FECHAMENTO · SEGUNDA · 08/06/2026

O Brasil segurou no Black Monday global.

Num dia em que a Coreia do Sul derreteu 8,29% e disparou o circuit breaker, o Ibovespa caiu só 0,21% e fechou a 168.668 pontos. A bolsa brasileira quase não tem ações de tecnologia ou semicondutor, o setor que detonou o pânico mundial, então apanhou muito menos que a Ásia. Telecom (+0,80%) e seguros (+0,73%) fecharam em alta e seguraram o índice; os bancos recuaram 0,63% e a energia elétrica, 0,40%. O dólar seguiu firme, acima de R$ 5,15.

Como abriu

O dia começou tenso. Na madrugada, a trégua de abril entre Israel e Irã se rompeu e o petróleo disparou; em seguida, a Ásia desabou. A Coreia teve "Black Monday": o KOSPI caiu 8,29% e disparou o circuit breaker poucos minutos após a abertura, parada de emergência rara que travou o pregão por 20 minutos. O estouro veio dos chips e da inteligência artificial, no rastro do balanço fraco da Broadcom, somado ao medo de Fed mais duro depois do payroll forte de sexta.

O que moveu o dia

O pânico de chip se espalhou: KOSDAQ cerca de 9% de queda, Samsung e SK Hynix perto de 10% de baixa, Taiwan e TSMC em queda recorde e Nikkei caindo mais de 4%. Na Europa, o STOXX 600 recuou cerca de 0,7%, na mínima de duas semanas. Ao longo do dia o tom melhorou um pouco, com Trump pressionando por um cessar-fogo imediato: o petróleo devolveu parte da alta (o WTI saiu de cima de US$ 95 para perto de US$ 92) e os futuros dos EUA ensaiaram recuperação. No Brasil, o Boletim Focus elevou a Selic de 2026 de 13,25% para 13,50% e o IPCA para 5,11%, confirmando juro alto por mais tempo em casa.

As três camadas do dia

Fato

O Ibovespa fechou a 168.668 pontos (queda de 0,21%), num dia de circuit breaker na Coreia (KOSPI menos 8,29%) e venda global de tecnologia.

Impacto no Radar

O índice brasileiro segurou porque quase não tem semicondutor; o contágio aqui é indireto, via aversão a risco e dólar firme acima de R$ 5,15. Petrobras e Vale funcionaram como colchão.

Leitura de Mercado

Não foi a crise do Brasil, foi a crise do chip. O Brasil pagou o pedágio do risco global, não o do balanço da Broadcom. O teste real é o dia 17, com Copom e Fed.

Os números do fechamento

Ibovespa · fechamento−0,21% · 168.668 pts
BOVA11−0,15% · R$ 165,50
Dólar comercialfirme · acima de R$ 5,15
Telecom (melhor setor)+0,80% · VIVT3 +1,15% · TIMS3 +0,45%
Seguros+0,73% · BBSE3 +1,36% · CXSE3 +0,68%
Bancos−0,63% · BBDC4 −1,55% · SANB11 +0,19%
Energia elétrica−0,40% · CMIG4 −1,10% · TAEE11 +0,57%
Saneamento−0,02% · CSMG3 +0,60% · SBSP3 −0,26%
MundoKOSPI −8,29% · Nikkei −4% · STOXX 600 −0,7%

O que fica no radar

A semana decide o juro: Copom e Fed se reúnem em 16 e 17 de junho, e o Focus de hoje (Selic 2026 a 13,50%) mostra o mercado vendo pouco espaço para corte. Antes disso, sai o CPI dos EUA. Em proventos, o Banco do Brasil (BBAS3) paga JCP em 11/06 e a Gerdau (GGBR4) paga em 09/06. No radar externo, vale acompanhar se o pânico de chip da Ásia continua e se o cessar-fogo no Oriente Médio se sustenta, porque é o que dita o petróleo.