu o dia
O pregão teve dois pesos puxando na mesma direção. Pela manhã, saiu o PIB do primeiro trimestre, com alta de 1,1% sobre o trimestre anterior, acima do que o mercado esperava. Em vez de animar, o dado pesou: economia forte reforça a leitura de que o Banco Central vai manter a Selic alta por mais tempo, e juro alto é o principal adversário da bolsa, porque faz a renda fixa competir de igual pra igual com a renda variável.
No mesmo dia, o noticiário internacional trouxe a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, o que acendeu um alerta de risco de compliance para os grandes bancos brasileiros. Somado à forte saída de capital estrangeiro no mês, o conjunto derrubou o índice mesmo com as commodities firmes.
Por que a bolsa caiu, em três camadas
Os EUA classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O PIB do 1º trimestre veio a 1,1%, acima do consenso. O estrangeiro retirou cerca de R$ 14,1 bilhões da bolsa brasileira em maio.
O risco recai principalmente sobre os bancos, pela exposição a regras de compliance internacional: BBAS3 caiu 1,50% e BBDC4 1,12%, enquanto ITUB4 ficou perto da estabilidade, em alta de 0,10%. O PIB forte, por sua vez, afasta a perspectiva de corte de juros no curto prazo, o que pressiona a bolsa como um todo.
Comentaristas tratam a sequência de sete semanas como um extremo estatístico: desde 1982 o índice nunca havia caído por mais de sete semanas seguidas. É uma interpretação sobre padrão histórico, não garantia de reversão. A decisão sobre as facções ainda não tem efeito prático confirmado sobre os balanços dos bancos.
Como fechou: os números do dia
| Ibovespa | -0,73% · 173.787 pts |
| Dólar comercial | R$ 5,04 · +0,22% |
| Maio (mês) | -7,08% |
| No ano | +7,86% |
| Bancos | BBAS3 -1,50% · BBDC4 -1,12% · ITUB4 +0,10% |
| Destaques | USIM5 +4,04% · BRKM5 -6,02% |
| Fluxo estrangeiro (maio) | - R$ 14,1 bi |
Cotações de fechamento de 29/05/2026. PETR4 e VALE3 fecharam em queda, com o petróleo recuando após sinais de distensão entre EUA e Irã e o minério ainda firme.
O que fica no radar
Na próxima semana, o mercado reabre testando se o limite das sete semanas finalmente segura. No calendário, a reunião do Copom acontece em 16 e 17 de junho, com a Selic em 14,50% ao ano. Em proventos, o Banco do Brasil tem data-com em 01/06, passa a ser negociado ex a partir de 02/06 e paga JCP em 11/06.
