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A bolsa subiu com a inflação cedendo na margem e reacendendo a aposta de corte da Selic; banco e saneamento puxaram, na contramão da tech lá fora, e a Braskem desabou no impasse com os credores.
Radar Ibov

Newsletter · Fechamento · Quinta · 25/06/2026

Ibovespa fecha em alta com a inflação mais fraca puxando banco e saneamento; Braskem desaba no impasse com os credores.

O que ninguém tá vendo

O Ibovespa subir 0,87% e tocar acima de 173 mil parece um dia redondo, mas o que está por trás merece um asterisco. A alta foi um trade quase puro de juro doméstico: a prévia do IPCA de junho veio a 0,41%, abaixo do esperado, e o mercado leu como mais espaço para o Copom cortar a Selic, o que empurrou justamente quem é sensível a juro, banco, saneamento e construção. Por isso a bolsa subiu mesmo com a tecnologia derrubando S&P 500 e Nasdaq lá fora. O detalhe que poucos colocam na conta é que o próprio Banco Central, no mesmo dia, elevou de 30% para 79% a probabilidade de a inflação furar o teto da meta em 2026 e subiu a projeção de crescimento para 2,0%. Ou seja, o alívio de hoje é de margem, não de fundo: o acumulado em doze meses segue acima do teto. O mercado comprou a parte boa da notícia, e faz sentido no curtíssimo prazo, mas a conta da inflação ainda não fechou. É leitura, não garantia.

Os números do fechamento

Ibovespa+0,87% · 171.990 pts
BOVA11+0,83% · R$ 169,00
Dólar-0,46% · perto de R$ 5,18
Petróleo (Brent)estável · perto de US$ 73
Petrobras (PETR4)+0,42% · R$ 38,45
Vale (VALE3)+1,20% · R$ 78,66

Maiores altas (geral): ASAI3 +4,11%, RAIL3 +3,62%, MRVE3 +3,39%. Maiores baixas: BRKM5 -10,50%, CSNA3 -4,74%, USIM5 -2,07%.

Olho no setor · Consumo

Num dia de aposta de corte, o consumo costuma ser dos primeiros a reagir, e foi o que aconteceu: o atacarejo liderou a bolsa inteira, com o Assaí (ASAI3 +4,11%) na ponta, seguido da Azzas (+2,54%), da Raia Drogasil (+0,70%) e até do Magazine Luiza (+1,38%), que normalmente é o elo fraco. O motivo é mecânico. Varejo é o setor que mais depende de duas coisas que andam de mãos dadas com o juro: crédito e renda. Quando o mercado passa a apostar em Selic mais baixa, melhora a perspectiva de financiamento ao consumidor, alivia a despesa financeira das empresas alavancadas e reacende a expectativa de consumo da baixa renda, que é o público do atacarejo e das redes populares. Por isso o bloco sobe junto numa sessão como a de hoje. O ponto a entender é que essa força é, em boa parte, expectativa, não resultado: ela se sustenta enquanto a aposta de corte se mantém. Se a inflação voltar a pressionar e a curva de juro reabrir, o mesmo consumo alavancado que subiu rápido tende a devolver rápido. O que se acompanha é a próxima reunião do Copom e o comportamento da inflação de serviços. Não é recomendação, é contexto.

Amanhã e na semana

Na sexta vêm a taxa de desemprego (Pnad Contínua) e a sondagem da indústria, que fecham a semana de dados domésticos. O acumulado da inflação em doze meses segue acima do teto, então o alívio de hoje não muda o quadro de fundo; a próxima reunião do Copom, no começo de agosto, segue no centro, com o mercado apostando em mais um corte de 0,25 ponto. No corporativo, o caso Braskem fica no radar: o mercado acompanha a negociação da dívida com os credores após o pedido de tutela cautelar. Dólar, petróleo e minério seguem no centro das atenções.

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Radar Ibov é conteúdo informativo e jornalístico. Não é recomendação de compra ou venda de ativos. Fato é fato, opinião é opinião, a decisão é sua. Valores conferidos na tela do pregão; Brent e minério via fontes de mercado; confirme proventos no RI da empresa e na B3.

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