O Ibovespa cai 0,36%, aos 176.010 pontos, no dia em que o tarifaço americano de 25% saiu com lista de exceções: as elétricas caíram por ofertas de ações, o aço da Gerdau subiu ganhando da tarifa e o real segurou, a R$ 5,07, com 52 dos 83 papéis do Radar em queda.
O dia do tarifaço terminou com menos estrago do que o roteiro fez temer. A tarifa de 25% saiu, mas com exceções que pouparam a aeronáutica, e o mercado, que já tinha o risco no preço, reagiu sem pânico: o Ibovespa caiu só 0,36% e o real segurou, a R$ 5,07. Por dentro, a rotação foi forte, com as elétricas caindo por ofertas de ações e o aço da Gerdau subindo por produzir nos Estados Unidos.
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O dia do tarifaço terminou com menos estrago do que o roteiro fez temer. Os Estados Unidos confirmaram a tarifa de 25% sobre cerca de um quinto das exportações brasileiras, mas com uma lista de exceções que poupou a aeronáutica, e o mercado, que já carregava o risco no preço, reagiu sem pânico: o Ibovespa à vista caiu 0,36%, aos 176.010 pontos, com giro de R$ 15,6 bilhões; o dólar ficou de lado, a R$ 5,07, e o BOVA11 recuou 0,48%, a R$ 172,76. Por baixo do índice, porém, houve rotação forte. As elétricas foram o pior bloco, mas por notícia própria: a EGIE3 e a ISAE4 anunciaram ofertas de ações e caíram mais de 5%, e a AXIA3 veio junto no descruzamento de ativos de transmissão. Na contramão, o aço disparou: a GGBR4 subiu 3,77% porque a Gerdau produz metade do aço nos Estados Unidos e a tarifa protege as usinas de lá. A BRKM5 foi a pior do dia, com queda de 6,15%, e a Embraer escapou na lista de exceções.
O que moveu o dia
- O tarifaço saiu com exceções. Os Estados Unidos confirmaram 25% sobre cerca de um quinto das exportações do Brasil, atingindo indústria, agro e mineração, mas pouparam a aeronáutica e itens sensíveis à inflação americana. O real segurou, a R$ 5,07, e o governo avalia acionar a Lei de Reciprocidade.
- O aço da Gerdau ganhou da tarifa. A GGBR4 subiu 3,77% e a Metalúrgica Gerdau 2,83%: com metade da produção nos Estados Unidos, a barreira ao aço importado protege as usinas americanas da companhia, o oposto do que acontece com o exportador puro.
- As elétricas caíram por ofertas de ações. A EGIE3 caiu 5,11% e a ISAE4 5,03% após anunciarem ofertas; a AXIA3 recuou 4,20% no descruzamento com a ISA. É diluição, não câmbio nem juro puro, e derrubou o bloco em 1,81%.
- O câmbio segurou, a curva reagiu. O dólar ficou de lado, a R$ 5,07, mas os juros futuros subiram: o choque do tarifaço foi para a curva, não para a moeda. Choque no câmbio vira inflação; choque na curva vira preço de ação.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os mais líquidos, o aço e a bolsa lideraram, com Gerdau, B3, Ultrapar e Vibra; do lado vendido, as elétricas em oferta de ações, Engie, ISA Energia e Axia, com Ambev e BTG atrás.
BESST (fechamento)
No BESST, só os seguros fecharam em alta (+0,31%); bancos caíram 0,74%, telecom 0,87%, saneamento 0,92% e elétricas 1,81%. Porto Seguro e BB Seguridade lideram; Engie e ISA Energia afundam.
Mercado geral (fechamento)
No geral, a Totvs e o aço da Gerdau lideram, com Ultrapar e CSN Mineração atrás; nas quedas, a Braskem afunda, seguida das elétricas em oferta de ações e da MBRF pelo agro tarifado.
Os números do fechamento
Caiu 0,36%, aos 176.010 pontos, com giro de R$ 15,6 bilhões e 52 dos 83 papéis do Radar em queda
O ETF que segue o Ibovespa recuou 0,48%, a R$ 172,76, acompanhando o índice
Ficou de lado, a R$ 5,07: o real segurou mesmo com o tarifaço, e o choque foi para a curva de juros, que subiu
Perto de US$ 85, na terceira sessão de alta, com novos ataques dos EUA ao Irã e o bloqueio naval de pé
O S&P 500 subiu 0,38% (7.572) e o Nasdaq 0,62% (26.269), com a Apple em máxima; a inflação ao produtor de junho veio mais fraca
O minério de ferro segue fraco, na casa dos US$ 98 a tonelada, depois do PIB chinês de 4,3% da véspera
A mediana do IPCA de 2026 está em 5,16% e a da Selic de fim de ano em 14,00%; o tarifaço entra como risco novo para a conta
Segue em 14,25%; o Banco Central decide em 4 e 5 de agosto, e o tarifaço soma-se ao barril firme como risco
O que fica no radar
- Reciprocidade e negociação. O governo avalia acionar a Lei de Reciprocidade e negociar a ampliação da lista de exceções; o tamanho dessa lista, mais que a alíquota, é o que define o estrago setor a setor.
- Varejo do IBGE em 16/07. Saem as vendas no varejo de maio, termômetro do consumo sob juro alto, e há greve de 8 horas em Port Hedland, o porto da BHP na Austrália, testando a oferta de minério; na sexta vem o IBC-Br.
- Elétricas: o preço das ofertas. O que definirá a EGIE3 e a ISAE4 nos próximos dias é o preço de saída das ofertas de ações; diluição precificada é uma coisa, execução da oferta é outra.
- Dividendo em foco. O SANB11 tem data-com em 21/07 (pagamento em 06/08), a TIMS3 paga em 22/07 e a Iguatemi ficou ex hoje.
- Vale e balanços. A VALE3 divulga produção em 21/07 e resultado em 30/07; a temporada do segundo trimestre começa no início de agosto, e o Banco Central decide a Selic em 4 e 5 de agosto.
