O Ibovespa cai 1,24%, aos 173.825 pontos, no dia em que o tarifaço americano de 25% e a virada de Wall Street em queda se somaram: a dor migrou do aço e da petroquímica para o doméstico sensível a juro, com 62 dos 83 papéis do Radar em queda.
O pregão começou como racha, isentos subindo e taxados caindo com o tarifaço já oficializado, e terminou como queda ampla. O que virou o dia foi Wall Street, que caiu à tarde num tombo de chips, e essa segunda perna levou o Ibovespa ao pior momento da sessão. A dor saiu do exportador taxado e foi para o consumo, a construção e a locação, pelo canal do câmbio e da curva.
📥Newsletter desta ediçãoA versão que foi para o e-mail, com o Olho no Setor do dia. 🧭Cenário do diaA leitura completa em vigor neste dia: os vetores macro e como cada setor tende a reagir.Como foi o pregão
O dia teve dois atos. No primeiro, o tarifaço, agora fato com data: os Estados Unidos oficializaram a tarifa de 25% sobre grande parte das exportações brasileiras, em vigor em 22/07 e com 864 exceções, e o pregão se dividiu entre isentos que subiam e taxados que caíam. No segundo, Wall Street virou para a queda à tarde, com o Nasdaq caindo 1,47% num tombo de chips, e o Ibovespa foi ao pior momento do dia: fechou em queda de 1,24%, aos 173.825 pontos, com giro em torno de R$ 13,5 bilhões, e o BOVA11 recuou 1,15%, a R$ 170,77. A amplitude foi de 62 dos 83 papéis do Radar em queda. A dor mudou de endereço: de manhã era do aço e da petroquímica, com a Braskem caindo 4,84% e a Usiminas 3,66%; à tarde, o dólar em alta e a curva mais dura jogaram o peso sobre o doméstico, com a Cury caindo 4,40%, a Localiza 3,69% e a Renner 3,19%. No topo, o minério isento segurou a CSN Mineração em alta de 4,01%, enquanto a Vale caiu 2,05%, mas por China, não por tarifa.
O que moveu o dia
- O tarifaço virou fato com data. Os Estados Unidos oficializaram a tarifa de 25% sobre grande parte das exportações brasileiras, em vigor em 22/07, com 864 exceções que pouparam petróleo, minério, celulose, carne, café e aeronaves; o Brasil acionou a Lei de Reciprocidade e recorre à Organização Mundial do Comércio.
- Wall Street foi a segunda perna da queda. O Nasdaq caiu 1,47%, o S&P 500 recuou 0,51% e o Dow cedeu 0,20%, num tombo de chips e receio sobre o gasto de inteligência artificial; foi essa virada, e não a tarifa, que levou o Ibovespa da queda contida do meio-dia para a baixa ampla do fim.
- A dor migrou para o doméstico de juro. Construção, varejo e locação lideraram as perdas, com a Cury caindo 4,40%, a Localiza 3,69% e a Renner 3,19%; nenhum deles exporta para os Estados Unidos, e a tarifa os alcançou pelo canal do dólar em alta e da curva, não pela porta da frente.
- A CSN mostrou o mapa da tarifa. A CSN Mineração subiu 4,01% porque o minério ficou isento, e a CSN siderúrgica caiu 2,67% porque o aço ficou taxado; a mesma companhia, dois lados da mesma medida. A Vale caiu 2,05%, mas por China, e o câmbio em alta foi o canal que espalhou a dor.
As três camadas do dia
20 mais líquidos (fechamento)
Entre os mais líquidos, só Ultrapar, Vibra, Banco do Brasil e Suzano seguraram a alta; do lado vendido, Eneva, Localiza, Copel, Sabesp e Vale puxaram as quedas num pregão de baixa ampla.
BESST (fechamento)
No BESST, só os seguros fecharam em alta (+0,76%); bancos caíram 0,57%, telecom 0,64%, energia 0,29% e saneamento 1,45%. Light e BB Seguridade lideram; Eneva e Copel afundam.
Mercado geral (fechamento)
No geral, a Light e a mineração isenta lideram, com CMIN3 e Ultrapar; nas quedas, a Braskem afunda, seguida da construção da Cury e da energia da Eneva, com a Vale caindo por China.
Os números do fechamento
Caiu 1,24%, aos 173.825 pontos, com giro em torno de R$ 13,5 bilhões e 62 dos 83 papéis do Radar em queda
O ETF que segue o Ibovespa recuou 1,15%, a R$ 170,77, acompanhando o índice
Passou de R$ 5,10, com o futuro em alta de 0,46%: o real perdeu terreno com a guerra comercial e o risk-off global
Recuou cerca de 0,4%, para perto de US$ 84,6; o petróleo ficou isento, então o efeito da tarifa sobre a Petrobras é indireto
O Nasdaq caiu 1,47%, o S&P 500 recuou 0,51% e o Dow cedeu 0,20%, num tombo de chips e receio sobre o gasto de inteligência artificial
O minério de ferro segue nas mínimas do ano, perto de US$ 98 a tonelada, e é ele, com a China, que move a Vale, não a tarifa
A mediana da Selic de fim de ano segue em 14,00%; a guerra comercial e o câmbio entram como risco novo para a conta de inflação
Segue em 14,25%; o Banco Central decide em 4 e 5 de agosto, e o tarifaço soma-se ao câmbio como risco
O que fica no radar
- Reciprocidade e a lista de exceções. O governo acionou a Lei de Reciprocidade e recorre à Organização Mundial do Comércio, e a composição das 864 exceções ainda pode mudar dos dois lados; o tamanho dessa lista, mais que a alíquota, é o que define o estrago setor a setor.
- Agenda de dados em 17/07. Saem o IBC-Br, a prévia do PIB, e o IGP-10 da FGV, a régua de atividade que o Banco Central olha para calibrar o corte da Selic, agora com o câmbio mais pressionado.
- Vale e Santander em 21/07. A VALE3 divulga a produção do segundo trimestre em 21/07 (resultado em 30/07), e o SANB11 tem data-com dos R$ 2 bilhões em JCP no mesmo dia, com pagamento em 06/08.
- A tarifa passa a valer em 22/07. É a data que o mercado passa a contar como marco da guerra comercial, com o Brasil correndo para ter as medidas de reciprocidade em andamento; a TIMS3 paga proventos nessa data.
- Copom em 4 e 5 de agosto. O Banco Central decide a Selic, hoje em 14,25%, e o Focus mantém a mediana de fim de ano em 14,00%; a guerra comercial e o câmbio somam-se como risco novo para a conta.
